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1.11.07

Inferno Religioso


Parece que um dos pilares existenciais do inferno é o engano.

Designado como seu principal mentor, o diabo é apresentado pelos escritores bíblicos com sutilezas e requintes da enganação. Ironicamente um verdadeiro mentiroso.
Pelas descrições bíblicas não se pode considerar assustador dizer que na placa do inferno estaria escrito céu, e no crachá do diabo, Jesus.

Não é à toa que Jesus disse que outro viria dizendo ser ele, e João o chama de anticristo.

Aprendemos a identificar e dar crédito às coisas pelos nomes que elas recebem.

Salvo engano, a placa indicativa de um estabelecimento informa o que se encontra dentro. Sabemos sua atividade e principais características de interesse.
Ninguém adquire um litro de leite esperando um Peróxido de Hidrogênio (H2O2- água oxigenada).

Damos créditos aos conteúdos pelos seus rótulos.
Quando o rótulo sugere uma idéia e o conteúdo difere completamente, temos o engano. De imediato se denuncia a mentira. Propaganda enganosa é crime, e falsidade ideológica também.

O que se pode esperar de uma instituição cujo rótulo indica Cristo?No meio evangélico, os fiéis comumente pronunciam frases no mínimo curiosas, do tipo:
- Placa de igreja não diz nada.
- Se placa fosse bom não ficava do lado de fora
- Não olhe para o nome, olhe para Jesus.
- Não se importe com o rótulo, o importante é Cristo.
- Não olhe para homens, olhe para Cristo.

Se o objetivo destas lamúrias internas, sugere que não se deve colocar expectativas divinas nas instituições ou pessoas, até poderíamos dar um desconto considerando como um alerta, não em relação ao conteúdo, mas das expectativas quanto ao conteúdo.
Porém, cá entre nós, todos os evangélicos sabemos que a ênfase do alerta é tentar salvar o fiel.

Salvar de quê mesmo?

De se desviar ao constatar que a tese é boa (o rótulo), mas a prática contradize-a (conteúdo).
Interessante considerar que os evangélicos, enganados ou não, tentam evitar que o noviço da fé se desvie, pedindo a ele que não creia nos conteúdos (prática) da igreja?
Temos aqui um sério problema.

Esta realidade em nome da fé, levada às últimas conseqüências, me levam a intitulá-la de Inferno Religioso.

Talvez amenizando poder-se-ia dizer: “Aqui jaz coisa boa”

A ambiguidade do ambiente infernal em tese promete o bom da vida, mas antagonicamente incapacita a desfrutá-la.
De igual forma, o Inferno Religioso gera pessoas híbridas que não crêem naquilo que deveriam crer, mas crêem naquilo que lhe ensinam que deve crer, mesmo que incoerente.

Sem nenhuma certeza de ser alvo do amor de Deus e baseado na propaganda de promessas de soluções pela fé de todos os problemas, o duvidoso crédulo aposta no discurso dos outros, mas que não têm sustentação na realidade da vida.


Tomado por um sentimento de abandono caso questione as incoerências, enfraquecido pela aura divina dos falastrões, o crédulo não consegue soltar as sufocantes amarras e para se autoconvencer segue diariamente dizendo:

- “Continue crendo, mas não olhe para o rótulo, olhe para Jesus”.

2 comentários:

  1. Bom texto Pastor Eliel, tem sido palavras atuais, pois estou vivendo em meio a tantas angustias e sufocantes amarras dos erros de igrejas. Vejo que é realmente isso o que acontece, um discurso totalmente comodismo, conformismo religioso...Viva a reforma!!!

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  2. Caro Eliel,

    Parabens pelos textos postados, especialmente esse. Há tempo vc me inscreveu no Padaria Espiritual, mas até hoje não recebi nenhum contato. Por favor queira solicitar novamente a minha inclusão no grupo.

    Um abraço
    Paulo Silvano
    posis@uol.com.br

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