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Mostrando postagens de 2009

Natal - amor é simples assim

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O Natal é uma data extremamente significativa no calendário cristão. Apesar da incerteza do dia específico, temos por certo que o grande evento anunciado pela voz do anjo comunicou uma profunda e amorosa mensagem de Deus. Disse o anjo: “ Estou lhes trazendo novas de grande alegria. Hoje na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Isto lhes será de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos deitado numa manjedoura ”. A biografia de Jesus diz que seu primeiro sinal milagroso foi um ato: Ele transformou água em vinho. Mas o primeiro sinal da plenitude divina, da revelação da exata expressão de Deus tal qual jamais ouvida ou vista, foi simples. Os anjos cantando anunciaram afeto, ternura e humildade. Este grande sinal não foi a visão de um super homem ou de um príncipe em vestes reais, mas um frágil e singelo bebê. Nada de vestes sacerdotais pomposas, mas envolto em panos. Sem trono, sem berço de ouro ou mesmo um quarto resplandecente. Apenas um porão de

LUTAR E PERDER? - A FORÇA DE UM HERÓI

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Quem luta com Deus e ganha, sempre perde. Assim é como eu interpreto algumas histórias de homens que lutaram com Deus. A saga mais conhecida quando se fala neste assunto é a de Jacó que lutou com Deus como um príncipe e venceu, tanto que seu nome de enganador (Jacó), passou a ser Israel. Mas o que escapa da atenção de alguns pregadores, principalmente os da prosperidade, é que esta luta de Jacó se dá numa categoria bem diferente do usual. Nem quero aqui citar as linhas de interpretações judaicas que divergem sobre quem era o “homem” com quem ele lutou. Vou direto para o profeta Oséias que informa que Jacó “ No ventre da mãe segurou o calcanhar de seu irmão; como homem lutou com Deus. Ele lutou com o anjo e saiu vencedor; chorou e implorou o seu favor ” ( 12:3-4 ). Jacó em prantos, arrebentado implora o favor - busca a charis divina - palavra que indica o favor e a beleza de Deus para com o mundo. Uma ousadia bem diferente. Mas temos ainda outros personagens que me parece, estabele

POR QUE SÓ O SENHOR É DEUS?

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O meu nome, Eliel uma expressão hebraica, significa Deus é Deus. Numa transliteração quer dizer aquele cujo Deus é o Único Senhor. Após pensar sobre a fé cristã e como melhor significar no cristianismo a expressão Único Senhor, cheguei a algumas idéias. Para nós os cristãos a leitura inicial do Gênesis deveria se desvencilhar dos detalhes poderosos do ato criador. A maneira como a Bíblia descreve Deus chamando à existência algo sem ter necessidade alguma, não enfatiza este poder do tipo estóico que tanto cultivamos. Uma divindade com poderes extraordinários que ordena e exigentemente cria é comum a todas as expressões religiosas. Todas as divindades são reconhecidas como poderosas. Nosso esforço em apresentar o Senhor como o Deus dos deuses, ou como o mais poderoso o diminui. Este procedimento apenas classifica-o como mais um entre muitos. Isto não o revela como o Único Senhor, mas como possuidor de maior força. A consciência da santidade de Deus deve nos levar a enfatiza

VIVER ENTRE O BEM E O MAL

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Provem, e vejam como o SENHOR é bom. Salmo 34: 8 A vida vem de Deus; um sopro invasivo que nos torna sensíveis. Ele no-la deu com uma consciência para que viver fosse um experimentar-Deus. A criatura experimentando o Criador, ou o finito experimentando o infinito. Se isto está correto, viver é antes de tudo uma experiência sensorial e não moral. A dádiva da existência o meio de se experimentar os sabores da vida. Desta maneira viver é uma questão de paladar. Aprende-se viver saboreando a vida e quando o paladar apura entra a morte. Deus é sentido e não entendido. A verdadeira vida é experimentada e não definida. Assim podemos afirmar que a experiência de viver neste mundo não é boa ou má, mas doce ou amarga. Uma vida menos conceitual e mais sensorial. Quando falamos que o mundo é ruim, precisamos adequá-lo em uma referência ao sabor e não à moral. Na narrativa do Éden em Gênesis, a procura de Deus por Adão sobre sua localização, não é uma busca de definição espa

NÓ TEOLÓGICO

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Interessante observar que os escritores dos evangelhos se propõem a demonstrar que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus. João ousado em sua proposta, afirma ser propositadamente seletivo na narração para demonstrar que Jesus é o Filho de Deus (João 20:31). Paradoxalmente ao propósito, quando lemos os evangelhos percebemos uma ênfase na humanidade de Jesus e não em seu poder divino. Marcos chega à ousadia de destacar a referência que Jesus fazia a si mesmo não como Filho de Deus, mas como Filho do homem. Nesta perspectiva percebo a diferença entre a fé dos primeiros cristãos e a nossa. Qualquer um de nós tivesse o objetivo de provar que um carpinteiro é Deus, não se esforçaria em demonstrar suas fragilidades, mas sim sua força divina. Esforçamo-nos em provar que Jesus de Nazaré tem qualificativos divinos. Queremos de todas as maneiras demonstrar a divindade do carpinteiro. Por outro lado, os evangelistas se mostram minuciosos ao descreverem Deus humano, que chora, se compadece,

Pastor "essencenário"

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Convivi por alguns anos com pastores de outra geração que hoje são octogenários. Pude aprender algumas coisas muito interessantes. Inclusive algumas delas me habilitam a realizar uma melhor sondagem de meus atos e intenções. Hoje me sinto mais capaz de avaliar idiossincrasias que podem induzir uma pessoa a realizar uma (con)fusão entre aquilo que de fato é necessário com atribuições desenvolvidas de tal maneira, que culminam em necessárias na função pastoral. Explico. O pastor normalmente se percebe impulsionado a ser um suporte para os fracos e combalidos, um terapeuta aos flagelados de alma, um pacificador das guerras existenciais. Para a concretização deste impulso cada um tem seu dom e o canaliza para que se conclua esta vocação. Mas com o passar do tempo ele pode, por causa de suas habilidades e experiências, confundir o que era uma chama vocacional com apenas uma exigência de um cargo que ocupa e acaba por se tornar um penitente funcional. Gosta do que faz, mas vi

Idéias mortas ou vivas? Pensamento sobre teologia

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O simples pensar sobre Deus, requer uma audácia só permitida porque Ele ama e sabe que somos pó. Pensar em Deus é desfrutar da graça, diferente de pensar sobre Ele, que sempre carrega em si um ar de pretensão arrogante. Tudo o que dissermos sobre Deus sempre será insuficiente. Tudo o que temos no mundo concreto são pistas do Criador para além da criação. Sigo por uma delas. Recolho-me com humildade a buscar nas lógicas humanas uma pista que me indique o caminho para viver à luz de Deus. Faço isto por não aceitar a possibilidade de confinar Deus a uma ou mesmo a milhares de definições ou sistemas doutrinários. Falar de um Deus vivo necessita de um conjunto de idéias, ao qual denominamos de Teologia, que também seja dinâmico como qualquer organismo vivo. Se esta Teologia for um sistema morto, não é possível utilizá-la para representar idéias sobre Deus, pois fatalmente estaríamos descrevendo um ídolo que tem boca, mas não fala; ouvidos, mas não ouve; olhos, mas não vê. Existem alguma

Haja luz e fiquem as trevas.

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Estes dias me interessei em reler o Gênesis. Qual não foi minha surpresa encontrar logo nos três primeiros versículos uma verdade chocante e até então imperceptível. Estava ali todo o tempo, mas tão acostumado com a idéia do pecado original que não enxergava. Confesso que a disciplina em ler contos judaicos me ajudou. O texto descreve Deus criando a ordem no contexto do caos. Ele não elimina as trevas para que permaneça a luz, apenas distingue-a. A luz que Ele chama para se apresentar no caos, emana dEle, mas não é Ele. Não existe uma ordem que elimina o caos. Mas uma que brota, nasce ou floresce nele. Tal qual no verso da separação das águas. A porção seca surge num espaço ou ambiente das águas. A água não é eliminada para que surja a porção seca. Assim o caos é o contexto onde se manifesta a ordem. Que interessante isto! As trevas não existem como fruto do pecado, mas como um anteparo da Realidade Deus. A criação não pode ser plena diante do Deus plen

Symbolos e Transcendência

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O ser humano é religioso por natureza. Ele busca. Aliás, todo ser vivo está biologicamente constituído para buscar a transcendência. Neste processo um átomo passa a molécula, que por sua vez origina uma célula, um tecido e um órgão e assim vai. O ser humano dotado de consciência transforma a transcendência física em espiritual. Nisto temos a religião, como uma busca. Não há problema algum em ser religioso, mas a história demonstra as terríveis conseqüências que podem ocorrer, como fruto de uma religiosidade adoecida, ou do mau uso da consciência. A transcendência espiritual depende da soma de todos os elementos que constituem o ser humano. Os afetos, emoções, corpo, sentidos e razão. A razão sozinha não possibilita ao indivíduo se lançar ao infinito. Neste quadro, a religiosidade pode desempenhar um papel extremamente salutar. Jesus em seus ensinos, sempre utilizava de imagens visuais ou lingüísticas que representassem o conteúdo do ensino, mas ac