10.11.09

LUTAR E PERDER? - A FORÇA DE UM HERÓI


Quem luta com Deus e ganha, sempre perde. Assim é como eu interpreto algumas histórias de homens que lutaram com Deus.

A saga mais conhecida quando se fala neste assunto é a de Jacó que lutou com Deus como um príncipe e venceu, tanto que seu nome de enganador (Jacó), passou a ser Israel.
Mas o que escapa da atenção de alguns pregadores, principalmente os da prosperidade, é que esta luta de Jacó se dá numa categoria bem diferente do usual. Nem quero aqui citar as linhas de interpretações judaicas que divergem sobre quem era o “homem” com quem ele lutou. Vou direto para o profeta Oséias que informa que Jacó “No ventre da mãe segurou o calcanhar de seu irmão; como homem lutou com Deus. Ele lutou com o anjo e saiu vencedor; chorou e implorou o seu favor” (12:3-4). Jacó em prantos, arrebentado implora o favor - busca a charis divina - palavra que indica o favor e a beleza de Deus para com o mundo. Uma ousadia bem diferente.

Mas temos ainda outros personagens que me parece, estabelecerem o paradigma da luta com Deus.

O primeiro que destaco na ordem cronológica é Abraão. Lutou com Deus em favor de Sodoma e Gomorra. Ele não queria ver uma cidade destruída e não acreditava ser possível não haver gente “boa” o suficiente para manter a cidade em pé e Deus não agir com justiça.

Outra pessoa foi Moisés. Ele lutou em favor do povo que saiu do Egito e não iria conseguir chegar em Canaã pela dureza de coração. Ele não poderia permitir que o grande projeto falhasse. Mesmo diante da infidelidade do povo, ele lutou insistentemente com Deus, chegando a uma ousadia sem precedentes ao dizer para Deus arrepender-se do mal (Ex 32:12).

A história destes homens Abraão, Moisés e Jacó revela algumas coisas intrigantes.

Jacó saiu vencedor?
Sim em questão de fé. Não em questão de sucesso e realização de desejos. Jacó passou a maioria dos seus anos depois desta luta em tristezas de morte. Perdera o seu filho amado José, passou fome e morreu em terra estranha.

Abraão intercedeu por Sodoma, mas ela foi destruída. Uma maneira que se usa para tentar provar que foi vencedor é dizer que sua intenção era apenas com sua família. É a mesma coisa que dizer que Abraão, um pai da fé egoísta, estava pensando em si mesmo. Ele não conseguiu poupar a cidade e morreu em terra estranha e sem herdar um espaço do tamanho do pé. (At 7:5)

Resta-nos Moisés, cuja principal luta na qual gastou sua vida, foi para o povo chegar à Canaã. Exceto Josué e Calebe nem mesmo ele entrou na terra prometida, todos morreram. Mas no caso dele é mais grave ainda, porque lhe é mostrado o lugar que depois de todo o esforço e grande luta com Deus, não conquistou.

Diríamos que suas lutas foram em vão por não terem sido bem sucedidos?
Não! Diria que eles foram heróis da fé porque foram fiéis.

Todos estes viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-no de longe e de longe o saudaram”. – Hb 11:13
Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido”. – Hb 11:39

Um herói da fé não é aquele que consegue resultados, ou que Deus como um gênio da lâmpada satisfaça seus desejos. Não é aquele que consegue tudo o que intenta. Herói na fé é aquele que tudo falhando e lutando com Deus, ainda assim faz a mesma coisa que o Deus que ele crê faria: dá sua vida para que outros, mesmo indignos vivam.

Quando aquilo que está acontecendo na história parece ser da vontade de Deus, mas é um atentado contra a vida, é um grande mal contra o ser humano, o herói da fé é contra, mesmo que todos digam e todas as pistas apontem, ser aquilo da vontade de Deus.

Portanto, o herói da fé não mata em nome de Deus, prefere morrer. O herói da fé revê seus ideais catastróficos do fim dos tempos que imagina que quanto pior melhor. Que se o mundo estiver se acabando, pessoas estiverem morrendo aos milhões de pragas, pestes e catástrofes, que quanto mais desastres e mortandade acontecerem mais provas de que Deus está próximo (?).

Para o herói na fé a morte presente é sinal de que Deus está distante, porque o Deus cristão é a ressurreição e a vida e não se manifesta entre os homens para roubar, matar e destruir, mas seu espírito é de salvação (o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los - Lc 9:54).
Porque quanto mais próximo de Deus, mais vida e não morte.

Mesmo que esteja escrito no Apocalipse, o herói da fé cristão, que tem os mesmos desejos e projetos de Jesus diz:
- Não concordo! Sou contra guerra, destruição e morte, pois represento um reino que é de Cristo, a Vida.

22.10.09

POR QUE SÓ O SENHOR É DEUS?


O meu nome, Eliel uma expressão hebraica, significa Deus é Deus. Numa transliteração quer dizer aquele cujo Deus é o Único Senhor. Após pensar sobre a fé cristã e como melhor significar no cristianismo a expressão Único Senhor, cheguei a algumas idéias.

Para nós os cristãos a leitura inicial do Gênesis deveria se desvencilhar dos detalhes poderosos do ato criador. A maneira como a Bíblia descreve Deus chamando à existência algo sem ter necessidade alguma, não enfatiza este poder do tipo estóico que tanto cultivamos.

Uma divindade com poderes extraordinários que ordena e exigentemente cria é comum a todas as expressões religiosas. Todas as divindades são reconhecidas como poderosas. Nosso esforço em apresentar o Senhor como o Deus dos deuses, ou como o mais poderoso o diminui. Este procedimento apenas classifica-o como mais um entre muitos. Isto não o revela como o Único Senhor, mas como possuidor de maior força.

A consciência da santidade de Deus deve nos levar a enfatizar Deus como plenamente melhor do que qualquer concepção de divindade que se saiba. Por isso, ao lermos os relatos iniciais deveríamos nos lembrar que a expressão Céus e Terra não separam dois ambientes, um espiritual e outro material, mas nos informa que Deus se insere em sua própria obra. Deveríamos ainda nos deter com mais paixão na imagem do Deus que busca a criatura.

Uma divindade que cria um lugar para si e o entrega à própria criação. Mesmo a criatura sendo limitada, afetuosamente a procura. Não desiste e nem a abandona, antes cada vez mais se insere na criação até as últimas conseqüências.

– “Adão, onde estás?”, deveria pulsar no coração da mensagem cristã.

Assim, a revelação cristã anuncia um Deus que para o encontro com o humano se arma de poderes que buscam e salvam independente de sua própria necessidade. O poder capaz de buscar com integridade é o amor. A forma do amor salvar é mediante a graça. E a graça se experimenta na fragilidade.

Para o cristão, Deus ser poderoso o suficiente para criar e reinar não deveria impressioná-lo tanto quanto o fato de ser poderoso o suficiente para conceder graça.

(e Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça- 2 Co 9:8).

Todos sabem que qualquer divindade precisa ser poderosa; disto ninguém duvida. Sendo assim, a questão que melhor distinguiria uma divindade da outra é quanto ao uso do poder próprio.

Como para se aproximar de Deus é pela fé, resta crer se Ele usa o seu poder porque é Deus ou podemos confiar que mesmo sendo Deus Ele não considera isto como algo a se apegar?

(que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se - Fp 2:6).

Devemos crer que Ele é Único por ser Deus, ou por ser Fiel?

A fé cristã desafia toda forma de poder para que demonstre se é capaz de amar, ser graciosa, permanecer sempre fiel e pasmem, se aperfeiçoar na fraqueza, tal qual demonstrada em Jesus de Nazaré.
(... minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza- 2 Co 12:9)

13.10.09

VIVER ENTRE O BEM E O MAL


Provem, e vejam como o SENHOR é bom. Salmo 34: 8

A vida vem de Deus; um sopro invasivo que nos torna sensíveis. Ele no-la deu com uma consciência para que viver fosse um experimentar-Deus.

A criatura experimentando o Criador, ou o finito experimentando o infinito.

Se isto está correto, viver é antes de tudo uma experiência sensorial e não moral. A dádiva da existência o meio de se experimentar os sabores da vida. Desta maneira viver é uma questão de paladar. Aprende-se viver saboreando a vida e quando o paladar apura entra a morte.

Deus é sentido e não entendido. A verdadeira vida é experimentada e não definida.

Assim podemos afirmar que a experiência de viver neste mundo não é boa ou má, mas doce ou amarga. Uma vida menos conceitual e mais sensorial.

Quando falamos que o mundo é ruim, precisamos adequá-lo em uma referência ao sabor e não à moral.

Na narrativa do Éden em Gênesis, a procura de Deus por Adão sobre sua localização, não é uma busca de definição espacial, mas uma busca existencial. Tanto que a resposta de Adão não foi o óbvio de estar detrás de uma moita, mas ele respondeu que teve medo. A experiência de vida negativa de Adão se deu com o amargo medo e não com o conceito de certo e errado que desconhecia. Enfatizo que teve medo e quando comeu o fruto não foi malévolo, apenas inexperiente.

Quando Deus criou tudo, colocou sobre nós a responsabilidade de escolher entre o bem ou o mal e assim vivermos. Neste mundo Deus não é responsável pelo bom, isto cabe a nós. Somos e sempre seremos cobrados de um mundo bom ou mal.

Caim no uso de seu livre arbítrio pôde fazer o mal ao matar seu irmão Abel. Mas a experiência de Abel em morrer e dos pais em lidar com a morte de um filho não foi um mal ou a falta do bem, foi amarga. A amarga experiência da finitude humana.

Nas atribuições de responsabilidade se encontram o bem ou o mal.

Se deixarmos de olhar o viver por um conceito moral e o referenciarmos pela experiência do paladar, perceberemos que as experiências negativas intra-mundanas não são relativas à bondade e maldade, mas sim ao amargo e doce.

Para uma melhor experiência de vida e nossa própria humanização, precisamos compreender que aquilo que contraria nossas expectativas neste mundo, não é um inimigo. Não é um mal obstinado e destinado a atormentar a saga humana, mas trata-se de uma experiência com o amargo. Assim como o inverso, a concretização dos sonhos, não é uma promoção do bem, mas uma experiência com o doce da vida.

Existir portanto, não é participar de um campo de batalha entre o bem e o mal em que de vez quando sobram respingos, ora das entidades espirituais benignas, ora das malignas. Nem tampouco ficar na expectativa de que Deus nos proteja e afugente o mal.

Existir consiste em experimentarmos de tudo, desde o amargo ao doce que a própria natureza finita da vida proporciona. Assumirmos a responsabilidade do bem e do mal neste mundo e experimentarmos Deus e saboreando-o comprovarmos que Ele é bom.

8.10.09

NÓ TEOLÓGICO



Interessante observar que os escritores dos evangelhos se propõem a demonstrar que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus. João ousado em sua proposta, afirma ser propositadamente seletivo na narração para demonstrar que Jesus é o Filho de Deus (João 20:31).

Paradoxalmente ao propósito, quando lemos os evangelhos percebemos uma ênfase na humanidade de Jesus e não em seu poder divino.

Marcos chega à ousadia de destacar a referência que Jesus fazia a si mesmo não como Filho de Deus, mas como Filho do homem.

Nesta perspectiva percebo a diferença entre a fé dos primeiros cristãos e a nossa. Qualquer um de nós tivesse o objetivo de provar que um carpinteiro é Deus, não se esforçaria em demonstrar suas fragilidades, mas sim sua força divina. Esforçamo-nos em provar que Jesus de Nazaré tem qualificativos divinos. Queremos de todas as maneiras demonstrar a divindade do carpinteiro. Por outro lado, os evangelistas se mostram minuciosos ao descreverem Deus humano, que chora, se compadece, se angustia, sente fome e cansaço. Estas coisas não correspondem a uma divindade. Talvez para alguns signifique a mesma coisa, mas não para a experiência da fé.

Aquele que crê não tem necessidade de provar que Deus é, pois parte desta premissa. O exercício de querer provar que Deus é não é da fé, mas da desconfiança. O fiel simplesmente confia e direciona sua vida a partir desta confiança. Aquele que sente necessidade de provar que serve a um Deus que é, na verdade tem problemas a resolver com a sua fé.

A questão que os evangelistas buscam responder nos evangelhos não é: - “Deus pode?”, mas - “como pode?”.

Que Deus pode é fato. Mas como pode Deus sendo quem é se apresentar tão “humanamente carpinteiro”? Deus se rebaixaria a tal situação?

O nó teológico dos crentes primitivos não aperta na questão do poder de Deus, mas em seu esvaziamento. Porque um Deus esvaziado é incoerente com sua natureza de Deus. Portanto, a disputa teológica não se prende ao tema de Deus poder curar ou ressuscitar mortos, mas se em Jesus de Nazaré pode se concentrar Deus.

A recusa na relação homem-Deus não parte de Deus; Ele se humaniza. O homem tem dificuldades em aceitar um Deus humanizado. Vale ressaltar que o nazareno não se desumaniza para provar que é Deus. Só podemos perceber a plena divindade de Jesus em sua plena humanidade.

Os evangelhos se esforçam em provar que Deus ama e não que Ele é. Deus em Jesus não por causa de seu poder, mas por causa de seu amor. Que Deus é todos sabem. Resta saber se esse Deus que é nos ama e até onde vai este amor. Encontramos a resposta com os evangelistas: vai até onde Jesus foi. As últimas conseqüências. A última gota de sangue e o último suor.

30.9.09

O FIM DO MUNDO III - O Apocalipse em outra perspectiva


UTOPIA

Considero a utopia (Gr.não-lugar) a partir do livro de mesmo título de Thomas More como um tipo de literatura específica que na maioria das vezes constitui-se de uma crítica ao lugar em que o autor vive e cheia de sugestões ideais que anseiam por mudanças radicais na sociedade.

Mesmo não usando a expressão utopia, o texto “A República” de Platão, um discurso dialético socrático escrito no IV séc. a.C. já imaginava um lugar assim.

Se entendermos o ambiente déspota romano vivido pela igreja, amalgamado pelo mundo grego e traçarmos uma ponte entre os cristãos oprimidos que ansiavam pelas mudanças propostas por Cristo, podemos perceber que a solução apresentada é uma nova sociedade. A polis desejada por todos tinha seu defeito de ser excludente, mas se resolvida esta questão se apresentava como uma excelente solução para a sociedade. Não é de se estranhar que para a fé as mudanças fossem simbolizadas por uma cidade, no caso, Jerusalém Celestial.


Interessante observar que a narrativa bíblica do Gênesis descreve Caim como idealizador da primeira cidade numa terra de peregrinos (Node cf Gn 4:16). Ele um condenado a escravo da terra passa a ser proprietário de uma cidade. A vida na cidade se desenvolve numa relação de poder. Poderosos assumem o comando (Gn 4:23-24), escravizam os fracos e utilizam-se de seu trabalho para aumentar o seu poder com um discurso do bem, como vemos na história de Ninrode e sua Babel.(Gn 10:8-9).

Em oposição a isto, temos a narrativa de Betel que não é uma cidade que Jacó construíra, mas um lugar onde Deus se apresentara (Gn 12:8 e 28:12).


Percorre assim toda a narrativa bíblica, entre a Babilônia (Babel), cidade símbolo do mal e Jerusalém símbolo da cidade amada de Deus.

Bem desenhada , com medidas exatas e com suas doze portas sempre abertas para todos os pontos cardeais, Jerusalém é uma cidade perfeita. Projeto de Deus e não de homens. A cidade celestial não escraviza, mas abençoa todos os povos.

Encontramos esta linguagem dialética do Gênesis no Apocalipse. A cidade de Deus se opõe à cidade dos monstros que devoram a terra. O Apocalipse, de forma simplista, pode ser visto como um conjunto interligado de metáforas, que desenham a vitória definitiva dos cidadãos justos da pólis, que honram e guardam as leis, sobre os desobedientes, considerados momentaneamente vitoriosos, mas proscritos do futuro glorioso. Por fim, a fidelidade deve ser privilegiada mesmo que não traga nenhum benefício imediato, porque a cidade de Deus só pode ser construída em cima da pedra “fides”.


Penso que a melhor maneira de se ler o Apocalipse não é apostar na cidade utópica como literal, mas deixá-la como utopia, e tentar destacar as críticas ao sistema e as propostas apresentadas por João.

Estabelecer a utopia de João como um fato a acontecer, em minha opinião empobrece o sentido e gera uma fé pouco prática e muito do mundo dos sonhos. A Utopia se vista dentro de sua proposta utópica, pode mover o humano na luta para um mundo melhor, mas do contrário pode adoecer, como demonstrada pela história. Filosoficamente falando, se for para literalizar uma metáfora, talvez seja melhor fazê-lo com a Tragédia, já que esta enobrece o herói pela coragem de viver pela sua consciência mesmo injustiçado, enquanto que a Utopia literalizada aguarda o destino fatal se cumprir.


É interessante observar que a igreja ansiou pela manifestação imediata da gloriosa cidade descendo dos céus, mas anacronicamente os crentes sempre desejaram que este evento retardasse para construir suas cidades aqui na terra. Quando há este descompasso entre querer uma grande mudança, mas empurrá-la para mais tarde, cria-se uma obsessão.

Para a psquiatria, a obsessão é uma mania, um pensamento fixo recorrente. No dicionário, entre as definições destaco duas: idéia fixa e preocupação contínua. Dependendo da obsessão pode-se perder o senso crítico.


MILÊNIO

Precisamos considerar alguns aspectos da antiguidade.


A compreensão de tempo não se dava como temos hoje, por isso não há ênfase em calendários e relógios como fazemos. (Francesco Maiello – A medida de outros tempos – 1987)

Os etruscos, egípcios e mesopotâmios mediam o tempo em gerações.

A vida para os antigos era vista através dos ciclos, tanto das estações em que a natureza morre e ressurge - inverno-primavera - como o tempo que passamos por esta terra. A vida era vista pela perspectiva qualitativa e não quantitativa. Aquele que vivesse melhor era considerado como o que mais vivera. Temos a descrição em Gênesis de Enoque que viveu de tal maneira que nem se considera sua morte, mas sua eternidade. (Gn 5:24)


Hoje quando nos referimos a algo muito distante no tempo, usamos a expressão “há séculos” .


Como podemos entender este tipo de linguagem na Bíblia, se para seus escritores o tempo se referenciava por outros valores?


O tempo na Bíblia descreve a vida e não os anos.

Na Bíblia, alcançar um século de vida é extremamente virtuoso, apesar de ser também enfastio o que restar após os setenta anos.

O indivíduo tem um ciclo de vida e seu clã é a possibilidade de prolongar sua existência. A mesma relação entre o imperador e o império. A dinastia é um imperador criando um ambiente – o império- e sobrevivendo nele.

Assim, o século bíblico não marcava um período cronológico de cem anos, mas um ciclo de existência individual e o milênio - dez séculos – uma expressão de longevidade incontável, pois nele cabem milhões de existências.

Portanto, o milênio não é uma cronologia, mas um ciclo existencial maior que abrange diversos outros ciclos menores, perfazendo o senso qualitativo da vida.

O milênio é uma utopia que não enfatiza um lugar, mas que consagra o tempo. Um tempo de existência infindo.


O tempo na questão bíblica é sagrado como a vida, por isso a medida de tempo é da realidade da vida. Por exemplo: uma memória dolorida do passado, quando contada é descrita como algo extremamente remoto, colocando a dor distante como no caso de Jó, que é colocado como contemporâneo de seres mitológicos ou jurássicos como o Leviatã e Beemote, respectivamente . Por outro lado, o reino vindouro de paz está próximo, colocado ao alcance de todos no agora.


Como a existência tem seus ciclos maiores do que um indivíduo, mesmo alguém conseguindo transpor o tempo com seus anos de vida, ele seria limitado pelo ciclo maior. Assim Matusalém, apesar de nada ter feito para merecer a morte e ter conseguido atravessar o ciclos dos séculos, foi solapado pelo milênio. Antes de completar mil anos sofreu o dilúvio.

O milênio era considerado o ciclo maior, pois equivale a 10 vezes cem. Nada escapa do ciclo maior. Nem mesmo o reino milenar do messias, que apesar de longo é atacado pelos inimigos.

Reinar mil anos é ser comandante do tempo.

“Quem morrer com cem anos morrerá jovem” (Isaías 65:20). A longevidade é contada em cem anos e a vida total em mil anos.


A interpretação do fim era vista pela perspectiva cíclica da natureza, por isso numa cultura em que o ar sustenta a vida, a água é sua origem e o fogo é o seu fim, surge a interpretação do fim nos moldes da interpretação da vida.

Como exemplo, em Jó o fim se apresenta com granizo, e em Pedro com fogo. Mas de qualquer maneira, é uma interpretação a partir da percepção da natureza.


Algumas características que percebo no Apocalipse e que podem auxiliar em sua leitura:


· Toda descrição dos poderosos, por mais que exerça algumas atitudes bondosas, é de uma figura pitoresca e monstruosa.

· Todo o fraco, por mais injustiçado e sofredor é descrito como alguém que será justiçado.

· Os poderosos se apresentam como uma resposta para o mundo com rosto amável, mas são monstros de maldade e Cristo inversamente à eles se apresenta com uma descrição assustadora de poder, mas envolve-se no drama como uma figura frágil que é o único capaz de comandar a história.

· Não há forças ocultas que se movem por trás dos fracos e oprimidos, mas há forças avassaladoras que controlam e movem os poderosos e o mal.

· O Bem deixa as ações livres, o Mal controla cada situação.

· Os poderosos têm exércitos, os fracos somente a palavra.

· Os poderosos tentam manter intacto o passado, os fiéis constroem o futuro.

· O que mantém os poderosos é um sistema perverso, o que mantém os fiéis é Deus.

· Os poderosos são socorridos pelas riquezas, os fiéis pela esperança

17.9.09

ENXERGANDO O AMOROSO PAI DE JESUS NOS RELATOS DO ANTIGO TESTAMENTO.


Para o cristão, Jesus é a imagem do Deus invisível e nele habita toda a plenitude divina.

Isto por si só, já nos posiciona a contrastar tudo o que se pensa ou pensava sobre Deus à luz de Cristo.

Se Jesus não veio mudar a lei, mas de fato cumpri-la, então, nas ações de Jesus vemos como os filhos de Deus devem viver segundo a Lei. Podemos nisto saber o que de fato Deus intentou durante todo o tempo com seu povo.

Como exemplo, vemos na Lei a ordenança de Moisés de olho por olho, mas com Jesus observamos que isto não tem a ver com Deus, mas com o homem.

Levítico 24: 19-20 Se alguém ferir seu próximo, deixando-o defeituoso, assim como fez lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. Assim como feriu o outro, deixando-o defeituoso, assim também será ferido.

Mateus 5: 38-39 "Vocês ouviram o que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente'.

Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.

Alguém poderia argumentar que em Levítico está escrito “disse o Senhor a Moisés”, e Deus não muda.

Quanto a isto, encontramos Jesus interpretando a Lei de uma maneira completamente diferente. Mesmo escrito a frase “disse o Senhor”, Jesus considera um escrito humano. Nossa fé nos dá a convicção de que Jesus não contrariou o Pai e nem mudou Deus.

Como Cristo vê as Escrituras:

Quando Jesus faz referência ao Antigo Testamento ele cita com as seguintes expressões: “Na lei de vocês está escrito”, ou “na Lei que Moisés lhes deu está escrito”.

Quando faz referência usando a expressão “Escritura”, ele valida o sentido do texto e não o texto em si.

Por isso ele diz: “Está escrito, eu porém vos digo”. Isto significa que Jesus a exata expressão de Deus, que revela toda a vontade do Pai e não faz nada de si mesmo, dá a verdadeira intenção das escrituras.

Observamos no Antigo Testamento um conflito entre dois ministérios. O sacerdotal e o profético. Os sacerdotes são os codificadores da Lei. Mantém-na, interpretam-na e exigem seu cumprimento. Os profetas questionam isto e trazem uma aplicação diferente. Sempre acusando os sacerdotes de desviarem-se de Deus e convocando-os a retornarem de seus maus caminhos.

Por isso Jeremias diz algo contrário à Lei sacerdotal:

Jeremias 7: 22-23 Quando tirei do Egito os seus antepassados, nada lhes falei nem lhes ordenei quanto a holocaustos e sacrifícios. Dei-lhes, entretanto, esta ordem: Obedeçam-me, e eu serei o seu Deus e vocês serão o meu povo. Vocês andarão em todo o caminho que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem.

Assim temos diversos textos que denunciam o culto sacerdotal como sendo contrários a Deus. Veja que Isaías diz que Deus não faz questão, não deseja e é até mesmo contra sacrifícios.

Isaías 1: 11 "Para que me oferecem tantos sacrifícios?", pergunta o SENHOR. "Para mim, chega de holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos gordos. Não tenho nenhum prazer no sangue de novilhos, de cordeiros e de bodes!

Diante da experiência do pecado, o salmista percebe que todo o culto sacerdotal, por mais piedoso que seja e carrega o nome de Deus, não responde à vida:

Salmo 51: 16 Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, se não eu os traria.

A imagem sanguinolenta de Deus não corresponde ao grito do profeta que diz que Ele não se agrada na morte, nem mesmo do ímpio.

Ezequiel 18: 23 Teria eu algum prazer na morte do ímpio? Palavra do Soberano, o SENHOR. Ao contrário, acaso não me agrada vê-lo desviar-se dos seus caminhos e viver?

Ezequiel 33: 11 Diga-lhes: Juro pela minha vida, palavra do Soberano, o SENHOR, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam. Voltem! Voltem-se dos seus maus caminhos! Por que o seu povo haveria de morrer, ó nação de Israel?

Dado ao fato de que Israel foi chamado para se converter dos falsos deuses para o Deus verdadeiro, toda sua expressão e compreensão religiosa precisa ser interpretada à luz de sua própria época. O fato de Israel ser escolhido por Deus como povo, não o isenta de ter uma religiosidade que interpreta Deus, segundo sua cultura, segundo o meio em que vive.

De um lado o cânon das escrituras resultado de um estudo minucioso, e de outro o Cristo a expressão do Pai. Se o relato do texto conflita com a pessoa de Cristo, mesmo o texto dizendo ser Deus, o que de fato revela Deus é a pessoa de Jesus, por isso a fé cristã escolhe Jesus e não o texto.

Conforme ele mesmo nos ensinou:

João 5:39 Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito;

O cristão não tem uma experiência com Deus por causa da Bíblia, mas por causa de Cristo. Vamos as escrituras por causa da razão maior, a pessoa, a mensagem encarnada.

Podemos analisar a questão da mortandade que Israel causou em nome de Deus. O fato de um Pai (Deus) amar o seu filho (Israel), não significa que ele seja conivente com seus erros. Deus é desde o princípio contra o assassinato. Vemos isto quando Caim matou Abel e quis implicar Deus no assassinato, pois se Deus é responsável pelo bem de todos, por que não guardou Abel? E Jesus denuncia isto como grave.

Os detalhes dos textos nos mostram conflitos de interesses. Às vezes, encontramos a ordem para todos serem assassinados e outras vezes somente os guerreiros. Afinal, quando deve ocorrer uma ou outra coisa na guerra? Veja a diferença, do que deveria acontecer e o que de fato aconteceu a Jericó:

Deuteronômio 20:10-14 "Quando vocês avançarem para atacar uma cidade, enviem-lhe primeiro uma proposta de paz. Se os seus habitantes aceitarem e abrirem suas portas, serão seus escravos e se sujeitarão a trabalhos forçados. Mas se eles recusarem a paz e entrarem em guerra contra vocês, sitiem a cidade. Quando o SENHOR, o seu Deus, entregá-la em suas mãos, matem ao fio da espada todos os homens que nela houver. Mas as mulheres, as crianças, os rebanhos e tudo o que acharem na cidade, será de vocês; vocês poderão ficar com os despojos dos seus inimigos dados pelo SENHOR, o seu Deus.

Afinal a expulsão das nações era através do assassinato? Ou isto tudo tem a ver com as conflitantes interpretações religiosas da época?

Êxodo 23: 27-30 "Mandarei adiante de vocês o meu terror, que porá em confusão todas as nações que vocês encontrarem. Farei que todos os seus inimigos virem as costas e fujam. Causarei pânico entre os heveus, os cananeus e os hititas para expulsá-los de diante de vocês. Não os expulsarei num só ano, pois a terra se tornaria desolada e os animais selvagens se multiplicariam, ameaçando vocês. 30 Eu os expulsarei aos poucos, até que vocês sejam numerosos o suficiente para tomarem posse da terra.

Quando olho para Jesus, até mesmo na razão que Ele diz da existência do Templo, percebo que o desejo de Deus era estabelecer Israel como uma nação para todas as nações, ser benção para todos, e não destruir ou matar.

Uma coisa é Deus entregar uma questão, uma responsabilidade nas mãos dos homens, outra é considerar o que os homens pensam disto, ou como agem diante disto.

Ao mesmo tempo em que se matava no Antigo Testamento, temos uma lei ordenando tratar bem os prisioneiros de guerra e respeitar os estrangeiros.

O objetivo de dizer olho por olho, não era estabelecer um assassinato legalizado, mas uma maneira cultural de conter a violência.

Gn 9:5-6 A todo aquele que derramar sangue, tanto homem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo. "Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à imagem de Deus foi o homem criado.

Quando Josué vai invadir a palestina, ele ordena que matem todos. Os profetas se levantam e atestam que o povo de Deus é ávido para derramar sangue, e portanto são pecadores.

Inclusive esta foi uma das razões porque Davi não pode construir o templo, pois o nome de Deus não poderia estar envolvido com pessoas sanguinárias.

1 Crônicas 22: 8 Mas veio a mim esta palavra do SENHOR: 'Você matou muita gente e empreendeu muitas guerras. Por isso não construirá um templo em honra ao meu nome, pois derramou muito sangue na terra, diante de mim.

Sabendo que Israel conhecia a vontade de Deus por Urim e Tumim, e convivendo em um tempo que guerra era uma questão de sobrevivência, concluímos que a religião judaica sempre interpretou Deus como um guerreiro, o Deus dos deuses que guerreava por seu povo e por isso imbatível, por ser o mais forte e que apoiava as batalhas.

Jesus revela que este tipo de compreensão não subsiste à realidade da vida.

Deus que é doador da vida, contra a morte, o Deus que é a ressurreição e a vida, que ordenou não matarás, cujo propósito desde a fundação do mundo é salvar, não participa dos absurdos humanos por mais que usem o nome dEle.

Lucas 9:54-55...os discípulos Tiago e João perguntaram: "Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los?" Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: "Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são.

Pessoas divididas, confusas e que não entenderam que Deus é salvador desde sempre e salva dando vida e não oferecendo morte.

Romanos 5:10 Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!

27.8.09

O FIM DO MUNDO - PARTE II


A lógica do fim do mundo pelas lentes do Apocalipse apresenta na história um banho de sangue, inúmeras pessoas loucas e diversas condenadas ao manicômio, prisão ou fogueira. Foi a causa de divisões na igreja, de guerras políticas e de intolerância religiosa.

David Herbert Lawrence, escritor inglês, considerava que o Apocalipse era o menos cristão dos livros do Novo Testamento, mas que teve mais influência na história do que os evangelhos.
Em 1920 escreveu em seu livro Apocalipse e as cartas da revelação, o seguinte:
"É muito agradável se você é pobre e não é humilde levar seus inimigos à total destruição e frustração, enquanto você se eleva à grandeza” e disse ainda que
o Apocalipse teve e talvez ainda tenha mais influência, na verdade, do que os evangelhos”.

Para um mundo analfabeto as letras e os números continham algo de mágico. A natureza com suas forças era um mistério assustador e pertencente à ira dos deuses.
Uma cosmovisão fantasiosa do mundo, o desconhecimento da funcionalidade da vida e a presença de crises, pestes e guerras produziu o ambiente mais propício para a manifestação de pregadores do fim do mundo, conhecidos como apocalípticos.

Arrependam-se porque este desastre é prenúncio do fim”, dizem sempre.

O problema é que esta lógica faz todo sentido para um mundo teologicamente sob a ira de Deus e cientificamente desconhecido.

Quando olhamos a história na retrospectiva dos apocalipsistas com suas profecias e interpretações proféticas, podemos afirmar que todos eles viveram crendo piamente no fim trágico para os seus dias.
Dentro deste raciocínio, o fato de não ter ocorrido conforme as indagações proféticas, nos permite nominar como sendo um atraso do fim. Em função deste atraso, questão manifestada pelo próprio Pedro, os seguidores da fé cristã não discerniram bem o que deveriam fazer. Alguns mudaram o discurso para uma adaptação à vida temporal e outros insistiram que o fim era iminente.

No início do século III Hipólito, teólogo romano, escreveu um longo comentário sobre o livro de Daniel, destituindo toda idéia de uma leitura literal, pois nos seus dias muitas pessoas se desfizeram de seus bens para aguardar o terrível Juíz. Contemporâneo a ele foi Orígenes que defendeu com veemência que pessoas sensatas eram aquelas que evitavam a literalidade da Bíblia.

Talvez a gente não valorize que o mundo até o século XVIII orbitava com outra lógica. Refiro-me a orbitar no sentido mais atual conhecido como paradigma.
As pessoas além de acreditarem em fadas, duendes e ogros, não duvidavam de árvores falantes, cavalos voadores e outras fábulas, antes as tinham como verdadeiras. Na história da França algumas famílias nobres alegavam descenderem de fadas. Existiam por todo lugar fontes encantadas habitadas e consagradas a determinadas fadas. Interessante lembrar que Joana D’Arc teve sua primeira visão perto da fonte de uma fada.
É assim que o Apocalipse se apresenta para seus dias.

O Apocalipse de João está envolvido pela cultura de sua época, que a meu ver mistura o reino encantado com o mundo real. Não se assuste, continue lendo para que faça sentido o raciocínio.
Para nós que vivemos após o mundo mecânico de Newton, estes textos só trarão significado se discernimos as figuras de linguagem que poderiam até serem vistas como descrições de fatos, mas são símbolos.

Para mim o Apocalipse apresenta dois tipos de linguagem: Cifrada e Fabulosa.
A mensagem cifrada trata de comunicar algo para ser entendido apenas pelos cristãos que viviam foragidos da perseguição. A mensagem fabulosa trata da crença comum e popular nos contos da época.
Uma coisa importante para se ter em mente, é que para João que conviveu com Jesus e viu os sinais do Reino e ouviu do próprio Senhor a mensagem de que o Reino chegara, ao comparar com a dura e oposta realidade que vivia, a dos césares, chegou a uma conclusão teológica:
  • Jesus se retirou e o mundo ficou do jeito que o diabo gosta (João 14:30).
  • Todas as desgraças presenciadas não tinham absolutamente nada a ver com Cristo, mas eram fruto do anticristo que já estava no mundo (1 João 4:3).
Por isso, usando símbolos da crença de seu tempo denunciou em uma mensagem cifrada que só poderia ser anticristo pessoas e situações como as que envolviam o império romano.
Calígula e Diocleciano que queriam ser venerados como Deus. Nero, o pior de todos apresentava características de um inumano, por isso era considerado no superlativo numérico imperfeito: 666. Número que passou a nominar a Besta. Segundo o historiador Eugen Weber, em armênio o anticristo é chamado de Neren. A moeda romana trazia a marca da Besta sem a qual ninguém podia comprar ou vender.

Hoje a matemática não é mais um mistério, bichos falantes fazem parte do mundo encantado das fábulas e não precisamos mais de códigos para descrever a realidade.

Não precisamos mais olhar para a manifestação do Reino de Deus com as lentes do livro do Apocalipse. Podemos fazê-lo pelas lentes do Sermão do Monte.
Muito mais verdade para nós é crermos nas palavras de Jesus sobre o Reino, do que a interpretação de João que esperava um banho de sangue do Vingador.

Desejamos sempre ver o Leão de Judá lidando com a história, mas conseguiremos apenas contemplar um cordeiro como que tendo sido morto.

Continua...