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8.6.17

Uma proposta para Igrejas.


Conhecer bem as escrituras não é o maior desafio teológico do pregador, mas sim torná-la acessível e aplicável.

De que adianta um profundo conhecimento se a vida daqueles que ouvem as mensagens não experimenta Deus?

Quando alguém se volta para a igreja, deseja avidamente suprir suas carências, aliás, anelo legítimo, válido e que deve ser buscado. 
O problema surge no descompasso entre a crença na possibilidade de se concretizar a idealização da vida e, de fato, a realidade da vida tal qual se apresenta.

Todo discurso tem seus limites. 
Neste caso, o da divina providência em que Deus é apresentado com uma resposta para tudo, mais cedo ou mais tarde, diante da realidade que se impõe, além de não dar muito sentido, não corresponde aos anelos da alma e instaura o incômodo vazio que gera a frustração.

Por outro lado, um discurso que expõe a natureza própria da existência em meio a aflições, por mais honesto, crítico e analítico que seja, não é suficiente para tornar uma pessoa comprometida com a igreja em virtude da forte imposição de suas carências afetivas, pois estas clamam por suprimento.

Devemos buscar uma maneira para equalizar a instituição e a vida para que a Igreja avance, cresça e se mantenha como um espaço e tempo de vida. Para melhor lidar com um desafio tão grande, não há explicação suficiente. Precisamos de metáforas.
Um dos símbolos da Igreja é a união conjugal. 
Casamentos são mantidos não por causa da verdade, mas do pacto. Todos têm segredos individuais, verdades omitidas e ainda assim trabalham e a relação permanece..

O que leva uma pessoa a permanecer em uma igreja não é a verdade, mas o que ela busca para se conectar - seu pacto. Se a verdade fosse suficiente, algumas igrejas abarrotadas de pessoas estariam vazias e outras vazias estariam cheias.

Por sua vez, o pacto está diretamente ligado à percepção daquilo que a pessoa entende como fator solucionador de sua carência. Aquilo que ela compreende como concretizador de sua felicidade convoca-a a firmar uma aliança.

Talvez um bom caminho para equacionar um pouco a tensão entre a “proposta de uma igreja” e a “vida da igreja” seria o de, além dos conteúdos das mensagens, pensar sobre a intenção e os objetivos das mesmas frente aos anelos pessoais dos ouvintes.

Uma igreja não é o que ela propõe, mas aquilo que as pessoas vivem enquanto igreja.
Olhando para as pessoas que frequentam as igrejas, percebi que há uma distância entre igreja ideal e igreja idealizada.

Considero Igreja Ideal aquela cuja conceituação corresponde a determinados parâmetros comuns, a chamada “igreja boa”.

A igreja idealizada, por outro lado, é aquela em que, o fiel considera-a ideal porque para além de preencher determinados requisitos pessoais, a pessoa acredita piamente que todos os seus anseios particulares serão supridos de alguma forma.

Neste critério, entre a igreja ideal e a igreja idealizada existe a igreja real. Pessoas sedentas em função de seus anelos e em busca de se conectarem.

O pastor que não leva em conta os anseios particulares e considera que estas pessoas serão tocadas apenas por falar a verdade, terá que lidar com a frustração de não ter a inteireza das pessoas. 
Por ser uma igreja ideal, os ouvidos estarão atentos, porém o contrapé entre os anseios e a mensagem dificulta alcançar os corações para que se comprometam com suas propostas.

A igreja deve ser o espaço de cura, o lugar do milagre de Deus, e consequentemente da Palavra como semente que possibilita a vida em meio ao caos.
Lugar de cura diferente de um centro espiritualista que promete solucionar todos os problemas com trabalhos, vigílias ou cirurgias espirituais. Nem como um seminário apologético que possui a resposta certa para tudo. Muito menos a mediadora de Deus e/ou manipuladora da graça.

No anseio de suprir as carências e no engano de uma igreja idealizada, com esta expectativa, as pessoas se tornam presas fáceis da religião que instrumentaliza a fé.

Exaustas das lutas diárias, carentes de alívios em um mundo sofrido, querem transformar a esperança do Reino - responsabilidade do fiel, em trabalho divino.

Por desejarem uma intervenção divina aqui e agora, se iludem com uma mensagem que promete para este mundo uma vida sem dor, e mais ainda, que promete consertar todas as circunstâncias ruins. 
Mas esta mensagem espasmódica, que conserta tudo, alegra momentaneamente gerando uma falsa esperança, porque enquanto no mundo, sempre experimentaremos aflições.

A esperança cristã não se firma na concretização mágica dos sonhos, mas na convicção de uma glória perene.

O grande problema de uma mensagem que promete corrigir todos os defeitos, livrar de todas as aflições ou proteger dos infortúnios é que leva o crente a negar a vida como ela é. 
E mais complicador ainda é que para ter o sentimento de pertença ao grupo precisaria afirmar ser um grande abençoado, um querido de Deus e desta forma, pressionado por esse sistema, o crente começa a negar suas dores, seus sofrimentos e aflições coibindo assim a possibilidade de cura.

Por outro lado, simplesmente pregar a verdade de que o mundo é assim mesmo, corre o perigo de apresentar a verdade com tal dureza que rouba a esperança, e não supre os anelos da alma.

Talvez, a maneira de atenuar a questão seria a igreja se assumir como espaço de cura.
Porém, a igreja só será um espaço de cura, quando cada pessoa perceber que ela não é desfavorecida de Deus porque vive aflições, que ela não é a única que está com a alma dilacerada.

Quando um puder ouvir as histórias de outros que o identifica com todos, com as mesmas dificuldades da vida neste mundo, haverá libertação das algemas ilusórias da religiosidade que nega a vida. Cada um perceberá que pode ser ele mesmo com seus problemas, sem ser o “patinho feio” da família divina.

A pessoa desfrutará da liberdade, de crescimento espiritual quando ao sair de sua igreja, após aquele tempo maravilhoso de culto, estiver consciente e firme para lidar com o mesmo mundo de quando ele entrou. Mas isto não é feito pelo discurso apenas, mas pela mutualidade.

Penso que, a igreja em seu modus operandis e, sua mensagem deve priorizar as pessoas se abrirem para a vida. 
Conceder espaço para que na mutualidade tome-se ciência de que apesar de suas fragilidades, limitações, e da volúpia do mundo injusto, cada um é amado por Deus.

Que todos se sintam desafiados a continuarem lutando contra um mundo inseguro e de morte.


Eliel Batista

4.4.16

A Ditadura e Eu



Eu não fui vítima direta do golpe de 64. 
Ninguém da minha família e nem mesmo conhecido, que eu saiba, foi torturado.
Minha igreja, minha escola, meus professores, minha cidade, minha família, concordava com os posicionamentos oficiais do governo.
O Marechal de Messejana, fazendo uma “esterilização política” era um organizador nacional que estava colocando a casa em ordem.

Comunista era terrorista, violento e contra o bem-estar da sociedade. 
Um anticristão ferrenho, ateu, opositor dos bons costumes, por isso deveria ser resistido, mesmo que pertencente à família deveria ser entregue ao Estado para que tomasse as devidas providências.
Eles, os comunistas, eram orientados diretamente pelo demo. Não demo que significa povo, mas demo abreviatura de demônio.

Mas não parava por aí: nordestino, vítima da seca e mais grave ainda, oprimido pela indústria da seca gerenciada por políticos inescrupulosos, tiranizados pelo coronelismo, passava fome porque não queria trabalhar, afinal, quem quer faz. Em vez de fazer alguma coisa, ficava esperando esmolas. 
Ser pobre era possível, passar fome era preguiça. 
Negro poderia até ser boa gente, mas sempre seria limitado intelectualmente.

Comunista - esse vagabundo, pobre faminto – esse preguiçoso, precisavam de surra para aprenderem a boa educação. Nada melhor do que a polícia para educá-los, afinal, a polícia foi feita para os maus, e esses deveriam ter medo. Nós não. Estávamos do lado do bem. Da Ordem e do Progresso.

A formação política na escola era através de duas matérias: a Educação Moral e Cívica e a Organização Social, Política Brasileira. Antes de entrar para as aulas, todos perfilados, cantando hino da escola, da pátria, da bandeira, da independência. Dia 07 de setembro, com parada militar, era o grande evento e nós desfilávamos também com as bandas marciais das escolas públicas.
Tenho fotos disso.

Precisava decorar a tabuada, que eu achava que se chamava assim, porque se não soubesse levava uma “tabuada” – uma régua de madeira gigante, que na aula como régua, servia somente para alcançar à distância o aluno. Quer dizer, o aprendizado não significava criar, mas apenas repetir os conteúdos impostos. Nada novo a se aprender; só doutrinação.

Com esse descritivo, dá para perceber que, por outro lado, fui sim um tipo de vítima da ditadura militar. 
Não há como se comparar com quem perdeu seus bens, seus entes queridos e sua vida. Nem tampouco, que agora, as verdadeiras vítimas, oprimidas pelo Estado, teriam que olhar para mim como se eu fosse um oprimido e violentado e sentirem dó de mim; jamais. 
Faço essa referência, com muito cuidado, apenas para demonstrar que num sistema assim, todos os cidadãos são cartas de um jogo em que todos são tolhidos. 
Coibidos a concordar com o sistema e no meu caso, considerar opressão como algo útil e para o bem.

Fui doutrinado a pensar horrores de meus irmãos, de meus compatriotas, de meus pares humanos. Apesar de não impingir, fui levado a considerar “correto” querer o sofrimento de opositores. Também, como num regime tribal primitivo selvagem, considerar como inimigo aquele que pensa e fala diferente. 
Olho ao redor e imagino se para muitos ainda não continua essa estrutura mental.

Sinto horror de tudo isso
Não! Não fui culpado direto pelas torturas, pelas prisões arbitrárias, pelo desaparecimento de gente que também queria o bem dos cidadãos. Eu não tinha maturidade para pensar outra coisa, que dirá, ser responsável. Mas sim, por outro lado mesmo sem saber, engrossei o caldo para que isso se fortalecesse.

Tenho vergonha de um dia ter pensado assim
Mais horroroso ainda é lembrar que um dia tive esses sentimentos funestos. 
Medo de pensar que determinados sentimentos tão fortes, podem ser semeados no coração de alguém e se tornam tão reais que parecem legítimos, possuidores de verdades absolutas e são capazes de levar uma pessoa de boa vontade a pensar e até mesmo a cometer atrocidades. 
Mesmo não tendo praticado nenhuma atrocidade, mas somente o fato de não considerar insano, desumano, anticristão, inumano que tais coisas sejam executadas, me assusto porque percebo a vileza que pode habitar o obscuro do coração.
Hoje compreendo que isso acende dentro de si mesmo uma fogueira infernal em honra àquilo que é maligno; diabólico.

Não tenho como corrigir o passado
Tenho como não permitir a continuidade da opressão e lutar para jamais tornar a acontecer. 
Tenho como olhar para meu próximo como irmão, percebê-lo como meu semelhante e acolher as diferenças, minhas e dele e enriquecer essa nossa “igualdade” para que habite em nós um Novo Humano. Posso pedir que meus irmãos brasileiros me perdoem.

Cresci, me tornei adulto. Estudei, revisitei a história, investiguei os fatos, conheci verdadeiras vítimas, compreendi Cristo e seu Evangelho com mais beleza e por isso me tornei avesso a toda e qualquer ditadura, quer religiosa, trabalhista, social ou familiar. 
Espero conseguir viver sempre com uma prática democrática, deixando um legado mais bonito na construção do nosso futuro.

Eliel Batista

2.1.16

Reflexões de um quase avô antes de chegar à velhice


Ainda não sei direito como é essa história de ser avô. Um pouco menos ainda, ser idoso.
Mas se tudo correr bem, dentro em pouco, abraçarei ambos os fatos, lembrando que eles não são diretamente dependentes um do outro.
Saberei mesmo como será conforme ocorrer cada um.

Não são coisas que se saibam por antecipação ou teoria.
Ouso dizer algo pelo que já vivi e pelo privilégio de lidar com aqueles que me antecedem. 

Não trato desse assunto por causa do medo da velhice e menos ainda por achar que seja verdadeiro o status quo imposto pela sociedade, na qual se associa idoso ao inútil, mas, pelo fato em si, de que o tempo desperta a consciência pessoal de que ele é voraz.
Nessa condição reflito algumas coisas, as quais sei que enfrentarei muito em breve.

Isso mesmo! 
Começo a falar sobre velhice.
Só por que me torno avô?
Também; mas não!

Muito mais por admitir que não se torna avô na "flor-da-idade"; sim na maturidade.
A um cinquentão não se diz: "eis aí um jovem", mas inexoravelmente: "eis aí um senhor".
Há quem leia isso e diga: "Cinquenta anos? 
Novo ainda.
Não! Não é uma verdade absoluta.
Tomo meu pai como exemplo. Ele morreu aos 73 anos. Alguns ao saberem disso reagem imediatamente afirmando ele ter morrido novo.
Aqui há uma diferença a se considerar.
Ele não precisaria ter morrido nessa idade, porém, não morreu novo.
Não morreu de velhice. O câncer lhe foi mais cruel que o tempo.

Voltando à minha reflexão.
O que espero caso nenhuma realidade cruenta e sanguinária seja mais ágil e forte que o tempo?

Quando de cabelos brancos e/ou calvície se impuserem, rugas pesadas dominarem meu rosto, a pele manchada for chamativa, a lentidão for o padrão dos movimentos, o olhar profundo embaçando, uma sonolência incomodativa nas horas mais impróprias ocorrer. Quando eu estiver dando trabalho àqueles que consideram a velhice um atrapalho à vida e tornar-me silente para não criar mais incômodos do que dizem incomodar, espero que olhem para mim e não vejam um "velho que quase não vive e não nos deixa viver".

Percebam que ali, diante deles, não está um velho.

Ali reside uma criança extremamente criativa que nasceu pobre, há algumas dezenas de décadas, teve uma infância solitária, mas resiliente  inventou um jeito para ser uma criança feliz.

Há ali também um jovem cheio de vitalidade que descobriu a paixão, enamorou-se como num romance cinematográfico, casou-se e viveu a louca aventura do amor perene.

Por baixo dessa casca que mirra pelo tempo, está um homem feito, que lutou para educar os filhos, não mediu esforços para ensiná-los na trilha do viver, trabalhou incansavelmente para sustentá-los e mais ainda, tentar ser um exemplo de quem tem fé, esperança e gana de viver.

Velho? Sim e não.

Dentro de mais uns dias avô, mais um breve tempo um velho, mas mais do que isso, essa caixa-de-carne pálida, que homens e mulheres que vivem ocupam no tempo, sempre é símbolo e soma de tudo o que se é. Não do que se foi, mas de alguém que continua a aventura de ser. 
Verdade. Justiça seja feita, vive de outro modo.

Para alguns, pode até ser que essa caixa-de-carne lutando contra o tempo, tenha apenas uma pequena fresta pela qual ainda/somente respira, mas para a realidade da vida e na intimidade da consciência, sei que ali haverá, como há em todos os idosos, um complexo mundo existencial de quem viveu com intensidade aquilo que é comum aos mortais e para onde todos caminham.

Quando lá estiver, só gostaria que os jovens aprendessem a lição que eu aprendi antes de chegar lá: não olhem para mim com os olhos impostos por uma sociedade utilitarista de que eu seja um velho.

Façam isto não só por mim, mas por vocês mesmos e pelo bom futuro de nossa sociedade. 
Olhem para mim como de fato serei e não como querem determinar que eu seja.
Não serei, como não são todos de avançada idade: "velhos inúteis".
Sempre serei eu: somatória da Vida de um ser-que-vive.

Eu tenho nome, sou uma história e de uma ou outra forma, entre erros e acertos, dei prosseguimento à vida.

Por isso, desde já me esforço para deixar marcas tais, para que aqueles, após mim, não desejem me empurrar para fora da existência, mas queiram me ouvir, buscando saber de quem viveu o bastante, como é existir no mundo.

Eliel Batista

18.9.15

PERCEPÇÕES DE MEIO SÉCULO DE VIDA



Passados meio século de vida, compreendi que a gente consegue saber pouca coisa para uma vida verdadeira e aprende muita coisa, de pouca utilidade, que serve muito mais para mostrar que sabe, e, no final das contas não tem um valor muito efetivo no modo de viver.

Percebi que o maior prêmio da vida, ocorre quando as pessoas ao conviverem com você, se tornam melhores pessoas e mais gratas.

Aprendi, que não é possível compreender nada do mundo em que vivemos, se não abandonarmos a hierarquia do saber e abraçarmos aqueles que, diante de nós, estão sentindo na pele as demandas da vida.

Compreendi que os mais velhos nos influenciam e os mais novos nos dão sabedoria. Isso porque os mais velhos depositam em nós princípios ou revelam o "como não fazer” e os mais novos requerem de nós a aplicação prática daquilo que dizemos saber.

Atentei para o fato de que a disputa pela verdade é uma grande mentira e uma verdadeira cilada contra a fé cristã, pois se pretende acima do valor humano ao dar poder e honra àquele mais ágil com a lógica e também ao que melhor organiza o discurso e nunca ao mais amoroso.

Também pude ver que os verdadeiros mestres não são necessariamente os mais venerados por sua inteligência, mas aqueles que melhor sabem viver, pois afinal, o que de fato importa na vida é como se vive e não como se entende.

Pude ver também, que mais importante do que ter filho é ser pai e, no casamento, mais importante do que ter uma esposa é ser marido, mais importante do que ser amado é amar, mais importante do que estar certo é buscar compreender o outro.

A felicidade só existe no equilíbrio entre usufruir a vida e saber usá-la para o bem, sabendo acolher a única vida que a gente possui que é essa do momento presente. Por isso, é inútil gastar a vida com aquilo que ainda não chegou, com aquilo que não se tem e permanecer preso ao que não mais é.
Isso me levou a entender que há limites para se desejar outra vida: desde que a insatisfação não lhe furte de viver o presente.
Ele, o presente, é a vida que nos foi possível, com as condições e oportunidades que nos foram proporcionados.

Descobri ainda que a felicidade se torna perene, quando os sonhos, as realizações pessoais e a maneira de ser partem da premissa de serem a sua contribuição, no e para o mundo, e não ensimesmados, contemplando apenas desejos individualistas e egocêntricos. E vale a pena viver por esse parâmetro, que é o que nos enche do fôlego da vida.

Quanto à culpa, jamais se culpe por não ter sido mais esperto, mais especial, mais ágil ou mais sábio.
Não se culpe por não ter conseguido, por não ter tirado uma nota boa na escola da vida.
Se é para sentir-se culpado, que seja por ter tentado ser quem nunca foi, tentado viver uma vida que não tinha e por isso não amou como deveria ter amado e deixou de fazer o bem que deveria ter feito; sendo que poderia.

Aprendi que a gratidão é o melhor remédio para o coração e por isso tenho que agradecer algumas pessoas que muito me ajudaram:

Numa fase importante de minha vida, minha mãe com uma sabedoria ímpar deixou registrado em meu coração valores, princípios e a mais imperiosa necessidade humana de ser um eterno aprendiz.
Mãe, estou tentando, apesar das muitas tentações para achar que já sei e por isso poderia sentar na cadeira de mestre e limitar-me a ensinar.

Noutro ponto de minha história, um tempo rico na cidade de Lavras, MG, quando precisava lidar com pessoas e ter uma comunidade cheia de vida e celebração, entrei em contato com o educador, imortal Paulo Freire e sua pedagogia. Tempo precioso em que experimentei a inesquecível possibilidade de escrever uma história bonita e marcante.

Bruno, meu filho, nos últimos anos tem sido, o meu melhor mestre.
Tem aberto minha mente para uma atualidade linda, aberto minha visão para contemplar um futuro promissor, ajudado a rever minha fé e solidificá-la de forma madura desafiando minha esperança em um mundo cheio de Deus.

Gabi, minha filha, me apresenta um mundo cheio de cores ao qual preciso a cada dia me tornar uma melhor pessoa, mais cheio de ternura e que devo alargar meu coração e expandir minha mente para compreender que "existe vida lá fora".
Sou grato a você que sempre teve um olhar como duas bolinhas brilhantes que me tiram sorrisos contidos e fazem bem à minha alma.

E não poderia deixar de honrar a mais extraordinária das mulheres!

Bendita hora que desejei ter você pra sempre comigo.
Naquela hora, os céus disseram amém e me consideraram um aventurado.
Com isso, aprendi diversas coisas.
Entre elas, que uma pessoa pode levar a outra ao bem, ao amor, à sabedoria e ao amadurecimento com beleza.
Que a cumplicidade lúcida alimenta o amor.
Que relacionar-se desarmado e confiar-se às mãos de quem se ama torna o casamento leve e duradouro.

Descobri, também que toques descomprometidos, mesmo depois de mais de 30 anos juntos, ainda liberam a química que entrelaça os corações e faz os corpos queimarem de desejo.
Que palavras acompanhadas de gestos demonstram confiança.
Que o amor não se ressente com o confronto, antes empreende todos os esforços para que de forma pacífica, amorosa e bondosa o outro seja melhor.

Obrigado, querida Gi, meus 50 anos são coroados de alegrias e infindáveis suspiros de um coração que deseja.
E por estar com você, pelos filhos que recebemos de presente, posso saborear uma vida passageira como se fosse eterna.

Por fim, aos meus amigos, a todos que entrecruzaram minha história e por isso, me formaram e hoje, ao olhar como me compreendo, gosto de quem sou e como vivo: minha gratidão.
Sem essa humanidade diversa eu não seria.
Com ela, estou conseguindo seguir uma trilha para ser e tenho gostado dessa aventura de viver.

Beijos!
Eliel Batista

5.6.15

A MAIS POLÊMICA MARCHA PRA JESUS



Havia muita tensão naqueles dias.
A pressão dos líderes religiosos para ter o controle sobre o povo e a sede de poder os levavam a tentar mostrar ao governo sua força.

Os líderes religiosos, de forma orquestrada e calculada, juntavam multidões e fornecia um alto capital monetário e político para si mesmos.
A imensa necessidade social e econômica do povo e sua sede de Deus, facilitava a manipulação inescrupulosa por parte dos líderes religiosos e garantia o sucesso de venda das bugigangas em nome de Deus.

No entanto, aquela tarde prometia.
Depois do surgimento do Nazareno, vivendo e andando na periferia entre os desafortunados, perdoava sem a necessidade de pagar absolutamente nada, realizava milagres gratuitamente, multiplicava o pão sem cobrar um centavo, demonstrava o amor de Deus, apenas cuidando dos feridos e necessitados, os pensamentos sobre Deus foram reformulados e a alegria da fé reavivada.

Sem nenhuma chancela dos líderes, sem autorizacão oficial dos doutores da lei, contrariando os poderes instituídos entra em Jerusalém um herege!
Sem banda, nenhum cantor de sucesso, nada de show orquestrado e nenhum religioso famoso inicia-se a primeira Marcha pra Jesus.

O povo, vindo da periferia para o centro, marchou para Jesus.
O final da Marcha era no Templo.
Jesus foi para lá e ao chegar, expulsou os que vendiam e os que compravam os "favores celestiais" e deixou claro o que ali ocorria ao dizer:
"Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração, mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões".

O lugar em que todas as pessoas poderiam ir e encontrar-se com Deus na pureza do coração, na beleza da fé, estava sendo usado para ocultar a gatunagem.

Líderes religiosos, que incluíam pastores, profetas e teólogos, fizeram um conluio e usando de engano e malandragem, mantinham o povo longe de Deus e cobravam para facilitar o acesso.
Forçavam a venda de bugigangas religiosas como instrumento de benção divina, levavam os fiéis a relativizarem o próprio sustento e a pensarem que qualquer outra coisa não aconselhada por eles era maldita.
Assim transferiam o suado salário do povo para seus próprios bolsos e se ocultavam por detrás da fachada de fazerem a "obra de Deus".

Jesus fez sua denúncia:
O templo escondia o roubo. Aquilo que oculta o ladrão é seu esconderijo e esconderijo de ladrão é covil.

Desta forma, a primeira Marcha Pra Jesus foi uma verdadeira denúncia contra...(?)