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13.7.09

Idéias mortas ou vivas? Pensamento sobre teologia


O simples pensar sobre Deus, requer uma audácia só permitida porque Ele ama e sabe que somos pó.
Pensar em Deus é desfrutar da graça, diferente de pensar sobre Ele, que sempre carrega em si um ar de pretensão arrogante. Tudo o que dissermos sobre Deus sempre será insuficiente.
Tudo o que temos no mundo concreto são pistas do Criador para além da criação.

Sigo por uma delas.

Recolho-me com humildade a buscar nas lógicas humanas uma pista que me indique o caminho para viver à luz de Deus.
Faço isto por não aceitar a possibilidade de confinar Deus a uma ou mesmo a milhares de definições ou sistemas doutrinários.
Falar de um Deus vivo necessita de um conjunto de idéias, ao qual denominamos de Teologia, que também seja dinâmico como qualquer organismo vivo.
Se esta Teologia for um sistema morto, não é possível utilizá-la para representar idéias sobre Deus, pois fatalmente estaríamos descrevendo um ídolo que tem boca, mas não fala; ouvidos, mas não ouve; olhos, mas não vê.

Existem algumas características que descrevem qualidades da vida humana e duas me chamam a atenção:

Vida vegetativa:
É uma forma positiva de dizer que um ser humano apesar de não produzir, ou não mais processar e interagir as percepções do mundo como se apresenta, ainda vive.
Não age e nem reage adequadamente aos estímulos, mas apenas se mantém em um determinado equilíbrio. Realiza as funções básicas, mas sem qualquer relevância para o mundo que o rodeia.

Morte Cerebral:
O cérebro não exerce qualquer influência no organismo. O organismo cumpre com a sustentação mínima do fluxo sanguíneo por hábito, mas não por uma interação ativa.

A partir destas duas concepções podemos concluir que, qualquer organismo vivo se caracteriza pelo fluxo contínuo do metabolismo e por grandes mudanças.
Se ele mantiver o seu equilíbrio químico e térmico é considerado um organismo morto, ou nas descrições acima, apenas uma sobrevida.
A vida é constituída de milhões de reações e mudanças metabólicas contínuas com fluxo constante de energia. Em um organismo vivo nada se mantém em equilíbrio, são as mudanças constantes que o caracterizam como vivo.
Em função disto, podemos dizer que a vida vegetativa humana, ou a morte cerebral, mantém o equilíbrio a partir do hábito ou da repetição.

A teologia carrega em si o fator animador e revitalizador da fé em Deus.
Ânimo e revitalização são características de um organismo vivo. Por isso não receio usar a expressão “sistema vivo” para a teologia como um figura de linguagem.

Podemos comparar então, o sistema vivo ao sistema teológico adotado por nós evangélicos.
Em nome da conservação da tradição e para não se desviar da sã doutrina, a Teologia Sistemática organizada para manter viva a fé cristã, com o passar do tempo demonstrou características de um sistema de vida vegetativa ou de morte cerebral, isto é, uma teologia morta.
Ela normalmente é apresentada para o estudo, como um conjunto pronto e perfeitamente completo, exigindo do estudioso a simples repetição e a manutenção, para que se mantenha o equilíbrio da fé.
Sabemos que um sistema em equilíbrio é morto, e portanto também não sabe do significado de sua existência.
Assim se apresenta a Teologia Sistemática.
Depois de tanta repetição ninguém mais sabe a razão de sua existência e qual o seu papel de fato.
É indicativo de vida gerar o novo, criar e interagir.
Se a Palavra de Deus se renova a cada dia, uma teologia congelada só pode abordar outro deus que não o Deus que vive.
Só se pode pensar sobre um Deus criador e criativo que instiga a novidade a cada manhã, de uma forma teologicamente viva.

Temos um novo mundo e uma teologia da idade média, que criada para agir e reagir com o mundo de então, ficou congelada no tempo, e não mais interage com aquilo que a rodeia, não gera vida e esquecida do significado de sua existência, não se percebe como um sistema que não produz mais a fé nas pessoas, mas apenas arrazoamentos e muitos deles desconexos e até mesmo contrários à vida.

Os faraós na tentativa de se perpetuarem construíam sarcófagos, que apresentava uma imagem bonita e conservada em ouro, mas que na realidade se encontravam completamente deteriorados, sem vida e incomunicáveis com o mundo.
Hoje, por causa de seu enrijecimento e desejo de ser a resposta perfeita, a Teologia Sistemática perdeu a vida e se parece mais com um sarcófago da cristandade, do que com o cristianismo vivo. Quer se apresentar com ar de jovem, bonita e atual, mas está vegetativa e com morte cerebral.
Precisamos urgente de uma Teologia que se admita impotente diante do Deus para além da criação. Necessitamos de água fresca, vivificante e que produza a essência da vida e uma fé viva e não a irônica repetição de definições absolutas sobre um Deus indefinível.

Se quisermos falar de um Deus vivo, precisamos deixar as pré-concepções de divindades gregas do Deus impassível, apático e super homem e olharmos para a singeleza de Jesus de Nazaré, pois nele habita corporalmente toda a divindade e ele é a exata expressão de Deus.

Eliel Batista.

3 comentários:

  1. Olá Eliel!
    Gostei muito desse tema. E o jeito que você transmite, nos estimula a repensar a forma de perceber Deus. Claro, que não podemos encaixotá-lo nos nossos conceitos; mas podemos avançar a nossa percepção em relação a Ele.
    Interessante essa sua colocação:
    "Se a Palavra de Deus se renova a cada dia, uma teologia congelada só pode abordar outro deus que não o Deus que vive. Só se pode pensar sobre um Deus criador e criativo que instiga a novidade a cada manhã, de uma forma teologicamente viva."

    Abraços
    Leny

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  2. Saulo Sodré Nunes4:46 PM

    quem sou eu: Eu estava pensando depois de ver algumas séries em canais pagos e também na internet...
    Será o que faria uma pessoa perdida em uma ilha deserta depois de um naufrágio trágico?
    Fico a pensar que esta pessoa todos os dias e noites, teria em seu coração de que um dia alguém virá resgatá-lo, ele o náufrago, sabe que ele não é daquele lugar, que ele precisa sobreviver ali más jamais se adaptará aquela situação hostil.
    Imagino seu coração ardendo por um reencontro com sua pátria, seus entes queridos, seu coração deseja profundamente este encontro, levando a suplicar a todo tempo...Preciso sair deste lugar...Eu tenho de ser resgatado! Ele jamais se apegará as coisas que ali se encontrão, das coisas que ali produz, nada será levado quando ele partir, pois o que foi deixado em sua pátria, sua casa é muito melhor, é muito mais valioso e ele não se deixa iludir-se com as coisas que ali estão, seus pensamentos não estão ali, más apenas o seu corpo encontra-se estagnado, limitado, impelido pelas leis físicas que o submetem...
    Então diante de tudo isto começo a pensar por mais uma vez....
    Porque nos acostumamos a estar nesta ilha chamada mundo?
    Se não somos desta pátria como diz as escrituras sagradas, nos colocando na situação de peregrinos, porque damos tanto valor a esta coisa passageiras que não agregam valor algum diante de que foi deixado em nossa verdadeira pátria?
    Então como aquele naufrago, deveríamos estar ansiosos, por um resgate, o desejo de deixar o quanto antes esta terra estranha, deveria ser eminente, cotidiana, paulatina, abrupta, o desejo de estar com Deus, seus Anjos e teu amado filho adjunto do Santo Espírito deveria ser não apenas um desejo más sim uma necessidade, como se um pedaço estivesse faltando, como um quebra cabeça que sem uma peça não estará completo, assim deveríamos estar desejosos por este encontro o quanto antes!
    Más o que tenho visto e ouvido são pessoas em busca da imortalidade, pessoas que não querem morrer, querem ser humanos perfeitos, não querem deixar esta terra passageira, aberrações e possessos, enganados e iludidos, se voltam contra Deus...
    Disse Jesus...Quem perder asua vida por amor de mim acha-la-á,
    não estou dizendo para tirar a sua vida, más para estar atento aos avanços da genética que quer tornar a humanidade imortal, com nanos robores que ficaram circulando pelo seu corpo em busca de células mortas destruindo possíveis doenças e degeneração biológicas, mudando seu DNA e se alto reproduzindo dentro de você tonando humanos em nanobotes ou homens artificiais, estão praticando mutações genéticas misturando espécies e muito mais coisas absurdas diante da face do Senhor!
    O que devemos esperar?
    A ira de Deus já esta sendo derramada!
    Não estejamos cegos diante de tantos fatos sólidos! Concretos! Abramos pois nossos olhos e busquemos a face do Senhor para sermos resgatados deste mundo terrível.
    Ai da terra diz um anjo a João em suas visões...Ai da terra!

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  3. Olá Saulo,
    eu não entendi muito o que seu comentário quis dizer. Ou eu estou fora de contexto, ou minha mente não é capaz de alcançar tais elocubrações.

    Mas sei de uma coisa, não existe vida boa no céu, sem uma vida comprometida na terra. O chamado a sermos santos é imprescindível para quem quer galgar as alturas.

    Assim quando você diz que "tem gente que quer ser uma humano perfeito" e coloca isto como algo negativo, fico absorto, pois acredito muito na humanidade e no potencial de sermos parecidos com Jesus de Nazaré.

    Quando você diz que a ira de Deus é derramada, eu penso na cruz, onde se existe ira ela foi aplacada.

    abraços
    Eliel Batista

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