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24.12.09

Natal - amor é simples assim


O Natal é uma data extremamente significativa no calendário cristão.
Apesar da incerteza do dia específico, temos por certo que o grande evento anunciado pela voz do anjo comunicou uma profunda e amorosa mensagem de Deus.
Disse o anjo:
Estou lhes trazendo novas de grande alegria. Hoje na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Isto lhes será de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos deitado numa manjedoura”.

A biografia de Jesus diz que seu primeiro sinal milagroso foi um ato:
Ele transformou água em vinho.
Mas o primeiro sinal da plenitude divina, da revelação da exata expressão de Deus tal qual jamais ouvida ou vista, foi simples. Os anjos cantando anunciaram afeto, ternura e humildade.
Este grande sinal não foi a visão de um super homem ou de um príncipe em vestes reais, mas um frágil e singelo bebê.
Nada de vestes sacerdotais pomposas, mas envolto em panos.
Sem trono, sem berço de ouro ou mesmo um quarto resplandecente.
Apenas um porão de hospedaria destinado aos animais dos viajantes.
Foi assim que Deus se apresentou ao mundo: um recém-nascido deitado num cocho.

Nos espantamos com um sinal deste tipo!

Alguém ousaria sinalizar-se como Filho de Deus desta maneira?


Seria este o brazão de uma divindade poderosa?


Percebemos perplexos ser este um sinal carregado de significados jamais pensados.
Evidências de que os frágeis são bem vindos, os simples pertencem ao Reino, os desprotegidos tiram canções dos anjos.

Que maneira estranha de uma divindade entrar e sair do próprio mundo que criou!
Entra e sai, despojado de poderes.

Que tipo de Deus seria este que não faz conta de grandeza?

Este sinal revela que a saga humana se enche de significado e deixa de estar perdida ou abandonada, pois o seu próprio Criador se apresentou carente de calor humano.
Se fosse um super homem, ou um rei sentado em um grandioso trono o sinal convidaria a humanidade a ter medo, mas como bebê temos um convite para amar, sorrir afetuosamente e abraçar com carinho.

Foi assim que Simeão, homem justo e piedoso movido pelo Espírito Santo, tomou o recém-nascido em seus braços e disse:
Os meus olhos viram a tua salvação que preparaste à vista de todos os povos”.
Só mesmo alguém com uma percepção aguçada do reino, movido pelo próprio espírito de Deus e cheio de esperança poderia dizer isto ao olhar uma criança.

O primeiro Natal encarnou uma mensagem que Jesus só ensinaria mais tarde aos seus discípulos. Diria Ele com a voz de esperança e carinho: “sejam simples como pombas”, no mesmo momento em que os destinava para uma missão de ovelhas em meio aos lobos.
O próprio Jesus entrou na história humana vivendo esta perigosa experiência. Sob a perseguição romana e no perigo da espada do Imperador, o frágil bebê, tal qual uma ovelha, foi cercado por ódio voraz, como de lobos.

Um berço de palha proclama a todos, que a força não está no poder, mas no amor, nos afetos, nos relacionamentos.
Um bebê numa manjedoura nos convida a nos abaixarmos não por medo, mas por amor. Nos chama ao despojamento não para evitar conflito, mas para demonstrar carinho.

Este sinal num canto qualquer da Palestina, nos ensina que podemos nos sentir à vontade com Deus, sem constrangimentos desfrutar da natural e ingênua liberdade de sermos criaturas de um Deus bom.

Jesus quando se despediu da humanidade disse que a vinda do Espírito Santo os encheria de virtude. Uma coisa é certa, cada virtude só é ela mesma se livre da preocupação de parecer, e mesmo da preocupação de ser. Isto a manjedoura também anuncia.

Gosto da sabedoria do poeta quando diz: “Vamos aqui e ali, à procura de uma alegria por toda a parte em migalhas, e o saltitar do pardal é nossa possibilidade de saborear Deus espalhado no chão.”

Tudo é simples para Deus; tudo é divino para os simples.

Que proclamação extraordinária encontramos na voz angelical. O evangelho puro, dito dos céus aos homens, encarnado em Jesus de Nazaré, traz o que significa o céu para a Terra.
De fato, "glória a Deus nas maiores alturas e paz aos homens a quem ele quer bem".

Eliel Batista

10.11.09

LUTAR E PERDER? - A FORÇA DE UM HERÓI


Quem luta com Deus e ganha, sempre perde. Assim é como eu interpreto algumas histórias de homens que lutaram com Deus.

A saga mais conhecida quando se fala neste assunto é a de Jacó que lutou com Deus como um príncipe e venceu, tanto que seu nome de enganador (Jacó), passou a ser Israel.
Mas o que escapa da atenção de alguns pregadores, principalmente os da prosperidade, é que esta luta de Jacó se dá numa categoria bem diferente do usual. Nem quero aqui citar as linhas de interpretações judaicas que divergem sobre quem era o “homem” com quem ele lutou. Vou direto para o profeta Oséias que informa que Jacó “No ventre da mãe segurou o calcanhar de seu irmão; como homem lutou com Deus. Ele lutou com o anjo e saiu vencedor; chorou e implorou o seu favor” (12:3-4). Jacó em prantos, arrebentado implora o favor - busca a charis divina - palavra que indica o favor e a beleza de Deus para com o mundo. Uma ousadia bem diferente.

Mas temos ainda outros personagens que me parece, estabelecerem o paradigma da luta com Deus.

O primeiro que destaco na ordem cronológica é Abraão. Lutou com Deus em favor de Sodoma e Gomorra. Ele não queria ver uma cidade destruída e não acreditava ser possível não haver gente “boa” o suficiente para manter a cidade em pé e Deus não agir com justiça.

Outra pessoa foi Moisés. Ele lutou em favor do povo que saiu do Egito e não iria conseguir chegar em Canaã pela dureza de coração. Ele não poderia permitir que o grande projeto falhasse. Mesmo diante da infidelidade do povo, ele lutou insistentemente com Deus, chegando a uma ousadia sem precedentes ao dizer para Deus arrepender-se do mal (Ex 32:12).

A história destes homens Abraão, Moisés e Jacó revela algumas coisas intrigantes.

Jacó saiu vencedor?
Sim em questão de fé. Não em questão de sucesso e realização de desejos. Jacó passou a maioria dos seus anos depois desta luta em tristezas de morte. Perdera o seu filho amado José, passou fome e morreu em terra estranha.

Abraão intercedeu por Sodoma, mas ela foi destruída. Uma maneira que se usa para tentar provar que foi vencedor é dizer que sua intenção era apenas com sua família. É a mesma coisa que dizer que Abraão, um pai da fé egoísta, estava pensando em si mesmo. Ele não conseguiu poupar a cidade e morreu em terra estranha e sem herdar um espaço do tamanho do pé. (At 7:5)

Resta-nos Moisés, cuja principal luta na qual gastou sua vida, foi para o povo chegar à Canaã. Exceto Josué e Calebe nem mesmo ele entrou na terra prometida, todos morreram. Mas no caso dele é mais grave ainda, porque lhe é mostrado o lugar que depois de todo o esforço e grande luta com Deus, não conquistou.

Diríamos que suas lutas foram em vão por não terem sido bem sucedidos?
Não! Diria que eles foram heróis da fé porque foram fiéis.

Todos estes viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-no de longe e de longe o saudaram”. – Hb 11:13
Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido”. – Hb 11:39

Um herói da fé não é aquele que consegue resultados, ou que Deus como um gênio da lâmpada satisfaça seus desejos. Não é aquele que consegue tudo o que intenta. Herói na fé é aquele que tudo falhando e lutando com Deus, ainda assim faz a mesma coisa que o Deus que ele crê faria: dá sua vida para que outros, mesmo indignos vivam.

Quando aquilo que está acontecendo na história parece ser da vontade de Deus, mas é um atentado contra a vida, é um grande mal contra o ser humano, o herói da fé é contra, mesmo que todos digam e todas as pistas apontem, ser aquilo da vontade de Deus.

Portanto, o herói da fé não mata em nome de Deus, prefere morrer. O herói da fé revê seus ideais catastróficos do fim dos tempos que imagina que quanto pior melhor. Que se o mundo estiver se acabando, pessoas estiverem morrendo aos milhões de pragas, pestes e catástrofes, que quanto mais desastres e mortandade acontecerem mais provas de que Deus está próximo (?).

Para o herói na fé a morte presente é sinal de que Deus está distante, porque o Deus cristão é a ressurreição e a vida e não se manifesta entre os homens para roubar, matar e destruir, mas seu espírito é de salvação (o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los - Lc 9:54).
Porque quanto mais próximo de Deus, mais vida e não morte.

Mesmo que esteja escrito no Apocalipse, o herói da fé cristão, que tem os mesmos desejos e projetos de Jesus diz:
- Não concordo! Sou contra guerra, destruição e morte, pois represento um reino que é de Cristo, a Vida.

22.10.09

POR QUE SÓ O SENHOR É DEUS?


O meu nome, Eliel uma expressão hebraica, significa Deus é Deus. Numa transliteração quer dizer aquele cujo Deus é o Único Senhor. Após pensar sobre a fé cristã e como melhor significar no cristianismo a expressão Único Senhor, cheguei a algumas idéias.

Para nós os cristãos a leitura inicial do Gênesis deveria se desvencilhar dos detalhes poderosos do ato criador. A maneira como a Bíblia descreve Deus chamando à existência algo sem ter necessidade alguma, não enfatiza este poder do tipo estóico que tanto cultivamos.

Uma divindade com poderes extraordinários que ordena e exigentemente cria é comum a todas as expressões religiosas. Todas as divindades são reconhecidas como poderosas. Nosso esforço em apresentar o Senhor como o Deus dos deuses, ou como o mais poderoso o diminui. Este procedimento apenas classifica-o como mais um entre muitos. Isto não o revela como o Único Senhor, mas como possuidor de maior força.

A consciência da santidade de Deus deve nos levar a enfatizar Deus como plenamente melhor do que qualquer concepção de divindade que se saiba. Por isso, ao lermos os relatos iniciais deveríamos nos lembrar que a expressão Céus e Terra não separam dois ambientes, um espiritual e outro material, mas nos informa que Deus se insere em sua própria obra. Deveríamos ainda nos deter com mais paixão na imagem do Deus que busca a criatura.

Uma divindade que cria um lugar para si e o entrega à própria criação. Mesmo a criatura sendo limitada, afetuosamente a procura. Não desiste e nem a abandona, antes cada vez mais se insere na criação até as últimas conseqüências.

– “Adão, onde estás?”, deveria pulsar no coração da mensagem cristã.

Assim, a revelação cristã anuncia um Deus que para o encontro com o humano se arma de poderes que buscam e salvam independente de sua própria necessidade. O poder capaz de buscar com integridade é o amor. A forma do amor salvar é mediante a graça. E a graça se experimenta na fragilidade.

Para o cristão, Deus ser poderoso o suficiente para criar e reinar não deveria impressioná-lo tanto quanto o fato de ser poderoso o suficiente para conceder graça.

(e Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça- 2 Co 9:8).

Todos sabem que qualquer divindade precisa ser poderosa; disto ninguém duvida. Sendo assim, a questão que melhor distinguiria uma divindade da outra é quanto ao uso do poder próprio.

Como para se aproximar de Deus é pela fé, resta crer se Ele usa o seu poder porque é Deus ou podemos confiar que mesmo sendo Deus Ele não considera isto como algo a se apegar?

(que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se - Fp 2:6).

Devemos crer que Ele é Único por ser Deus, ou por ser Fiel?

A fé cristã desafia toda forma de poder para que demonstre se é capaz de amar, ser graciosa, permanecer sempre fiel e pasmem, se aperfeiçoar na fraqueza, tal qual demonstrada em Jesus de Nazaré.
(... minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza- 2 Co 12:9)

13.10.09

VIVER ENTRE O BEM E O MAL


Provem, e vejam como o SENHOR é bom. Salmo 34: 8

A vida vem de Deus; um sopro invasivo que nos torna sensíveis. Ele no-la deu com uma consciência para que viver fosse um experimentar-Deus.

A criatura experimentando o Criador, ou o finito experimentando o infinito.

Se isto está correto, viver é antes de tudo uma experiência sensorial e não moral. A dádiva da existência o meio de se experimentar os sabores da vida. Desta maneira viver é uma questão de paladar. Aprende-se viver saboreando a vida e quando o paladar apura entra a morte.

Deus é sentido e não entendido. A verdadeira vida é experimentada e não definida.

Assim podemos afirmar que a experiência de viver neste mundo não é boa ou má, mas doce ou amarga. Uma vida menos conceitual e mais sensorial.

Quando falamos que o mundo é ruim, precisamos adequá-lo em uma referência ao sabor e não à moral.

Na narrativa do Éden em Gênesis, a procura de Deus por Adão sobre sua localização, não é uma busca de definição espacial, mas uma busca existencial. Tanto que a resposta de Adão não foi o óbvio de estar detrás de uma moita, mas ele respondeu que teve medo. A experiência de vida negativa de Adão se deu com o amargo medo e não com o conceito de certo e errado que desconhecia. Enfatizo que teve medo e quando comeu o fruto não foi malévolo, apenas inexperiente.

Quando Deus criou tudo, colocou sobre nós a responsabilidade de escolher entre o bem ou o mal e assim vivermos. Neste mundo Deus não é responsável pelo bom, isto cabe a nós. Somos e sempre seremos cobrados de um mundo bom ou mal.

Caim no uso de seu livre arbítrio pôde fazer o mal ao matar seu irmão Abel. Mas a experiência de Abel em morrer e dos pais em lidar com a morte de um filho não foi um mal ou a falta do bem, foi amarga. A amarga experiência da finitude humana.

Nas atribuições de responsabilidade se encontram o bem ou o mal.

Se deixarmos de olhar o viver por um conceito moral e o referenciarmos pela experiência do paladar, perceberemos que as experiências negativas intra-mundanas não são relativas à bondade e maldade, mas sim ao amargo e doce.

Para uma melhor experiência de vida e nossa própria humanização, precisamos compreender que aquilo que contraria nossas expectativas neste mundo, não é um inimigo. Não é um mal obstinado e destinado a atormentar a saga humana, mas trata-se de uma experiência com o amargo. Assim como o inverso, a concretização dos sonhos, não é uma promoção do bem, mas uma experiência com o doce da vida.

Existir portanto, não é participar de um campo de batalha entre o bem e o mal em que de vez quando sobram respingos, ora das entidades espirituais benignas, ora das malignas. Nem tampouco ficar na expectativa de que Deus nos proteja e afugente o mal.

Existir consiste em experimentarmos de tudo, desde o amargo ao doce que a própria natureza finita da vida proporciona. Assumirmos a responsabilidade do bem e do mal neste mundo e experimentarmos Deus e saboreando-o comprovarmos que Ele é bom.

8.10.09

NÓ TEOLÓGICO



Interessante observar que os escritores dos evangelhos se propõem a demonstrar que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus. João ousado em sua proposta, afirma ser propositadamente seletivo na narração para demonstrar que Jesus é o Filho de Deus (João 20:31).

Paradoxalmente ao propósito, quando lemos os evangelhos percebemos uma ênfase na humanidade de Jesus e não em seu poder divino.

Marcos chega à ousadia de destacar a referência que Jesus fazia a si mesmo não como Filho de Deus, mas como Filho do homem.

Nesta perspectiva percebo a diferença entre a fé dos primeiros cristãos e a nossa. Qualquer um de nós tivesse o objetivo de provar que um carpinteiro é Deus, não se esforçaria em demonstrar suas fragilidades, mas sim sua força divina. Esforçamo-nos em provar que Jesus de Nazaré tem qualificativos divinos. Queremos de todas as maneiras demonstrar a divindade do carpinteiro. Por outro lado, os evangelistas se mostram minuciosos ao descreverem Deus humano, que chora, se compadece, se angustia, sente fome e cansaço. Estas coisas não correspondem a uma divindade. Talvez para alguns signifique a mesma coisa, mas não para a experiência da fé.

Aquele que crê não tem necessidade de provar que Deus é, pois parte desta premissa. O exercício de querer provar que Deus é não é da fé, mas da desconfiança. O fiel simplesmente confia e direciona sua vida a partir desta confiança. Aquele que sente necessidade de provar que serve a um Deus que é, na verdade tem problemas a resolver com a sua fé.

A questão que os evangelistas buscam responder nos evangelhos não é: - “Deus pode?”, mas - “como pode?”.

Que Deus pode é fato. Mas como pode Deus sendo quem é se apresentar tão “humanamente carpinteiro”? Deus se rebaixaria a tal situação?

O nó teológico dos crentes primitivos não aperta na questão do poder de Deus, mas em seu esvaziamento. Porque um Deus esvaziado é incoerente com sua natureza de Deus. Portanto, a disputa teológica não se prende ao tema de Deus poder curar ou ressuscitar mortos, mas se em Jesus de Nazaré pode se concentrar Deus.

A recusa na relação homem-Deus não parte de Deus; Ele se humaniza. O homem tem dificuldades em aceitar um Deus humanizado. Vale ressaltar que o nazareno não se desumaniza para provar que é Deus. Só podemos perceber a plena divindade de Jesus em sua plena humanidade.

Os evangelhos se esforçam em provar que Deus ama e não que Ele é. Deus em Jesus não por causa de seu poder, mas por causa de seu amor. Que Deus é todos sabem. Resta saber se esse Deus que é nos ama e até onde vai este amor. Encontramos a resposta com os evangelistas: vai até onde Jesus foi. As últimas conseqüências. A última gota de sangue e o último suor.

3.8.09

Pastor "essencenário"


Convivi por alguns anos com pastores de outra geração que hoje são octogenários.

Pude aprender algumas coisas muito interessantes. Inclusive algumas delas me habilitam a realizar uma melhor sondagem de meus atos e intenções.

Hoje me sinto mais capaz de avaliar idiossincrasias que podem induzir uma pessoa a realizar uma (con)fusão entre aquilo que de fato é necessário com atribuições desenvolvidas de tal maneira, que culminam em necessárias na função pastoral.

Explico.

O pastor normalmente se percebe impulsionado a ser um suporte para os fracos e combalidos, um terapeuta aos flagelados de alma, um pacificador das guerras existenciais. Para a concretização deste impulso cada um tem seu dom e o canaliza para que se conclua esta vocação. Mas com o passar do tempo ele pode, por causa de suas habilidades e experiências, confundir o que era uma chama vocacional com apenas uma exigência de um cargo que ocupa e acaba por se tornar um penitente funcional.

Gosta do que faz, mas vive em conflito por considerar a concretização de sua paixão uma obrigação quase que penitente. Carrega o peso de um sacrifício suportável por se tratar de questões consideradas espirituais. Aquilo que faz deixa de ser uma realização e torna-se um cenário exigente no qual ele adquire um comportamento correspondente. Ele quer realizar como concretização de sua vocação, mas a maneira como se delinearam os fatos impingem a ele o papel de insubstituível, tornando em um pesado fardo o desenvolvimento de sua vocação.

Sem se perceber ele mesmo acabou criando um ambiente com diversos atributos vinculados somente à sua função, tornando-o útil e indispensável por causa dos seus talentos e habilidades para o bem do todo. Toda a sua bagagem própria constituiu o cenário para que a igreja se desenvolvesse.

Na prática, ao estabelecer uma igreja, ele com a mais bela das intenções, com o intuito de fazer o melhor e por causa de seus talentos, evidentemente encaminhou o progresso dentro da normalidade de qualquer outro projeto que prescinda destes ingredientes. Mas a falta de senso crítico e a sensação messiânica acabam influenciando o pensar para que se entendam tais resultados como fruto exclusivo do pastor essencial e indispensável. A interpretação de que estatísticas casuais sinalizam a providência e ação divina e uma unção especial, inibe avaliar os fatos como normalidade e não se perceber a armadilha criada. A isto atrevidamente denomino como o pastor que cansou a si mesmo. Por considerar-se essencial, montou um cenário para desempenhar sua função, tornou-se um essencenário.

Evidente que cada um tem um papel específico na existência, mas o bem do todo não se prende aos insubstituíveis.

Terrível ter uma vocação e se afligir com sua prática.


Quais os fatores sinalizadores de que a função está em conflito com a vocação?


  • A insatisfação com resultados alheios.

Como os resultados da aplicação de seus talentos garantem aplausos, ele torna-se o padrão de sucesso. Com isto surge o perigo de menosprezar os resultados alheios. A avaliação não se dá pelo pleno uso do potencial de cada um, mas pelo padrão de exigência estabelecido, leia-se: pastor.

A insatisfação com o resultado alheio se manifesta quando o pastor olha ao redor e o resultado daquilo que outros fazem não se adequada às suas expectativas pessoais. Por causa de ter a si mesmo e seus próprios atributos como referencial, exige daqueles que desempenharem tarefas que ele já tenha realizado, que o façam da mesma maneira que ele. Este critério de exigência impõe a seus companheiros de ministério a não agirem por vocação, mas para agradá-lo. Isto fatalmente não gera autonomia. Os resultados sempre serão insatisfatórios. Todos desaprendem a ser críticos, pois critérios são de agradar ao líder.

Se quando as pessoas se dedicam a realizarem um projeto, mas ainda assim são vistas como devedoras, pois o resultado segundo padrões exclusivos não são suficientes, a desmotivação se instaura e o desenvolvimento pessoal e coletivo travam. Diante de tal entrave, a solução mais prática e rápida para alguém que se vê como imprescindível é assumir a realização. Mesmo não alcançando o objetivo desejado, isto não é visto como deficiência, pois o pastor é visto apenas como salvador emergencial. Há a sensação de: “ainda bem temos um pastor assim”, pois a engrenagem continuou o seu funcionamento. Estas coisas comunicam que o cenário de indispensável é verdadeiro. O cansaço está estabelecido como regra.


  • O desrespeito pelas ovelhas íntimas.

Quando o pastor exige que as ovelhas íntimas, normalmente o cônjuge, os filhos, amigos mais próximos, saibam aquilo que ele sabe, mas nunca se dispõe a ensinar. Ele esquece que quem o rodeia também é uma ovelha. Normalmente o pastor se aprofunda teologicamente, se desenvolve espiritualmente e não se dispõe a caminhar na velocidade dos passos dos mais lentos. Fecha-se o espaço para o erro, os mais próximos não conseguem ajudá-lo e ele se vê sozinho e indispensável para realizar sua vocação. Neste compasso seus ouvidos se tornam muito seletivos e ele mais fala do que ouve, cria assim um ambiente de muitas palavras e pouco aprendizado. Instaura-se um cansaço auditivo dos que o rodeiam por ouvirem sempre e seu mesmo por não estar acostumado a ouvir outra voz que não a sua ou de sua seletividade. O sábio Salomão já dizia que a sabedoria está na praça, quem quiser a ouça.

Quais podem ser sinais agudizados?


  • Quando lidar com problemas se torna um problemão.

Todas as funções, toda liderança, todas as relações e todos os projetos demandam lidar com problemas. Mas no caso de um conflito entre função e vocação, os problemas não são vistos como desafios, mas como um atraso. Ao surgir um problema, junto vem aquela sensação de que novamente só o pastor pode resolver. O ambiente criado age como um bumerangue. Toda vez que surgir um impasse a solução encontrada será dentro do paradigma estabelecido de que somente os dons e a unção do pastor podem solucionar. Ao pensar em um problema ele se apresenta com mais intensidade porque mais uma vez ele terá que colocar em prática seus indispensáveis talentos e habilidades.


  • Quando ouvir conflitos alheios soa como cobrança.

Em igrejas principalmente, pessoas se encontram em conflitos e descompasso entre a proposta e a ação. Entre a teoria e a prática sempre existirá uma distância a ser percorrida, e a mensagem do evangelho é nobre e existem aqueles que são exigentes, perfeccionistas, com a auto-estima baixa que manifestam crises e conflitos. Para o pastor em conflito entre vocação e função um desabafo ou reclamação de uma pessoa, é percebido negativamente porque dentro do cenário montado, só faz sentido se soar como cobrança de seus indispensáveis talentos. Tendo a si mesmo como referencial, ele corre o perigo de se esquecer que aquilo que para ele não é ou nunca foi um problema, é para o outro.


O sintoma de gravíssimo:


  • Quando hesita em atender o telefone.

Se o toque causar certo pavor, a situação é calamitosa. Se o pavor vier quando souber quem está ao telefone, é um estágio avançando velozmente para o gravíssimo. Chamado para acolher pessoas e ajudá-las em lidar com a vida, mas com dores na alma de ter que atendê-las e resolver seus dilemas.

Bem, enfim o sintoma final de um pastor essencenário se dá no fim de sua vida. Estes com os quais convivi, homens bons, altruístas e visionários, sem más intenções e nem planos maquiavélicos acabaram construindo um cenário em que a igreja não sabe o que e nem como fazer em suas ausências. Igrejas se esfacelando, os mais velhos saudosistas e os mais novos sem nenhuma percepção da história. Ainda ouço frases nestes ambientes vindo da liderança: -“Isto o pastor não faria, não gostaria ou não quereria...”.

Olho para estes pastores e já passaram. Outros estão em seu lugar e desempenhando suas funções comprovando que não foram indispensáveis. O que mais me deixa pensativo é que apesar disto, o cenário não se desmontou, apenas trocaram-se os atores.


O que fazer?


Não sei, apenas fico com a recomendação de “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração”.

Quando a vocação se torna pesada ou uma cobrança aflitiva, acredito que é hora de parar para uma revisão. Observar a maturidade emocional de seus companheiros e a aptidão da igreja em desempenhar-se.

Uma coisa é certa, as denominações continuam, mas a grande questão é se os sonhos e visões continuam. Se aqueles que rodeiam sabem desempenhar seu papel, se estão apaixonados pelo que fazem ou apenas cumprem tabela. A paixão vem e vai, mas há necessidade de se ter sempre renovada a vocação.


É bom para o pastor que tenha o senso crítico sensível e perceber:

Seus companheiros sonham ou apenas dormem?

13.7.09

Idéias mortas ou vivas? Pensamento sobre teologia


O simples pensar sobre Deus, requer uma audácia só permitida porque Ele ama e sabe que somos pó.
Pensar em Deus é desfrutar da graça, diferente de pensar sobre Ele, que sempre carrega em si um ar de pretensão arrogante. Tudo o que dissermos sobre Deus sempre será insuficiente.
Tudo o que temos no mundo concreto são pistas do Criador para além da criação.

Sigo por uma delas.

Recolho-me com humildade a buscar nas lógicas humanas uma pista que me indique o caminho para viver à luz de Deus.
Faço isto por não aceitar a possibilidade de confinar Deus a uma ou mesmo a milhares de definições ou sistemas doutrinários.
Falar de um Deus vivo necessita de um conjunto de idéias, ao qual denominamos de Teologia, que também seja dinâmico como qualquer organismo vivo.
Se esta Teologia for um sistema morto, não é possível utilizá-la para representar idéias sobre Deus, pois fatalmente estaríamos descrevendo um ídolo que tem boca, mas não fala; ouvidos, mas não ouve; olhos, mas não vê.

Existem algumas características que descrevem qualidades da vida humana e duas me chamam a atenção:

Vida vegetativa:
É uma forma positiva de dizer que um ser humano apesar de não produzir, ou não mais processar e interagir as percepções do mundo como se apresenta, ainda vive.
Não age e nem reage adequadamente aos estímulos, mas apenas se mantém em um determinado equilíbrio. Realiza as funções básicas, mas sem qualquer relevância para o mundo que o rodeia.

Morte Cerebral:
O cérebro não exerce qualquer influência no organismo. O organismo cumpre com a sustentação mínima do fluxo sanguíneo por hábito, mas não por uma interação ativa.

A partir destas duas concepções podemos concluir que, qualquer organismo vivo se caracteriza pelo fluxo contínuo do metabolismo e por grandes mudanças.
Se ele mantiver o seu equilíbrio químico e térmico é considerado um organismo morto, ou nas descrições acima, apenas uma sobrevida.
A vida é constituída de milhões de reações e mudanças metabólicas contínuas com fluxo constante de energia. Em um organismo vivo nada se mantém em equilíbrio, são as mudanças constantes que o caracterizam como vivo.
Em função disto, podemos dizer que a vida vegetativa humana, ou a morte cerebral, mantém o equilíbrio a partir do hábito ou da repetição.

A teologia carrega em si o fator animador e revitalizador da fé em Deus.
Ânimo e revitalização são características de um organismo vivo. Por isso não receio usar a expressão “sistema vivo” para a teologia como um figura de linguagem.

Podemos comparar então, o sistema vivo ao sistema teológico adotado por nós evangélicos.
Em nome da conservação da tradição e para não se desviar da sã doutrina, a Teologia Sistemática organizada para manter viva a fé cristã, com o passar do tempo demonstrou características de um sistema de vida vegetativa ou de morte cerebral, isto é, uma teologia morta.
Ela normalmente é apresentada para o estudo, como um conjunto pronto e perfeitamente completo, exigindo do estudioso a simples repetição e a manutenção, para que se mantenha o equilíbrio da fé.
Sabemos que um sistema em equilíbrio é morto, e portanto também não sabe do significado de sua existência.
Assim se apresenta a Teologia Sistemática.
Depois de tanta repetição ninguém mais sabe a razão de sua existência e qual o seu papel de fato.
É indicativo de vida gerar o novo, criar e interagir.
Se a Palavra de Deus se renova a cada dia, uma teologia congelada só pode abordar outro deus que não o Deus que vive.
Só se pode pensar sobre um Deus criador e criativo que instiga a novidade a cada manhã, de uma forma teologicamente viva.

Temos um novo mundo e uma teologia da idade média, que criada para agir e reagir com o mundo de então, ficou congelada no tempo, e não mais interage com aquilo que a rodeia, não gera vida e esquecida do significado de sua existência, não se percebe como um sistema que não produz mais a fé nas pessoas, mas apenas arrazoamentos e muitos deles desconexos e até mesmo contrários à vida.

Os faraós na tentativa de se perpetuarem construíam sarcófagos, que apresentava uma imagem bonita e conservada em ouro, mas que na realidade se encontravam completamente deteriorados, sem vida e incomunicáveis com o mundo.
Hoje, por causa de seu enrijecimento e desejo de ser a resposta perfeita, a Teologia Sistemática perdeu a vida e se parece mais com um sarcófago da cristandade, do que com o cristianismo vivo. Quer se apresentar com ar de jovem, bonita e atual, mas está vegetativa e com morte cerebral.
Precisamos urgente de uma Teologia que se admita impotente diante do Deus para além da criação. Necessitamos de água fresca, vivificante e que produza a essência da vida e uma fé viva e não a irônica repetição de definições absolutas sobre um Deus indefinível.

Se quisermos falar de um Deus vivo, precisamos deixar as pré-concepções de divindades gregas do Deus impassível, apático e super homem e olharmos para a singeleza de Jesus de Nazaré, pois nele habita corporalmente toda a divindade e ele é a exata expressão de Deus.

Eliel Batista.

24.6.09

Haja luz e fiquem as trevas.


Estes dias me interessei em reler o Gênesis. Qual não foi minha surpresa encontrar logo nos três primeiros versículos uma verdade chocante e até então imperceptível.

Estava ali todo o tempo, mas tão acostumado com a idéia do pecado original que não enxergava.

Confesso que a disciplina em ler contos judaicos me ajudou.

O texto descreve Deus criando a ordem no contexto do caos. Ele não elimina as trevas para que permaneça a luz, apenas distingue-a.

A luz que Ele chama para se apresentar no caos, emana dEle, mas não é Ele.

Não existe uma ordem que elimina o caos. Mas uma que brota, nasce ou floresce nele.

Tal qual no verso da separação das águas. A porção seca surge num espaço ou ambiente das águas. A água não é eliminada para que surja a porção seca. Assim o caos é o contexto onde se manifesta a ordem.


Que interessante isto!


As trevas não existem como fruto do pecado, mas como um anteparo da Realidade Deus. A criação não pode ser plena diante do Deus pleno, exceto se Ele abrir espaço, se Ele se esconder e nos deixar percebê-lo apenas pelas sombras, isto é, pela fé.


Deus se torna tão discreto na criação que é possível negá-lo.

As ações de Deus são tão humanas que o incrédulo pode dizer que Deus não existe, mas tão reais que o crente as vê.

Se Deus se manifestasse absoluto na criação, nada existiria, pois o Absoluto a tudo enche. Mas caso algo ainda conseguisse existir, estaria obrigado a Ele sem qualquer opção de negá-lo.

Mas Deus para deixar a criação livre, se esconde. A criação por natureza tem sombras, como um véu que nos protege da luz de Deus. E quem quiser se aproximar dEle é preciso crer...


No uso de nossa liberdade sabemos distinguir as trevas da luz e somos chamados para sermos filhos da luz. Chamados a uma existência que denuncia as trevas, que se opõe a ela.

As trevas estão aí. Dói, assustam e causam pavor, mas não nos destroem, porque ainda que andemos por um vale de sombra e morte Ele está conosco.


Deus não elimina o caos.

A cruz revela como Deus age neste mundo. Assume totalmente nossa humanidade, sem eliminar as dores ou na metáfora utilizada, as sombras.


Podemos concluir que a idéia de que Deus tenha feito um mundo sem caos, não corresponde à realidade. O mundo é e sempre foi assim, exceto pela maldade humana que no mal uso da consciência ama mais as trevas do que a luz.

12.5.09

Symbolos e Transcendência


O ser humano é religioso por natureza. Ele busca.
Aliás, todo ser vivo está biologicamente constituído para buscar a transcendência.
Neste processo um átomo passa a molécula, que por sua vez origina uma célula, um tecido e um órgão e assim vai.
O ser humano dotado de consciência transforma a transcendência física em espiritual. Nisto temos a religião, como uma busca.
Não há problema algum em ser religioso, mas a história demonstra as terríveis conseqüências que podem ocorrer, como fruto de uma religiosidade adoecida, ou do mau uso da consciência.
A transcendência espiritual depende da soma de todos os elementos que constituem o ser humano. Os afetos, emoções, corpo, sentidos e razão.
A razão sozinha não possibilita ao indivíduo se lançar ao infinito. Neste quadro, a religiosidade pode desempenhar um papel extremamente salutar.
Jesus em seus ensinos, sempre utilizava de imagens visuais ou lingüísticas que representassem o conteúdo do ensino, mas acima de tudo para levar seus discípulos a transcenderem-se a si mesmos em direção ao outro, à sociedade e a Deus.
É mais do que sabido que a fé cristã é concretizada com a vida e não com eventos religiosos. Mas não podemos abandonar as experiências da devoção religiosa - os símbolos, as parábolas vivas.
Todos os que estudam a psique humana, são unânimes em afirmarem a importância dos símbolos para o desenvolvimento e amadurecimento sadio do ser.
Nesta perspectiva, a fé é prioritariamente simbólica, pois não se fala de Deus de forma não simbólica.
Por isso, a maneira como organizamos nossos cultos, como procedemos as atividades religiosas e a elaboração litúrgica devem simbolizar os conteúdos da fé.
Somente a razão não basta para a experiência de fé.
A organização dos cultos tornam visíveis em símbolos, aquilo que a razão não consegue experienciar somente com as palavras.
Todos os componentes de um culto, oração, coordenação e ordem musical,disposição litúrgica, tudo deve ser elaborado criteriosamente para “tornar visível” a experiência da fé diante do ser comunitário.
Nos reunimos e alimentamos a razão com sermões, mas precisamos dos recursos simbólicos, para que a transcendência se torne palatável.
O culto para mim é uma poesia comunitária, ou ainda uma sinfonia.
Os interesses do Céu se unem ao desejo da Terra e se fundem num Tempo Sagrado.
O divino amante satisfeito com a criatura amada. Ambos extasiados. O ser humano transcendendo-se a si mesmo e penetrando no divino num enlace santo, enchendo o ambiente da Glória de Deus.
Tudo isto só é possível através da soma de todo o ser e com a riqueza dos símbolos que nos leva a criatividade imaginativa.
Abandonarmo-nos inseguros com confiança ao mistérium infinitum requer muito mais plenitude do que os raciocínios lógicos podem oferecer. Talvez as experiências pentecostais transformadas num mergulho espiritual no secreto divino, pudessem ajudar neste caminho.
O silêncio, a música suave instrumental, a poesia declamada, o abraço afetuoso, a ceia, a oração silenciosa, a leitura responsiva, a cruz, o pão, o teatro, a mímica, a contação de histórias e outras coisas mais, pudessem pertencer à liturgia instigando a imaginação e convidando à transcendência.