ATEÍSMO RELIGIOSO - Às voltas com a Serpente











Quando se lê o relato do Paraíso Edênico claramente se percebe Deus inserido na humanidade. Um ambiente do Deus Emanuel. Não se trata apenas de Deus entrando na história, mas muito mais profundo contempla-se a história de Deus.

O Eterno Criador se volta a cada dia para com a Finita Criatura. É sábado! Fim dos atos poderosos de Deus e início dos atos humanos. “Aquilo que o homem fizer será”(Gn 2:19).
Com uma simplicidade nada usual para uma divindade, simplesmente se faz presente. Não realiza mais milagres e não age sobrenaturalmente para que a vida se perpetue ou para que a Terra continue seu processo de desenvolvimento. Entrega-a nas mãos dos homens para que construam o seu futuro.

A realidade do sábado anuncia que Deus parou com seus atos poderosos, para permanecer junto da criatura. A vida está posta na mesa do cosmos. “Tudo foi assim concluído”(Gn 2:1).
Sem cansaço e como quem descansa, rotineiramente Deus se manifesta com ações tão naturais que surpreenderiam qualquer divindade. Ele se delicia dialogando com a criatura. Sua presença a cada “viração” de dia proclama seu amor.

Com um cicio provocativo de “sereis deuses”, a sedutora serpente induz o homem à idéia de que a naturalidade com que Deus se relaciona com a criatura não basta. Há necessidade de algo a mais.
Ela apresenta para o homem um projeto de vida não-natural: Concretizar a vida dependendo de prerrogativas divinas.
Agradável aos olhos, e muito bem acatada a sugestão de que o status quo de poder (sereis deuses) credencia a vida com mais propriedade, do que o de amor.

O ateísmo nega Deus, recusando admiti-lo e o substitui por algo que lhe seja conveniente e mais convincente.

O ateísmo religioso recusa o Deus Emanuel, pois deseja um relacionamento com Deus mais poderoso do que amoroso.
Machucado pelas aflições mundo, e sedento por escapar das dificuldades próprias da vida, o ateísta religioso, considera que o Deus Emanuel não responde à vida como deveria.
Uma divindade se prova na manifestação sobrenatural, para ajudar o fiel na condução de sua vida .

É extremamente cômodo e consolador considerar digno de adoração, somente o Deus que agir poderosamente em prol de seus adoradores, evitando que estes sofram a vida. Esta é a conveniência sorvida da Serpente, que recusa o Deus Emanuel para se deliciar com o poder. (Mateus 4:9)
O que motivava Israel para adoração eram os atos poderosos e providências extraordinárias divina. Motivado pela euforia da poderosa libertação do Egito, não abriu mão do culto, mas substituiu com facilidade Deus pelo Bezerro de Ouro. Para Israel o Deus verdadeiro não era o Emanuel, mas o Deus que se manifestasse mais forte.

Tal qual no Éden este ateísmo nega o Deus Emanuel, para ficar com o deus-dado-pela-serpente:
“– Se tu és... realize algo sobrenatural”.

Na tentação no deserto, o diabo como última tentativa sugere a Cristo:
- “Um deus que se preze demonstra cuidado com dádivas extraordinárias, para aquele que lhe adora”.
E praticamente encerra com a máxima:
-“Curve-se pois eu sou este deus”.

Seria ousado demais afirmar que a imagem de poderes que a religião faz de Deus é um diabo? (Mateus 4:1-11)

Na relação com a criatura, não seria Deus mais humano do que deseja as projeções humanas?
De novo não se crucifica o Senhor da Glória, não admitir seu esvaziamento?

A teologia faz um desserviço à fé cristã, quando tenta preservar Deus daquilo que ele não teve receio de abrir mão: sua divindade. (Filipenses 2:6-7).

Jamais deixou de ser Deus, porém esvaziou-se.
Tornou-se quem não era, sem deixar de ser o que era, para que assim pudéssemos contemplar-lhe face a face.

Recebamos o Único Deus que conhecemos, o Senhor da Glória entre nós.

Eliel Batista

Comentários

  1. Paz do Senhor Jesus,
    gostei desta postagem, muito boa.
    Aproveito para recomendar ao irmão o livro de Norman Geisler- Não tenho fé suficiente para ser ateu/Ed.Vida.

    Que Deus te abençoe e se assim for da vontade Dele, que vc se torne um pastor de Seu rebanho! Amém.

    Eduardo Neves.

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  2. Obrigado pela sua participação.

    Quanto a tentando ser pastor, não me refiro à função, pois na verdade já faz alguns anos que sou, mas sim de todas as implicações que envolvem o texto: Já não vivo mais eu mas Cristo vvie em mim".

    Quanto à isto, estou tentando....

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