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8.10.09

NÓ TEOLÓGICO



Interessante observar que os escritores dos evangelhos se propõem a demonstrar que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus. João ousado em sua proposta, afirma ser propositadamente seletivo na narração para demonstrar que Jesus é o Filho de Deus (João 20:31).

Paradoxalmente ao propósito, quando lemos os evangelhos percebemos uma ênfase na humanidade de Jesus e não em seu poder divino.

Marcos chega à ousadia de destacar a referência que Jesus fazia a si mesmo não como Filho de Deus, mas como Filho do homem.

Nesta perspectiva percebo a diferença entre a fé dos primeiros cristãos e a nossa. Qualquer um de nós tivesse o objetivo de provar que um carpinteiro é Deus, não se esforçaria em demonstrar suas fragilidades, mas sim sua força divina. Esforçamo-nos em provar que Jesus de Nazaré tem qualificativos divinos. Queremos de todas as maneiras demonstrar a divindade do carpinteiro. Por outro lado, os evangelistas se mostram minuciosos ao descreverem Deus humano, que chora, se compadece, se angustia, sente fome e cansaço. Estas coisas não correspondem a uma divindade. Talvez para alguns signifique a mesma coisa, mas não para a experiência da fé.

Aquele que crê não tem necessidade de provar que Deus é, pois parte desta premissa. O exercício de querer provar que Deus é não é da fé, mas da desconfiança. O fiel simplesmente confia e direciona sua vida a partir desta confiança. Aquele que sente necessidade de provar que serve a um Deus que é, na verdade tem problemas a resolver com a sua fé.

A questão que os evangelistas buscam responder nos evangelhos não é: - “Deus pode?”, mas - “como pode?”.

Que Deus pode é fato. Mas como pode Deus sendo quem é se apresentar tão “humanamente carpinteiro”? Deus se rebaixaria a tal situação?

O nó teológico dos crentes primitivos não aperta na questão do poder de Deus, mas em seu esvaziamento. Porque um Deus esvaziado é incoerente com sua natureza de Deus. Portanto, a disputa teológica não se prende ao tema de Deus poder curar ou ressuscitar mortos, mas se em Jesus de Nazaré pode se concentrar Deus.

A recusa na relação homem-Deus não parte de Deus; Ele se humaniza. O homem tem dificuldades em aceitar um Deus humanizado. Vale ressaltar que o nazareno não se desumaniza para provar que é Deus. Só podemos perceber a plena divindade de Jesus em sua plena humanidade.

Os evangelhos se esforçam em provar que Deus ama e não que Ele é. Deus em Jesus não por causa de seu poder, mas por causa de seu amor. Que Deus é todos sabem. Resta saber se esse Deus que é nos ama e até onde vai este amor. Encontramos a resposta com os evangelistas: vai até onde Jesus foi. As últimas conseqüências. A última gota de sangue e o último suor.

Um comentário:

  1. Anônimo5:33 PM

    Eliel,que linda palavra é tão bom sabermos que não estamos sós, e que Deus no seu infinito amor revela-se a nós, liberando em nossas vidas paz,amor,saúde, felicidade e muito mais ao seu povo. Seu amor é ilimitado, que nos confiou a chave que abre o coração de Deus,lugar jamais visto aos olhos do homem.
    Marcia Nunes

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