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1.11.07

Inferno Religioso


Parece que um dos pilares existenciais do inferno é o engano.

Designado como seu principal mentor, o diabo é apresentado pelos escritores bíblicos com sutilezas e requintes da enganação. Ironicamente um verdadeiro mentiroso.
Pelas descrições bíblicas não se pode considerar assustador dizer que na placa do inferno estaria escrito céu, e no crachá do diabo, Jesus.

Não é à toa que Jesus disse que outro viria dizendo ser ele, e João o chama de anticristo.

Aprendemos a identificar e dar crédito às coisas pelos nomes que elas recebem.

Salvo engano, a placa indicativa de um estabelecimento informa o que se encontra dentro. Sabemos sua atividade e principais características de interesse.
Ninguém adquire um litro de leite esperando um Peróxido de Hidrogênio (H2O2- água oxigenada).

Damos créditos aos conteúdos pelos seus rótulos.
Quando o rótulo sugere uma idéia e o conteúdo difere completamente, temos o engano. De imediato se denuncia a mentira. Propaganda enganosa é crime, e falsidade ideológica também.

O que se pode esperar de uma instituição cujo rótulo indica Cristo?No meio evangélico, os fiéis comumente pronunciam frases no mínimo curiosas, do tipo:
- Placa de igreja não diz nada.
- Se placa fosse bom não ficava do lado de fora
- Não olhe para o nome, olhe para Jesus.
- Não se importe com o rótulo, o importante é Cristo.
- Não olhe para homens, olhe para Cristo.

Se o objetivo destas lamúrias internas, sugere que não se deve colocar expectativas divinas nas instituições ou pessoas, até poderíamos dar um desconto considerando como um alerta, não em relação ao conteúdo, mas das expectativas quanto ao conteúdo.
Porém, cá entre nós, todos os evangélicos sabemos que a ênfase do alerta é tentar salvar o fiel.

Salvar de quê mesmo?

De se desviar ao constatar que a tese é boa (o rótulo), mas a prática contradize-a (conteúdo).
Interessante considerar que os evangélicos, enganados ou não, tentam evitar que o noviço da fé se desvie, pedindo a ele que não creia nos conteúdos (prática) da igreja?
Temos aqui um sério problema.

Esta realidade em nome da fé, levada às últimas conseqüências, me levam a intitulá-la de Inferno Religioso.

Talvez amenizando poder-se-ia dizer: “Aqui jaz coisa boa”

A ambiguidade do ambiente infernal em tese promete o bom da vida, mas antagonicamente incapacita a desfrutá-la.
De igual forma, o Inferno Religioso gera pessoas híbridas que não crêem naquilo que deveriam crer, mas crêem naquilo que lhe ensinam que deve crer, mesmo que incoerente.

Sem nenhuma certeza de ser alvo do amor de Deus e baseado na propaganda de promessas de soluções pela fé de todos os problemas, o duvidoso crédulo aposta no discurso dos outros, mas que não têm sustentação na realidade da vida.


Tomado por um sentimento de abandono caso questione as incoerências, enfraquecido pela aura divina dos falastrões, o crédulo não consegue soltar as sufocantes amarras e para se autoconvencer segue diariamente dizendo:

- “Continue crendo, mas não olhe para o rótulo, olhe para Jesus”.

23.10.07

Uma Frase Para a Alma


" E nenhum Grande Inquisidor tem prontas tão terríveis torturas como a ansiedade tem; e nenhum espião sabe como atacar mais inteligentemente o homem de quem ele suspeita, escolhendo o instante em que ele está mais fraco; ou sabe onde colocar armadilhas em que ele será pego e enredado, como ansiedade sabe e nenhum juiz é mais esperto e sabe interrogar melhor, examinar, acusar como ansiedade sabe, e nunca o deixa (a vítima) escapar, nem através de distrações, nem através de barulhos, nem divertindo, nem brincando, nem de dia nem de noite..."


Soren Kierkegaard, The Concept of Dread

12.9.07

UMA RESPOSTA PARA O SOFRIMENTO.


No terrível quadro da crucificação, ouve-se do meio das trevas que cobrem a terra, o clamor de um condenado:
Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino”.
Diante de um pedido excruciante, mas de grande demonstração de fé, Jesus contrariou qualquer expectativa humana sobre seu ser divino e cheio de compaixão. Não realizou um milagre, não eliminou a dor e não libertou o homem da cruz.

A exata expressão de Deus, aquele que traz em si mesmo toda a plenitude divina, teria perdido a maior oportunidade evangelística da história?
Com a soma de ingredientes imprescindíveis para se ganhar almas: uma multidão ansiosa por milagres e disposta a se curvar diante de tal poder e um homem cheio de fé angustiando sofrimentos, bastava um pequeno milagre.
Ainda assim, Jesus nada fez para pelo menos aliviar a dor.
Ele categoricamente convidou o moribundo a desfrutar de sua eterna comunhão, Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso”.
Jesus não fez promessas temporárias. Por isso não se percebe em suas palavras um discurso de alívio para que aquele homem aguardasse em um tempo celestial uma vitória futura.
Ele não realizou milagres, mas ofereceu a ressurreição, porque em sua resposta havia uma garantia definitiva.
Milagres até mesmo como a revivificação de mortos passam. Aqueles que como Lázaro, obtiveram a recomposição de suas células, voltaram ao pó.
Acreditar que a solução dos problemas em um mundo como o nosso, cheio de surpresas e muitas delas negativas e frustrantes, deve ocorrer através de milagres, é depositar esperança no efêmero.
Para um mundo inerentemente de aflições, os milagres não trazem a melhor resposta ao que sofre. Somente a garantia da vida, dada através da compaixão pode gerar uma esperança genuína.

Estar com Cristo”, significa vencer a morte. “Hoje mesmo”, significa no instante da morte e “Paraíso”, a dimensão de Deus. Isto no vocabulário cristão define a ressurreição.

Analisando:
Conforme o ensino clássico do estado intermediário dos mortos, que indica um tempo de espera após a morte no Paraíso ou no Hades, há a necessidade de todos retornarem ao corpo desfeito, a fim de comparecerem perante o justo juiz.
Os justos diante do Tribunal de Cristo para a vida e os ímpios diante do Grande Trono Branco para a morte eterna.
Porém, dentro deste raciocínio surgem algumas questões a se trabalhar.
Se a morte é o martelo do juízo, não existe razão para uma pessoa continuar em suspense “ad infinitum” aguardando um julgamento. Não faz sentido aguardar uma definição daquilo que já se definiu.

A compreensão do ser determina o entendimento da ressurreição.

Os gregos criam na imortalidade da alma. Para eles somente a parte má do homem, o corpo, morreria e a parte boa, a alma, alcançaria sua libertação do corpo-prisão.
Dentro desta perspectiva, a ressurreição liberaria a alma do corpo e tornar-se-ia uma alma sem corpo que aguardaria em uma outra dimensão sua reencarnação, para somente depois disto, receber a glorificação corporal.

O Novo Testamento afirma a ressurreição como o futuro que aguarda o homem após a morte.
Como a ressurreição atesta uma experiência completa do ser, a morte envolve o homem todo, do contrário, se só o corpo morre a ressurreição referir-se-ia somente ao corpo.

O corpo natural possui sobre si um decreto de falência, em função de sua constituição material corruptível. “Do pó veio e para o pó voltará”.
Não se deve crer na ressurreição como a revivificação das células do corpo que se decompôs e a alma reassumindo esta reorganização para depois disto ser glorificado.
Nos diz as Escrituras que o momento da morte marca o desvestir-se da habitação natural e o revestir-se da nova habitação, a celestial.

Cada indivíduo possui um corpo natural e um corpo espiritual.
Quando a pessoa morre, o corpo natural tal qual o grão de trigo se decompõe e o corpo espiritual surge em toda sua plenitude.
Ressurreição não é vivificação de cadáver, mas o novo rompendo com o velho e manifestando-se integralmente. A existência do novo anuncia a falência do velho.
A morte física não divide o homem, mas possibilita o transcender do espírito, antes limitado pelo corpo natural.
Temos um chamado eterno para a comunhão. Aquele que se abre para a vida com Deus concretiza com sua morte sua aspiração de relacionar com Ele sem as limitações impostas pelo corpo natural.

A esperança cristã em um mundo de aflições, não se fia no sobrenatural.
Antes, ela desfruta da companhia constante e fiel de Deus que livra os seus filhos de tornarem-se malignos neste mundo.
E também caminha pela fé na certeza da ressurreição que concretiza o seu alvo: Estar com Cristo.

Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por mãos humanas. Enquanto estamos nesta casa, gememos e nos angustiamos, porque não queremos ser despidos, mas revestidos da nossa habitação celestial. (2 Coríntios 5:1-5 parte)

Eliel Batista

31.8.07

ATEÍSMO RELIGIOSO - Às voltas com a Serpente











Quando se lê o relato do Paraíso Edênico claramente se percebe Deus inserido na humanidade. Um ambiente do Deus Emanuel. Não se trata apenas de Deus entrando na história, mas muito mais profundo contempla-se a história de Deus.

O Eterno Criador se volta a cada dia para com a Finita Criatura. É sábado! Fim dos atos poderosos de Deus e início dos atos humanos. “Aquilo que o homem fizer será”(Gn 2:19).
Com uma simplicidade nada usual para uma divindade, simplesmente se faz presente. Não realiza mais milagres e não age sobrenaturalmente para que a vida se perpetue ou para que a Terra continue seu processo de desenvolvimento. Entrega-a nas mãos dos homens para que construam o seu futuro.

A realidade do sábado anuncia que Deus parou com seus atos poderosos, para permanecer junto da criatura. A vida está posta na mesa do cosmos. “Tudo foi assim concluído”(Gn 2:1).
Sem cansaço e como quem descansa, rotineiramente Deus se manifesta com ações tão naturais que surpreenderiam qualquer divindade. Ele se delicia dialogando com a criatura. Sua presença a cada “viração” de dia proclama seu amor.

Com um cicio provocativo de “sereis deuses”, a sedutora serpente induz o homem à idéia de que a naturalidade com que Deus se relaciona com a criatura não basta. Há necessidade de algo a mais.
Ela apresenta para o homem um projeto de vida não-natural: Concretizar a vida dependendo de prerrogativas divinas.
Agradável aos olhos, e muito bem acatada a sugestão de que o status quo de poder (sereis deuses) credencia a vida com mais propriedade, do que o de amor.

O ateísmo nega Deus, recusando admiti-lo e o substitui por algo que lhe seja conveniente e mais convincente.

O ateísmo religioso recusa o Deus Emanuel, pois deseja um relacionamento com Deus mais poderoso do que amoroso.
Machucado pelas aflições mundo, e sedento por escapar das dificuldades próprias da vida, o ateísta religioso, considera que o Deus Emanuel não responde à vida como deveria.
Uma divindade se prova na manifestação sobrenatural, para ajudar o fiel na condução de sua vida .

É extremamente cômodo e consolador considerar digno de adoração, somente o Deus que agir poderosamente em prol de seus adoradores, evitando que estes sofram a vida. Esta é a conveniência sorvida da Serpente, que recusa o Deus Emanuel para se deliciar com o poder. (Mateus 4:9)
O que motivava Israel para adoração eram os atos poderosos e providências extraordinárias divina. Motivado pela euforia da poderosa libertação do Egito, não abriu mão do culto, mas substituiu com facilidade Deus pelo Bezerro de Ouro. Para Israel o Deus verdadeiro não era o Emanuel, mas o Deus que se manifestasse mais forte.

Tal qual no Éden este ateísmo nega o Deus Emanuel, para ficar com o deus-dado-pela-serpente:
“– Se tu és... realize algo sobrenatural”.

Na tentação no deserto, o diabo como última tentativa sugere a Cristo:
- “Um deus que se preze demonstra cuidado com dádivas extraordinárias, para aquele que lhe adora”.
E praticamente encerra com a máxima:
-“Curve-se pois eu sou este deus”.

Seria ousado demais afirmar que a imagem de poderes que a religião faz de Deus é um diabo? (Mateus 4:1-11)

Na relação com a criatura, não seria Deus mais humano do que deseja as projeções humanas?
De novo não se crucifica o Senhor da Glória, não admitir seu esvaziamento?

A teologia faz um desserviço à fé cristã, quando tenta preservar Deus daquilo que ele não teve receio de abrir mão: sua divindade. (Filipenses 2:6-7).

Jamais deixou de ser Deus, porém esvaziou-se.
Tornou-se quem não era, sem deixar de ser o que era, para que assim pudéssemos contemplar-lhe face a face.

Recebamos o Único Deus que conhecemos, o Senhor da Glória entre nós.

Eliel Batista

15.8.07

Nossa Igreja e as novas heresias (Desabafo de um adolescente)


(Texto produzido por Bruno Reikdal - 18 anos)

O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: "Veja! Isto é novo!"? Não! Já existiu há muito tempo, bem antes da nossa época. (Eclesiastes 1:9-10)

Heresia. De acordo com o Dicionário Aurélio:
1- Doutrina contrária à que foi definida pela Igreja em matéria de fé.
2 - Contra-senso, absurdo. Herege de acordo também com o dicionário, o que professa heresia.

Durante séculos, nós, protestantes, cristãos reformados ou até mesmo filhos da Reforma, fomos perseguidos e acusados como hereges por uma Igreja corrompida, sem valores, que buscou apenas conquistar poder através da fé, tradições e dogmas que consideramos errados, e assim o conseguiu.
Mas nós reformadores, protestantes nos mantivemos fortes. Não deixamos a causa, lutamos para mudar a teologia católica vigente na época. Conseguimos! Derrubamos o pensamento opressor que nos tratou como hereges, infiéis e sem temor a Deus e implantamos nossa teologia, revista e voltada para o cristianismo original.
Realmente devemos ser os maiorais. Criamos uma doutrina perfeita, imutável e cem por cento certa.
Chegamos ao cume certo? Não!
A cada dia que passa, percebo que nos tornamos os mesmos perseguidores, opressores, incrédulos e safados que usam da fé para enriquecer, tal qual a castidade da Idade Média.

Vergonha. É o que sinto. Tantos anos de luta, de pensamento, trabalho e inclusive sangue derramado para fazer a diferença e mudar o rumo do Cristianismo em vão.
A semelhança é impressionante. Nossas igrejas vendem bênçãos, prosperidade, ensinam a arrancar de Deus a realização de nossos desejos e o suprimento de nossas necessidades. Trocam rosas por dinheiro com a promessa de quebra de maldição, utilizam amuletos e acessórios que trocados por moedas garantem vida amorosa, financeira e de negócios sempre boas.

É extremamente parecido com a antiga Instituição Igreja.
Já abrimos a caça às bruxas, melhor, aos hereges. Esperamos pastores que pregam uma revisão dos dogmas, doutrinas e tradições religiosas na porta das igrejas com tambores e faixas criticando-os. Atacando-os por meio de textos, Internet, jornais e púlpitos.
Está reaberto o INDEX. Livros proibidos como ameaça à fé.
Ler a bíblia? Pra que? Estudá-la? Não precisa. Os nossos líderes o fazem por nós. Código Da Vinci? Não leia! É herege. Esquecemos que é apenas um romance. Livros do Gondim? Boff? Kivitz? Não! São heresias.
Só falta agora um novo tipo de Missões Jesuíticas para catequizar, melhor, evangelizar os índios, os pobres, em dúvida da fé, os camponeses e as crianças, para que nunca larguem a “verdade”, nossa verdade.
De que adiantou tanto esforço? As idéias de Lutero? A Reforma? De nada se valeram. Voltamos ao que fomos contra. Transformamos-nos em tudo o que repudiávamos.

Qual a solução? Não sei.
Desiludi-me com a Igreja Evangélica.
Desisti de continuar uma caminhada com uma religião hipócrita, falsa, repressora e enganadora.
Se necessário tornar-me-ei um novo tipo de reformado cristão.
Se continuar assim, uma frente cristã sem rosto, maculada e grotesca como fora sua antiga adversária, uno-me ao Ricardo Gondim em não “ser mais evangélico”.

Provavelmente também me chamarão de herege por defender essa idéia do Gondim, mas, se for para ser herege diante dessa realidade da Igreja, terei orgulho de o ser.

13.8.07

Agradecimento aos antiGondim


Quero agradecer pelos excelentes serviços prestados ao meu cristianismo, a todos os apóstolos, bispos, pastores e auxiliares, dirigentes de igrejas, nobres chanceleres, augustos doutores em divindades, calvinistas e arminianos.
Não me esquecendo daqueles que para preservarem sua imagem diante da inquisição teológica, preferem abandonar a caminhada e também a todos os que compreendem as desgraças do mundo como decretos divinos.
Enfim, muito obrigado a todos os que em oposição ao Gondim têm acendido a fogueira da idade média, dando a alguns evangélicos a oportunidade teológica de terem um inimigo para manifestarem os verdadeiros valores de seus corações e as destrutivas obras de suas crenças.

Quando soube dos defensores da verdade com camisetas e um “panelaço” antiGondim na porta da igreja que ele gastou sua vida, tempo e família para ensinar o evangelho. Quando vi pessoas que nunca souberam de absolutamente nada da Betesda, mas em função de seus super títulos se sentem com a prerrogativa divina no estilo Papal de darem a chancela de "fielmente Bíblico e motivação correta" à divisão ocorrida, pude perceber algumas coisas valiosas.

No mínimo, mesmo que o Ricardo Gondim tivesse se desviado, a história dele frente à Betesda e quem ele sempre foi, deveriam ter força suficiente para preservar sua integridade, para poupá-lo de qualquer tipo de humilhação. Aliás, a verdadeira defesa da fé, compreenderia que o amor encobre multidão de pecados.

Quantos que agiram indevidamente e na maioria das igrejas deste país deveriam ser expostos, mas ao admitirem em seu gabinete suas fraquezas foram por ele poupados, acompanhados, tratados e ensinados sobre graça?

Ainda que ele houvesse se perdido, a fé de Cristo requereria de seus seguidores que fosse ter com ele, não para feri-lo, mas ganhá-lo. Mas isto seria exigir demais da turba que grita:
- Crucifica, preferimos o homicida, pois ele representa bem o nosso coração.

Além de não compreender o porque pessoas que sempre defenderam que o homem possui livre-arbítrio, acusa de herege aquele que defende com maestria justamente aquilo que mais dizem crer, pude reafirmar algumas coisas.

- Não quero uma fé que para se sustentar tire frases do contexto, anule o caráter de quem escreveu e necessite vasculhar frases em busca de vírgulas, acentos e entonações para execrar uma pessoa.

- Longe de mim um credo que prepare uma cova e instigue os leões. Depois investigue a vida do outro para ter o que atacar e não encontrando busca na fé uma prova. Cuja defesa (?) não quer ouvir de sua boca a verdade, mas a frase que baste para comprovar suas idiossincrasias (Mateus 26:64-66) e conseguir levar a cabo suas más intenções.

- Desejo distância de uma verdade que gere ataque à integridade e valores do coração, que cospe no prato que comeu, que jogue fora décadas de caminhada sincera e não valorize quem gasta sua vida em prol do bem.

- Jamais quero fazer parte de uma doutrina mesmo que em nome de Jesus e com o uso da Bíblia, tão valorosa a ponto de roubar, matar e destruir. Que resulte em pessoas que assumem em nome da fé o desejo de ver o fim do outro, e incita os alheios ao ódio. Realmente nada parecido com a mensagem de Cristo, quisera com Ele.

Ao ver o resultado deste tipo de defesa da fé, que de defesa não tem nada, mas sim de ataque, prefiro o rol dos “malditos”.
Não porque goste de heresias, mas porque ao ler os evangelhos não compreendo como heresia uma pregação tal qual de Cristo, que defende:
- a vida mais do que a doutrina (Mateus 12:1-6),
- a integridade mais que a instituição (João 2:18-19),
- o bem mais que os dogmas (Lucas 13:14-16).
Não posso admitir como heresia:
-a explanação de um evangelho para que cada pessoa desenvolva sua fé em Deus e menos institucionalizada (João 9:16),
e muito menos a pregação que conduz ao amadurecimento espiritual de cada um para que assuma as responsabilidades da vida diante de suas contingências (Eclesiastes 9:2).

É isto que tenho testemunhado ao longo destes anos.
Conhecendo estes valores, participando da história de caminhada de fé da Betesda em São Paulo e das particularidades do amigo Gondim. Ouvindo o vazamento de fontes íntimas de seu coração e seu temor a Deus e o desejo de andar com integridade diante do Senhor, observando como ele lida com dinheiro, títulos, cargos, seu estilo de liderança, sinceramente prefiro o meu desconhecido nome "maculado".

Como dizia minha avó: -“Deus me defenda”, de um dia trair o que creio, jogando fora o valor de Cristo de morrer pela fé, em troca das bolotas dos porcos do anticristo de matar pela fé.
A doutrina tem seu valor, mas perde-o quando usada contra o outro, pois a supremacia do evangelho está no amor, não na teologia.

Quisera as diferenças fossem teológicas, mas infelizmente procedem das saídas da vida, o coração.
Corações religiosos, arrogantes e duros dos guardiões da verdade contra um coração que deseja servir ao Senhor com a vida do jeito que ela é.

O que mais dói nisto tudo, não são as oposições, as diferenças, mas ver que tudo aquilo que se ensinou durante décadas e a transparência de nada valeram. A triste sensação de depois de 30 anos cuidando da videira e ela produzir uvas bravas.

Malhou em ferro frio?
Não. Mas em um coração duro, nem mesmo a respeitosa gentileza de Deus dá jeito.
Mas isto é teologia da Betesda, para antiGondim é heresia.

Como creio que sou livre, faço uso da liberdade, para escolher além de meu pastor um amigo como o Ricardo Gondim e uma igreja como a Betesda que sempre conheci.

Eliel Batista

22.5.07

MATAR OU MORRER PELA VERDADE?


Para um amigo.

Lusco-fusco do dia, o fogo crepitante projeta a luz na face dos pescadores e cria um limiar para a sombra da noite que os envolve como um manto suave.
Volto ao passado e ouço entre os titubeantes murmúrios, Pedro em um sobressalto, fazer sua contundente declaração mais anticlerical possível de seu tempo: - “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Mal sabia o pobre pescador que esta conversa informal, confessada em segredo, extrapolada o pequeno grupo, causaria a morte violenta de todos. Menos um!

De volta ao futuro, vejo-me em minha igreja, ombreado por um amigo, que entre livros e com o arroubo de um idealista esperançoso por transformações radicais diz como que um trocadilho:
- “O único Deus conhecível é um homem”.

Atordoado, com esta declaração intrigo-me em minha mente.
Eu, alguém de um Tempo sempre Pós; concílios, sínodos, postulados e credos, sei que nEle habita corporalmente toda plenitude.
Não cabe pensar no Deus invisível, inacessível e outros “vels” mais, como um simples ser humano.
É possível o Deus Bíblico Teológico Sistemático inserido no mundo até a consumação dos séculos, um humilde servo?

Um Deus que se apresenta sem o uso de poder?

Lembro-me da fogueira na Galiléia e percebo a figura da declaração “causa mortis” dos discípulos. Eles morreram por afirmar que Deus poderia ser um rude nazareno.
Hoje, na pós-reforma, ousar afirmar que Deus o Senhor da Terra e Céus, para nos receber em comunhão permanente abriu mão do uso de seu poder, carrega também o som do apedrejamento das duras canetas de tintas.
Ouso em pensamento perguntar aos rígidos guardiões da sã doutrina e defensores da verdade absoluta:
-“Por qual razão vocês querem matar?”.

Ouço a clássica resposta Revista e Corrigida:
- “Tens demônio”.
Não te atacamos pelas tuas obras, mas porque fazes de Deus um esvaziado sensível e comprometido com a humanidade”.

Confundindo os tempos de minha viagem, cabisbaixo sinto em meu ombro a mão do único que escapou de morte violenta, João o pescador teólogo, que sussurra em meus ouvidos espirituais, mais que um consolo:
- “Está no mundo um espírito que não reconhece o Deus carne, o esvaziado.... Você já sabe qual...”.

Calo-me e descanso em um breve suspiro:
- Continuemos amigo, pois Cristo nos ensina e deu exemplo que devemos morrer pela verdade, mas jamais matar, mesmo que para defendê-la.

AO MEU QUERIDO PAI Vicente Batista (in memorian)


O VI CENTEnas de vezes orando de madrugada; pelos enfermos e sendo curados; expelindo demônios


VICENTE BATISTA, ou melhor o Batista, que desmatando florestas de pecados estabelecia a clareira da paz com Deus, encaminhando novas criaturas para o trabalho do Reino Eterno

VI CENTEnas delas descendo às águas batismais e mergulhadas por ele nos rios paranaenses se levantarem glorificando a Deus nas línguas dos anjos

VI CENTElha de Deus na história de um pequeno homem, que curvou os grandes e me ensinou que o privilégio de servir a Deus não tem preço, por isso não busca paga nem aplausos humanos, não aguarda reconhecimento e que a alegria daqui é o fruto eterno; dali

VI SEM TEmer a morte, um homem jogado ao chão por ela, levantar suas esqueléticas mãos aos céus e na busca do ar rarefeito encher os pulmões e em um brado dizer:
“Jesus tu és maravilhoso, tu és lindo meu Jesus”

VI , SENTI; e como VI como SENTI...

Visitantes com rostos circunspetos entrarem naquele quarto, VI CENTEnas de segundos passarem e ao saírem dali lágrimas de alegria, sorriso de satisfação, de alma cheia de conforto.

VI SENTI e aprendi com você, a esperar no Senhor e que enquanto espero devo trabalhar pelo reino, que quando acusado ou julgado o importante é não deixar o coração macular; e que ele, o coração, deve sempre ser guardado das más intenções, pois isto é um veneno que mata o seu possuidor.

"Posso descansar em paz, pois minha consciência está tranqüila. Nunca tive más intenções nem mesmo contra aqueles que me perseguiram" Vicente Batista

DE PAI PARA FILHA - ( em seus 15 anos)


Se a mim fosse dado o direito de ser senhor do Tempo
E concedido o poder de pará-lo por um só momento.
Abriria mão de tal fascinante arte
Para não roubar de sua vida a melhor parte.

Deixaria correr, para você crescer, amadurecer,
Mas lutaria incansável para o tempo não destruí-la,
Quereria conservá-la, assim, meiga perto de mim.
Evitaria que a parte cruel do tempo marcasse um tento.

Tinhoso, teimoso e ladrão.
O egoísta do meu coração
Sempre quereria roubar
A possibilidade de a vida te levar.

Já dizia o poeta e eu inverto o falar
Eu é quem sou o rio, você é quem é o mar.
Eu, pai que se esforça em sarar a ferida.
Em mostrar-te querida e ensiná-la sempre amar.

Se proibido eu fosse de qualquer palavra outra dizer
Me esforçaria, lutaria até o instante de morrer
Para apenas seis palavras mais poder pronunciar:
EU SEI QUE VOU TE AMAR

15.2.07

Patinho Feio da Fé-não


Nasci em um lar cristão e estudei em uma escola de freiras.
Algumas piadinhas, que alcunhavam minha família de “quebra-santos”, me informaram sobre minha fé não Católica Romana, mas Protestante.

Explicaram-me o grande cisma. A Reforma determinava o “lado” em que eu deveria ficar.
Vez por outra, uns murmúrios em uma língua não convencional denunciaram-me como “diferente”.
Protestantes prevenidos, apressadamente me indicaram um outro caminho. O meu “lado” Pentecostal quase não-protestante.

Parecera-me o fim do empurra.
Meus pares, protestados pelos Protestantes e Católicos, se consideravam mais espirituais.

Para variar, alguma coisa não se enquadrava. Apesar das línguas um “sotaque estranho” diferenciava-me. A manutenção da convivência com os não-pentecostais indicava a estranheza.
Diante do meu comportamento e convivência, com uma insistência viril apontaram-me Evangélico.

Lá fui eu de novo, só que bem mais localizado. Cristão-não-católico-quase-não-Protestante-Reformado-Pentecostal-Evangélico.
Os olhares de alto-abaixo para minhas roupas, corte de cabelo, penteado e linguagem me deram uma nova identidade. Agora passara a gospel.
O que viria a ser isto ninguém soube me explicar. Mas houve o decreto:
- “Com certeza, você é”. (A certeza gospel não definível).

Caminhei um pouco e percebi que havia perdido de vista os católicos, os protestantes da reforma, os pentecostais e os evangélicos e que eu não tinha nada a ver com os gospels.

Afinal quem seria eu ou não, depois de tudo isto?

Talvez quem saiba um: não-católico, não-protestante, não-reformado, não-pentecostal, não-evangélico e não-gospel?

Hoje olho para trás e sei que não estou perdido. Agradeço toda a colaboração-não, que me fez conhecer e decidir.
Fizeram-me ver “sim”, que sempre quis ser um discípulo de Cristo e bem distante dos muros da fé-não.

Nota importante: Apesar de saber que não sou nenhum cisne, me dou bem como patinho feliz (não-gospel).

ÉS TRISTE; PECADOR!


É triste ver que a pequenez de um homem é a limitação de si mesmo,
Rodeado por muralhas de autoproteção, fecha seu coração, se aprisiona nos grilhões de seus sentimentos, e o seu carrasco é a liberdade do outro.

É triste saber que sua liberdade está na qualidade de suas relações, mas ele é incapaz de promover o bem ao próximo,
Saber que sua pequenez é proporcionalmente oposta à sua agressividade, sua manipulação,
Que quanto mais distante do outro, menor ele se torna e vive mediocremente.

É triste saber que sua mediocridade não está em ficar na média, mas sim, em tentar transpô-la às custas do outro e isto ser comum.

É triste saber que sua língua, um membro tão pequeno, capaz de construir grandes castelos, é mais usada para lavrar as mais tétricas catacumbas.

É triste saber que ele está rodeado de pessoas, cujos corações do outro lado das grades, o ouvem por educação, que suas palavras não lhes alcançam, pois o que ele diz é como o metal que retine, porque palavras sem amor são sons vazios.

É triste saber que alguém aceita o seu favor somente por se sentir beneficiado, mas não amado.

Isto tudo é triste, muito triste; mas mais triste que saber, é ser assim.

Este é apenas um pequeno espelho que revela um homem que não tem amigos, não faz amigos, não sabe amar, e por mais que deseje tê-los, se não houver transformação jamais os terá.

Bem-triste é aquele que se cerca de si mesmo e faz de si a razão principal e de seus “pré-conceitos” sua direção, ele jamais conhecerá a ALEGRIA.