Que bom que você veio!

Obrigado pela visita, deixe uma mensagem de sua passagem por aqui.

9.10.13

CUIDADO COM DEUS

NÃO O TIRE DO SÉRIO!


O apóstolo Paulo se referiu ao cristão como “embaixador” e também como "carta de Cristo". Aquele que manifesta Deus no mundo.

Através de sua maneira de viver, ele coloca seus observadores em contato com o significado de Deus e como deve ser esse Deus.
Não é de se estranhar o porquê muitos resistem em crer ou desconfiam desse Deus revelado no ethos de considerável número de crentes.

Tudo na fé do crente testemunha a respeito de Deus:
Aquilo que possibilita os cultos e viabilizam as marchas e concentrações, o que faz uma pessoa contribuir, participar de vigílias, subir montes à noite, jejuar, ler a Bíblia e "defender" o evangelho revelam as características de Deus.
A partir dessa observação, de como se comportam os crentes, além de conhecermos suas crenças, podemos traçar um perfil desse Deus ao qual se cultua.
Não que Deus seja objetivamente de tal forma, porém se assim se relacionam com Ele, isso demonstra como Ele é compreendido e recebido.

O ethos gospel, manifestado por esse país afora, leva a perceber que no divã de Freud, dentre as muitas possibilidades, esse deus tem um alterego: o diabo.

Diante de algumas declarações de fé, defesas doutrinárias, frases clichês, jargões gospels, citações de textos bíblicos a esmo e propagandas de cultos parece que Deus deve ter algum fascínio pelo diabo.
Sem dizer que desse modo, se os servos de Deus têm necessidade e precisam se reunir para fazer frente ao diabo, sem ele, Deus perde sua função.
Em última instância, o diabo acaba sendo a necessidade de subsistência divina, tal qual o superhomem, se não existir um vilão ele é desnecessário. Sem o diabo deus parece não fazer sentido.
 (não vejo Deus como uma função ou uma utilidade, mas dada a questão parece que sua existência estaria assim condicionada).

Afirmar a existência do diabo é outra questão, não proposta aqui, mas sim como se dá a crença nesse diabo. Por isso, imaginando que nesse ponto alguém diria: "o diabo não existe é uma artimanha do diabo para destruir eternamente as pessoas”, pergunto:

Crer no diabo passa a ser imprescindível para que as pessoas sejam salvas?

Outra coisa: se o diabo não existir há disposição e razão para uma pessoa continuar servindo a Deus, sendo fiel, guardando-se do pecado?
Se a conclusão é que os crentes não seriam mais crentes, o diabo é o principal personagem da fé e Deus depende dele.

Dessa forma também poderíamos dizer que Deus não destrói o diabo de vez porque estaria relegado a um eterno tédio de inutilidade:

- Sem a necessidade de proteger as pessoas de salvá-las das artimanhas malignas em quê ele poderia atuar?

- Pessoas sem medo do diabo procurariam Deus?

Nessa condição, os crentes estariam enganados em serem antidiabo, afinal ele é quem dá uma sobrevida a esse deus.

Sem o diabo, existiria bondade no mundo?

Diante desse tema, diferente do que possam discursar como fé, a maneira como muitos se comportam demonstra que sem o diabo o mundo estaria perdido. Por quê?  Porque parece que o diabo seria aquele que restringiria uma pessoa de ser má. As pessoas estariam livres, entregues a si mesmos e seria “bandalheira total”.
Não correndo o risco de ser eternamente atormentada, pensa-se que ninguém mais precisaria ser bom, fiel e ético.

Sendo assim, estaria o diabo no final das contas causando um bem e levando as pessoas a amarem?

Nesse caso, Deus mesmo, em última análise, é o diabo e não Deus, porque se o próprio Deus depende dele para ser Deus na vida das pessoas, e é a razão pela qual elas cumprem o mandamento divino, ele, o diabo, é a causa de tudo e não Deus.
E não diga que "Deus usa o diabo para isso". Não é digno de confiança um Deus que como um sequestrador coage através do medo e ameaças de morte.
Se alguém for bom para não ser "pego" pelo diabo esse alguém não é bom, mas hipócrita. É mal e reprime toda a maldade pelo medo do diabo e não porque sua alma aspira por tudo o que é de Deus.

Se o diabo e o inferno formam a razão de uma pessoa ser boa, ética, honesta, servir a Deus e amá-lo, essa pessoa é controlada por aquilo que o diabo oferece: o medo. Contrário a Deus cujo amor libertador lança fora o medo.

Há quem diga: "Cuidado com Deus".
Mas afinal, se fizermos o mal Deus ou o diabo quem nos “pega”?
Nessa lógica tanto faz, pois ego e alterego divino fazem o jogo e a situação só piora, pois nessa condição se confirmaria esse Transtorno Dissociativo de Identidade tal qual com Bruce Banner, que ao ser provocado, se torna no Incrível Hulk.

Ousaria dizer que se uma pessoa usa Deus como forma de ameaça para que a outra obedeça, o diabo é um mal contido no seu próprio coração, pois é a quem ela quer dar vazão. E ainda nesse caso ela obedece a ele, pois considera a opressão e até mesmo a aniquilação do próximo como algo correto, ético e divino a acontecer.

Fazer isso, mesmo que, em nome da justiça não é de Deus.
Ameaçar alguém com Deus, querendo ou não, é anunciar Deus como destruidor, um homicida.
Certa vez Jesus disse em João 8:44  “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio...".

Outra vez Jesus disse que alguns achavam que destruindo o outro estariam fazendo um serviço a Deus. Tal qual Paulo que ao perseguir e desfazer daqueles que criam diferente de sua fé acreditava que estaria do lado de Deus, cumprindo um mandato divino. Descobriu por fim que dessa forma, em vez de santo, era "o pior dos pecadores".

Quem serve a Deus por medo tira Ele de sua própria vida.
Usar Deus para impingir medo nas pessoas é ser contra Deus.
“Jogar” o diabo contra o próximo, o amedrontando, contraria o evangelho que anuncia a destruição do diabo e suas obras malignas.

Recordando o já dito: “o amor lança fora o medo”. “Deus é amor”.

Sei, claro que sei, que sempre aparece alguém para por uma vírgula depois do amor e dizer: “mas é justiça”.
De fato, porém justiça conforme revelada em Jesus Cristo.
Gl 3:21 ...se a justiça vem pela Lei, Cristo morreu inutilmente!

Is 42:3Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça”.

Para Deus, derramar sangue e causar aflição não é justiça. Justiça para Ele promove paz e confiança:
Is 5:7Ele esperava justiça, mas houve derramamento de sangue; esperava retidão, mas ouviu gritos de aflição”.

Is 32:17O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranqüilidade e confiança para sempre”.

A justiça divina não destrói; produz vida. Se fosse segundo alguns que acreditam ser destrutiva, nem eles mesmos escapariam, mas insistem em querer a destruição daqueles a quem Deus ama e pelos quais deu o seu Filho.

João 3:17Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele”.
Anunciar uma mensagem diferente dessas palavras de Jesus é discordar do próprio Jesus, além de correr o risco de, como embaixador de Cristo, demonstrar com seu testemunho de vida um diabo como o alterego de Deus, nesse caso estaria certo o alerta, “cuidado com Deus, não o tire do sério!

Mas se Deus é conforme revelado em Cristo Jesus, podemos dizer:

Corram para Cristo, rendam-se a Ele, pois ele anulou o poder da morte. Ele é a ressurreição e a vida. 
Não precisam tomar cuidado com Deus, ele os quer bem. 
Podem confiar completamente nele, porque Ele sim é que tem cuidado de cada um como filho.

Eliel Batista

12.9.13

A HONESTIDADE PARA COM AQUILO QUE SE DIZ CRER


Você já parou para pensar na dificuldade de algumas declarações de fé?

Algumas delas, defendidas com unhas e dentes por alguns crentes, só o são no discurso.
Não são na realidade da vida.
Não é uma questão de má intenção, hipocrisia ou fingimento, mas de saber se é possível levar para a realidade da vida declarações inexequíveis, inviáveis, impossíveis de serem seguidas?
Algumas declarações de fé só são possíveis ao se separar o discurso da prática, criar uma ilusão e torcer a verdade o que resulta em uma declaração de fé até bonita, mas irreal.


Penso que um cristão deveria no mínimo ser honesto em suas afirmações.

1-     Bíblia é regra de fé, prática e conduta.
Não seria mais honesto?
Escolhi algumas coisas da Bíblia que considero importantes para conduzir a minha vida e também para julgar a fé dos outros.

2-    Não interessa pensamentos humanos, teologia ou filosofia, temos que ficar somente com a Bíblia; com aquilo que ela diz.

Não seria mais honesto?
Escolhi uma ideologia para ler a Bíblia: Não aceitar filosofia, teologia ou linha de pensamento diferente da minha.


Afirmar que “a Bíblia é regra de vida” e “fico somente com ela”, além de ambas as declarações serem um tipo de teologia e um pensamento ideológico, são também um contra senso, pois não há quem consiga colocar em prática uma realidade pertencente a outra sociedade, tempo e cultura e nem quem consiga  ler a Bíblia isento de qualquer conhecimento do tempo em que se vive e da realidade que o rodeia.

Qual seria a regra de fé, prática e conduta de um cristão?
Resposta simples e direta: Cristo, "autor e consumador da nossa fé".

Ele é o "modelo" o qual representamos, como nas palavras de Paulo: "somos embaixadores de Cristo".
O cristão, apesar de estudar a Bíblia e ser o seu livro sagrado, não a representa e a Bíblia não representa Cristo, apenas o apresenta.

João 5:39 "Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna".

Eliel Batista

9.8.13

QUANDO SE É CONSIDERADO VELHO E QUANDO, SÁBIO?


Fui convidado por um jovem casal para um almoço em família homenageando o dia da avó.
Um dia divertido entre filhos e netos.

Percebi entre as duas avós, materna e paterna, uma diferença enorme e o que mais me chamou a atenção?

— Quando para a geração mais nova um idoso é considerado velho e quando, sábio.

A avó paterna, acho que uns seis anos mais nova que a outra, era toda "pra frente". Ainda atuante no mercado de trabalho, todas as manhãs fazia caminhada e lia o jornal, sabia falar alguma coisa sobre política e economia.
Lutava contra a idade procurando aparentar jovialidade.
Havia feito plástica no rosto, esboçava botox, conhecia cinco países e exibia um smartfone última geração e ginga das aulas de dança.

Vivia puxando assunto de atualidades com os netos e os filhos, que com expressões impacientes se esquivavam.
Vez por outra ouvi dos pais: — "respeite sua avó!"

A avó materna, mais velha, desencanada com a idade, já aposentada, em seu rosto o peso da idade se via nas profundas rugas, pensava que internet é igual telefone só que no computador, não tinha ideia de como funciona o "Feicebuqui" e vivia puxando assunto para saber se os netos estavam bem e felizes.

Me assustei ao perceber que a avó mais nova e conectada com o mundo era tratada pelos mais novos alguém com quem eles precisavam ter paciência.

A mais velha, por outro lado, mesmo precisando de ajuda até para ver sms no celular, era para eles uma sábia com quem precisavam e gostavam de conversar. Parece que não se importavam que ela não soubesse algo tão simples. Pacientemente riam e explicavam.

Interessante!
A que assumia sua idade e limitações era acolhida e recebia atenção.

A que queria se passar por jovem e capaz encontrava resistências e caretas às escondidas.

Percebi que a diferença não estava na idade e na aparência jovial.
Vi que saber "tudo"sobre atualidades, tirar rugas e ter competência para resolver o mundo não rejuvenescem.

A mais nova (tida como velha pelos mais novos), diante dos problemas atuais, sabia como resolver os problemas, entretanto só conhecia aquilo que havia praticado e por isso achava que as respostas certas eram as dela que afinal resolveram sua vida.
Porém, eram respostas prontas que não permitiam ao outro exercer a criatividade, ter sua própria experiência, mas apenas condicionavam à repetição.

O velho mundo ficou velho, porque não criou coisas novas. Só repetiu as mesmas soluções.

A mais velha, tida como sábia e a quem respeitavam a idade, diante dos problemas atuais enfrentados pelos mais novos, procurava entender como estava o coração e buscava animar e fortalecê-los.
Contava histórias de problemas antigos, de outros tempos, mas que apesar disso geraram sentimentos semelhantes que não a derrotaram e ela estava ali, firme e forte, apesar da idade.

O velho mundo sobreviveu, se renovou e em vez de envelhecer se tornou sábio, porque aprendeu a lidar consigo mesmo diante dos problemas.

Conclui que para os mais novos, velho é aquele que faz de suas experiências pessoais, que deram certo um dia, verdadeiros dogmas. A régua do mundo. A resposta capaz de solucionar os problemas.

Sábio é quem mesmo que saiba, não se preocupa em ter respostas. 

Sabe que suas experiências pessoais não são as respostas que o mundo precisa.
Se ocupa em ajudar os mais novos a lidarem com a vida e os orienta diante dos riscos a agirem com dignidade sem perderem o coração.
Deixa-os livres para viverem e reconhece que o tempo é outro.

Pode não ser isso, mas foi isso que observei.

29.7.13

TAMBÉM SONHO COM JUSTIÇA!

Fico assustado ao ouvir a divulgação dos altíssimos índices de violência e criminalidade em nosso país.
Vivemos nos conformando com a pizza no final de cada denúncia. 
Mas isto parece tornar-se o padrão. Cada vez mais vemos isso e imagino que seja pela impossibilidade da Lei em usar o bom senso a fim de ser justa.

Gosto muito de assistir filmes de investigações e julgamento. 
Ultimamente tenho visto um seriado Law & Order.
Interessante observar as barreiras que os promotores públicos têm em condenar um criminoso. Todas as evidências apontam para o réu, porém por alguma questão legal a prova fundamental não pode ser usada, e assim o criminoso sai em liberdade, e algumas vezes com direito de exigir indenização do Estado.

No Brasil isso parece ser a regra, não uma exceção. 
Cadeia é para quem não consegue um bom advogado? 
Os advogados públicos só agem pró-forma e não pela luta dos direitos? 
Não sei responder se é isso, apesar das aparências desconfio que não. Mas sei que a minúcia da Lei levada ao pé da letra facilita o escape de infratores, pois há quem se especialize em achar as brechas legais, mas injustamente isso beneficia somente os que conseguem se proteger nas riquezas.
A justiça fica com o braço curto.
A promotoria denuncia, a polícia prende, o juiz leva ao julgamento e o detalhe burocrático não necessariamente inocenta, mas põe em liberdade. Sem entrar no mérito da "compra de indulgências mundanas".

Eu aguardo ansiosamente um dia em que Justiça seja feita. 
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados”.
Em outras palavras, se lutarmos pela justiça, se não esmorecermos, venceremos.
As manifestações ocorridas nesses dias demonstraram isso. O gigante não pode dormir.

Sonho com um dia em que colarinho branco ou descamisados, ateus ou apóstolos, militantes ou omissos, bons ou ruins não se escondam em detalhes legais, mas apenas prevaleça a verdade.

Antes disso, gostaria que principalmente os que fazem uso do bom nome de Deus vivessem em integridade e que não repousassem sobre eles suspeitas de roubos, fraude, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha. Se existisse algo para serem julgados que fosse sua bondade, mas jamais sua integridade.
Fossem acusados de não abrirem mão de servirem ao Senhor defendendo a vida, o direito, a justiça, a fraternidade, o respeito e a determinação de se doarem pelo bem, mas jamais sejam acusados de lesarem o povo.
Pudera a zombaria sobre pastores, crentes e igrejas nem existir e menos ainda fosse sobre finanças, má fé, charlatanismo com venda de bênçãos como tem ocorrido.

Repito: Sonho com um dia em que colarinho branco ou descamisados, ateus ou apóstolos, militantes ou omissos, bons ou ruins não se escondam em detalhes legais, mas apenas prevaleça a verdade.

Seria um sonho?


Maranata - vem Senhor. Quisera começasse o juízo pela casa de Deus.

21.6.13

AS RAPOSAS TÊM COVIS...



Raposas têm covis, se escondem, se protegem, se garantem, mas o Filho do Homem, disse Jesus, o humano não tem um lugar assim.

Não ter covil significa não procurar um lugar de conforto e comodismo imobilizador e de nenhuma transformação da realidade. Correr os riscos pelo de fato de estar de olhos bem abertos e denunciar tudo o que é contra a vida.

Enquanto vejo jovens e adolescentes empunhando cartazes para que o Brasil mude sua estrutura política, econômico-financeira e social, vejo líderes religiosos convocando suas igrejas para manifestarem-se simplesmente fechando os olhos, em outras palavras orando. Que isto sim seria o verdadeiro manifesto. Fecharem-se dentro de seus templos (mais uma vez) e clamarem a Deus que segundo eles, é o único que pode resolver. Clamar a Deus e não aos “homens”, alegam eles.

Há lugar para oração, mas jamais a oração deve ser um ato que fecha os olhos para a realidade. A oração deve nos engajar na realidade da vida.

Volto meu olhar para apenas o período de minha idade. Apenas os últimos cinquenta anos.
Em 64 veio a ditadura militar.

Enquanto os filhos dessa nação apanhavam, eram torturados e mortos, líderes convocaram suas igrejas para fechar os seus olhos e orarem pela nação, invocando Crônicas 7.
Enquanto a igreja mantinha seus olhos fechados muitos desses líderes, tal qual uma raposa de mansinho se aproximaram da ditadura envergando a bandeira bíblica de que “toda autoridade é constituída por Deus.” Só pediram para os fiéis abrirem os olhos para que vissem eles se banqueteando na mesa do poder como prova de resposta da oração. Enquanto isso os fiéis continuavam com o mesmo pão e água de sempre, domesticados pelo autoritarismo.

Com o fim do AI-5 e a queda do militarismo, morrendo de medo, novamente parte expressiva da liderança evangélica correu para mais uma vez fechar os olhos do povo para orar e não ouvir o clamor de seus jovens, a dor de seu povo enquanto preparavam mais um lugar confortável para repousarem, pois associados à ditadura, com o fim da mesma, temiam por seus destinos. Olhos dos fiéis novamente abertos somente para que as ovelhas vissem seus pastores abocanhando a oportunidade dada pelo Collor a quem apoiaram. Aliás, quem não apoiasse era tido como “contra Deus”. Ser pró PT era ter aliança com o diabo.

O PT reverteu o jogo político e preparou um lugar “confortável” E agora?
Mais uma vez, esses líderes pediram para a igreja fechar os olhos e orar, clamar até que a resposta viesse. 
Adivinha qual foi a “resposta” divina? 
O sucesso deles como prova de que a “igreja” estava sendo beneficiada. 
Só se para eles igreja for o caixa que administram, porque se for as pessoas que a ela pertencem, essa continuou na mesma, levantando cedo e dormindo tarde para ganhar o pão suado e enfrentando filas de madrugada para marcar uma consulta médica.

Costuraram acordos para se locupletarem e deixar o covil cada vez mais confortável.

A Frente Parlamentar Evangélica, formada no mesmo ano da eleição do Lula, tomou conta do noticiário nacional no seu primeiro mandato, ao ter quase metade de seus componentes envolvidos no desvio de verba parlamentar.

Enquanto a igreja fecha os olhos para orar, deve-se perguntar sobre o que de concreto pelo bem de nossos jovens, pelo bem da saúde e educação do povo a Bancada Evangélica com cerca de 80 deputados e 4 senadores fazem?

Arrumam confusão pois praticamente todos têm algum processo correndo contra eles. Como todo réu político nesse país, alegam inocência escondendo-se atrás da falácia de se tratar de um perseguição política ou religiosa.

Apesar de desfrutarem de excelentes benesses parlamentares nenhum deles se manifestou contra as excessivas verbas parlamentares, empunhou uma bandeira da saúde ou educação, simplesmente pedem que a igreja feche os olhos e orem e certamente continue trazendo todos os dízimos para que Deus repreenda o devorador do pouco que ganham e não deixem de comprar as bugigangas gospel para ser abençoada.

Quando jovens e adolescentes saem às ruas para lutarem contra a injustiça e os desmandos desse país e contra as falcatruas políticas que inclui esses evangélicos, novamente querem que o povo entre em seus templos e fechem os olhos? Não querem que o povo abra os olhos e vejam a realidade? Justiça não se faz com oração, se faz com postura, com ação.

Jesus nunca trabalhou para montar um covil e muito menos às custas da inocência do povo que ele amava. Quando Jesus orava era para ter forças para enfrentar os hipócritas farisaicos que se oporiam a ele na sua luta contra o banditismo em nome de Deus que extorquia os pobres.

Sabe o que esses políticos evangélicos fizeram de relevante?

Apoderaram-se de coisas que não lhes pertencem. Defendem temas que lhes dão notoriedade e garantem seus covis sempre abastecidos.

Se tornaram conhecidos não pela seriedade com que tratam a vida humana, o respeito pelo bem e a defesa da justiça. São conhecidos pelos seus aviões, templos suntuosos, absurdas fortunas pessoais. Também são conhecidos por escândalos financeiros, morais e éticos. São confundidos com empresários e não com Cristo.

Há alguns que querem ser o pai das manifestações para continuar garantindo o seu quinhão, mas falácia o povo não engole mais, #oGIGANTEacordou.


Eliel Batista

5.6.13

Cá entre nós, sabemos nos amar!




Quero celebrar este e muitos outros anos ao lado de meu grande amor, Gisleine.
Completo 26 anos de casado com uma mulher admirável!
Admirada não só por mim, mas pela família e amigos.


Suas qualidades me ajudaram a amadurecer, a compreender a vida com mais sensibilidade, a entender que o cuidado e o carinho é o melhor trilho para uma comunicação eficaz.
Meus melhores anos foram e estão sendo ao lado dela.
Pelo andar da carruagem, os próximos serão os mais brilhantes e aconchegantes.

Sua capacidade de compreender e se solidarizar me constrangem. Sua força e tenacidade me humilham, não em um sentido negativo, mas como um desafio que se coloca diante de mim, tal qual um espelho onde encaro que há espaço para crescer e aprender.

Nos conhecemos há 34 anos, começamos a namorar há 29. Tempo suficiente para saber que, apesar da pouca idade na época, tomei a decisão mais acertada de minha vida.
Não nos completamos simplesmente, nos amalgamamos.
Penso que respondemos "sim, porque não!" a pergunta do poeta: “por que é que não se junta tudo numa coisa só?”. Aprendemos sobre parceria, cumplicidade e responsabilidade para com a vida. 
Há quem chame isso apenas de casamento, eu chamo de amor vivo, duradouro.

Já choramos muito juntos, isolados, um pelo outro, um por causa do outro e penso que ela muito mais por minha causa do que eu por causa dela. Já rimos outro tanto juntos e um do outro. Sofremos, celebramos, cantamos, nos calamos e insistimos.
Sei que ela já rilhou os dentes, engoliu seco e seguiu em frente – fui salvo! E assim, nos salvamos, vivemos, aprendemos e nos amamos. 
Eu te amo mais e mais a cada dia que passa.
O tempo não tem corroído nosso amor; tem amadurecido.

Solfejo a canção, “Só nós dois é que sabemos”.

Só nós dois é que sabemos
Quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor forte e profundo
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo

Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece que vais na rua
Vem ser minha e eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta

Só nós dois é compreendemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
A tortura dos desejos
Vamos viver o presente
Tal qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só deus sabe o que será

Anda, abraça-me... beija-me

Eliel Batista Salve 06/06/2013



22.4.13

PREFIRO COMER PIPOCA A IR PARA UMA MANIFESTAÇÃO PACÍFICA GOSPEL.



Uma pesquisa do Datafolha apontou que a população brasileira é religiosa e conservadora.

Está para ser votada uma lei que criminaliza a homofobia. Se os representantes políticos fazem parte da nação, a proporção garante posturas conservadoras nos “Poderes Nacionais”.
Esta lei, independente da polêmica, está sob a decisão do poder legislativo e por fim sanção da presidência. 

Não há nenhuma ingerência popular sobre ela. Por mais que a população grite e esperneie, são os legisladores que aprovam. 
Fico me perguntando por que alguns legisladores convocam a população para algo que eles são os agentes. Seria como um motorista de ônibus convocar os passageiros para gritarem: “- dirija!”. Mais ainda, qual o interesse de um pastor em tal convocação?

No poder legislativo, qualquer parlamentar pode questionar, sugerir, pedir pareceres, exigir mudanças, inserção ou supressão de artigos. Se isto se der a partir de uma bancada e ela for uma das maiores como a evangélica, mais ainda se dará ouvidos às manifestações e/ou exigências.
Sem os devidos acordos e aprovação da maioria, nas duas casas legislativas, nenhuma lei é aprovada e mesmo depois de aprovada ainda deve ser sancionada pela presidência da republica, que em caso de veto todo o processo é refeito. Qualquer lei que preencha os requisitos legais e constitucionais, que não fira os direitos dos cidadãos, por mais setores discordantes que existam, pode ser aprovada, pois caso contrário, estarão sujeitas à anulação pela justiça.
Sabe por que o Código Ambiental foi aprovado? 
Não se deu por causa de uma conspiração, mas porque os parlamentares votaram, mesmo diante das manifestações que se deram em Brasília.

Convocar pessoas para se manifestarem sobre algo que elas não têm poder de decisão não faz sentido. Exceto se a convocação tiver outro objetivo; escuso no caso.

Para que uma manifestação pacífica?
Aliás, uma redundância para o cristão, pois está implícito a um cristão ser pacífico. Faria um pouco mais de sentido uma manifestação pacificadora, pois se há algo que a fé cristã deve sempre demonstrar publicamente é seu poder pacificador. Porém, porque esta não é convocada? Seria por que para ser pacificador deve-se ouvir o outro e usar de justiça e bom senso?

Daí eu penso: A evidência na mídia garante o assédio político eleitoreiro com suas propostas polpudas e vantajosas nos mais variados sentidos.
Este assédio estaria garantido a um pastor que demonstrasse sua capacidade de influenciar o “povo evangélico”. 
A eleição da CGDAB, convenção que acessa cerca de 12 milhões de fiéis seria uma boa maneira de demonstrar “força política”. 
O candidato ganhador estaria sob o olhar das câmeras apresentado como o “cara” que tem ingerência sobre as “cabeças” evangélicas. 
Mesmo depois de todo o esforço televisivo, o candidato a quem o Malafaia se opôs, tal qual na eleição paulistana, ganhou. Duplamente, pois além da eleição apareceu em rede nacional de televisão, nos principais jornais do país e automaticamente é e será o assediado pela política eleitoreira.

Abandonado pelas câmeras, solitário na liderança, com os holofotes voltados para o polêmico Feliciano, resta ao Malafaia demonstrar sua capacidade de mobilizar os evangélicos. 
A melhor maneira seria uma grande manifestação.

Para não correr riscos, já que a imagem está se desgastando, é melhor convocar cantores aos borbotões para que o povo compareça, afinal o que levaria o povo evangélico para a praça?
Eu digo: Uma grande “Campanha Evangelística”, uma convocação para “Manifestação do Poder Pentecostal”, um show gospel inútil com adjetivo fake de “para glória de Jesus”, ou uma guerra moralista. Pois para lutar pela justiça e igualdade; atualmente? 
Eu não esperaria da maioria do povo evangélico.

Ir a uma manifestação que discordo do nome, “Pacífica”, com a desculpa de “liberdade de Expressão”, fato consumado pela constituição, em defesa do culto, também garantido pela constituição, para um objetivo de efeito nenhum, pois o máximo que se manifestará é a força política do líder, prefiro comer pipoca.

Por que?
Não se come pipoca sozinho, nem num ambiente tenso, mas sempre num ambiente descontraído e de boas amizades. 
No caso, prefiro comer pipoca com a minha família, pois afinal se sou a favor da família é com eles que preciso estar e não numa praça batendo bumbo cuja única vantagem será para quem mesmo? 
A família não se defende na praça, se defende lavando louças juntos.

Me desculpem os ultraconservadores, mas os maiores ataques contra a família não vêm de fora, das leis. O piores e maiores ataques contra a família vêm bem de dentro, do egoísmo, machismo, indiferença, do consumismo, do amor ao dinheiro e ao status social e outras coisas que são colocadas no lugar das pessoas dentro da família.

Eliel Batista

23.3.13

HERÓI NO MOVIMENTO EVANGÉLICO PENTECOSTAL BRASILEIRO


(As bases para a intolerância, preconceito, sectarismo e outros valores do anticristo)

Jesus deixou um aviso de que o mundo seria perigoso, haveria risco de morte, perseguição e pouco espaço para uma fé defensora dos fracos e oprimidos. Entretanto, a estatização da fé inverteu o jogo e, de fracos e oprimidos, os crentes passaram a fortes e opressores.

Saltando o tempo desde Constantino, chegamos ao Brasil católico com imaturas tensões contra os protestantes. Herdeiros dos protestantes, evangélicos não sofreram estes embates, exceto na conflitante convivência entre protestantes e o movimento pentecostal.

Num país democrático como o nosso, com uma constituição que concede amplos direitos à expressão religiosa e de culto, o tema perseguição religiosa não tem força e nem espaço, exceto se colocarmos como disputa religiosa ou de mercado religioso: briga por poder, ou aumento de fiéis. Quem ficará com a maior fatia do poder?

O apocalipsismo americano, do fim do século XIX, trouxe de forma contundente a ideia de que a fé seria provada pelas perseguições, apresentando quase como uma necessidade o ser perseguido como prova de se estar certo e no caminho correto, criando assim uma síndrome de perseguição e implantando as bases para a suposta existência de uma teoria da conspiração. Junto com isto as premissas de santidade como ascese levaram o movimento a se opor a qualquer fator discordante de seus valores e ritos. Há a ideia de que a ação mais marcante do anticristo seria proibir o culto.

Houve um acintoso ataque de evangélicos contra o catolicismo romano e religiões afro. A princípio isto uniu o povo numa espécie de guerra santa, porém isto não sustenta mais a unidade do povo evangélico, pois este convive com boas pessoas destas outras expressões religiosas.
Enfim, apesar de haver exceções, nosso Brasil pacífico e pacificador acomodou as relações e em tese não existiriam perseguições religiosas, exceto pelos intentos descritos mais abaixo.

Sem se sentir vítima e sem um opressor poderoso, a unidade dos crentes esfacelou-se, os heróis ficaram sem causa e aquele inimigo que outrora fora apresentado como o teste da fé tornou-se amigo. A solução, ou resposta foi transferir para o "mundo espiritual".

Nesta ausência de uma guerra apocalíptica palpável, na década de 90, surgiu a teoria dos demônios territoriais. Era tudo o que se precisava para juntar o povo evangélico pentecostal.
Foi quando surgiu a Marcha Pra Jesus a fim de destituir esses demônios que supostamente controlavam as cidades, as riquezas e o governo.
Mas perdeu a graça.
Apesar de todas as marchas, nenhuma mudança significativa, até porque não dá para saber se os demônios se foram ou não. Os mesmos caciques dirigem o congresso nacional e os mesmos controladores das riquezas estão mais ricos.
Atualmente a Marcha para Jesus tenta sobreviver, o clima belicoso motivacional parece que fica por conta de concorrer com o inimigo da vez, a Parada Gay.

O que poderia unir o povo evangélico e quem os uniria?

A causa de Cristo é um processo muito lento como um fermento na massa de pão e, por natureza policêntrico, inviabiliza a existência de um herói único e responsável pelo seu avanço.
Quem neste ambiente desejar ser um herói e constituir-se como um "novo Moisés", unindo o povo e o liderando, conseguirá em função de uma guerra. Por isso, encontramos igrejas e pastores que se viabilizam guerreando contra seus pares ou contra outra religião. O mesmo princípio utilizado pelo Bush na guerra contra o Iraque e para nomear o eixo do mal.

Num ambiente assim há pelo menos seis características para o "ungido" ser aclamado: (expressão utilizada como reconhecimento de um enviado de Deus):

1- conhecer os problemas internos e usá-los como prova de que o movimento não é mais poderoso como deveria ou como teria sido um dia, como se este dia tivesse existido. Um clima de que a igreja corre o risco de fechar.

2- demonstrar que as falhas internas são causadoras do enfraquecimento da igreja e isto é culpa de quem não se compromete. Falta oração, santidade, consagração e atitude.

3- empoderar o povo com a lembrança de que a Igreja é de Deus e nada poderá deter os intentos dela.

4- apresentar como solução a unidade do povo em torno de suas propostas.

5- eleger para si uma missão que ele dá conta, mas demonstrar que é muito perigosa. Não é para qualquer um, mas somente para os agraciados por Deus como ele.

6- constantemente eleger um inimigo poderoso que ameace a missão.

Apossando-se da fala de Jesus, "sem mim nada podeis fazer", inflamam a proposta solucionadora com o "Deus pode, mas Ele está comigo", colocando Deus e o povo refém de seu dom.

É fácil observar como os líderes que mais se destacam no meio evangélico, invariavelmente, no discurso interno são pessimistas. Eles propõem que a Igreja está quase perdendo sua liberdade, enfraquecida perdendo o respeito e dignidade.
Se os fiéis, aqueles com quem Deus conta, não investirem neles a igreja corre o risco de fechar, morrer, e o Brasil cair nas mãos do inimigo (que é mutante).
Por outro lado no discurso externo são otimistas apresentando os evangélicos como "uma força a ser respeitada".
E para ambos, interno e externo, discursam que todos devem se dobrar aos evangélicos e seus desejos. Briga por território, não mais espiritual, mas sim, bem carnal.
Correm atrás do poder alavancado por um discurso belicoso, da teoria da conspiração, usando a performance de palco, com linguagem clichê do dialeto interno do movimento, a qual chamam de unção.

A meu ver o sectarismo, a perseguição religiosa, o clima fascista, a evangelização belicosa e a busca por obrigar o Brasil e os brasileiros a serem evangélicos é fruto da megalomania messiânica gestada pelo apocalipsismo americano do século XIX que insuflou no meio evangélico brasileiro um espírito estranho ao de Cristo. Quer ter seus pés lavados e não lavar os pés de ninguém.

Enquanto a evangelização partir do pressuposto pessimista de que o ser humano é lixo, uma escória de pecadores e que sua dignidade está em ser servido e não em servir, em ter poder e não em amar, haverá a contínua busca e espera de um messias que em seu próprio nome cumpra a promessa feita pelo demônio no deserto: "me adore e você terá poder, o mundo estará aos seus pés".

A igreja, sem se sentir digna, aceita a proposta de que servir aos intentos destes messias ou ungidos lhes conferirá dignidade e poder.
Assim sendo, sempre que surge alguém em seu próprio nome dizendo, "Cristo está aqui, ou ali", a este seguem cegamente e o elegem seu rei.

Eliel Batista