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17.11.12

A DIGNIDADE HUMANA E A GLÓRIA DE DEUS



1- Justificativa 

Algumas pessoas me abordaram com perguntas sobre uma "tal teologia moderna" que, ou "estaria ameaçando a igreja" ou eu "adotara" e, estaria me desviando.
Percebo em quase a totalidade das vezes, pouca informação ou uma confiança maior no invariavelmente distorcido "ouvi dizer".
O mais chocante para mim é, depois de um bom papo e os devidos esclarecimentos sobre os fatos, ver a expressão facial dos inquisidores revelando decepção ou desconfiança ao constatarem que eu não me desviei.
É verdade que há aqueles que se revoltam ao saberem que deram crédito a boatos impensados e porque não, até mesmo maldosos.

Considero necessário colocar que sou apaixonado pela Bíblia, amo a Cristo e desejo mais que tudo que Ele seja conhecido por todos.
Dado o "frenesi" é importante abordar alguns aspectos daquilo que tem gerado inúmeros rótulos, tais como, "teologia humanista", "teologia antropocêntrica" ou no mais popular uma teologia para agradar homens.

Comecemos encarando o fato do dogmatismo doutrinário servir como um instrumento de dominação.
Qualquer poder para se manter sufoca as propostas que o ameace e para isto os rótulos são excelentes ferramentas.
Para levar a cabo a dominação, quase sempre aquilo que foi rotulado não necessariamente corresponde ao rótulo dado.

O devoto ao se abrir para além do dogmatismo, corre um sério risco de compreender que dentre as coisas que o aprisionam, a mais apertada algema é o arcabouço doutrinário homologado como única verdade para que ele seja reconhecido pelo dogmáticos como um cristão.

Às vezes, uma expressão que em si mesma não é boa nem má, passa a ser pejorativamente acusada de maléfica; rotulada de antideus.
Na verdade, se o poder instituído apresentar algo como muito maléfico, tem grandes chances deste mal ser altamente destruidor, não da fé, mas do sistema que homologa o poder.
O fiel se vendo livre do dogmatismo doutrinário não mais sustentará o poder, que ruirá.
Sim, a verdade liberta.
Quando o fiel tem acesso à ela liberta-se de todo o poder dominante e este é o veneno. Não contra o crente, mas contra os dominadores.

Pensar não é pecado. Buscar e conhecer a verdade é libertador. Conhecer novas coisas só é danoso para a ignorância. Aqueles que se sentem donos da verdade consideram pensar como um pecado, quando aquilo que dominam é ameaçado.

2- Interpretações.

Uma mãe cuidadosa e dedicada, segura o bebê até que durma. Coloca-o delicadamente no berço, apaga a luz, fecha a porta silenciosamente e se retira do quarto satisfeita, pois o filho está alimentado, protegido e descansando.
O bebê por sua vez acorda, abre os olhos e constata estar sozinho, abandonado no escuro, sujo e com fome.
Talvez pensasse: que mãe é esta que engana um filho tão frágil? É só dormir e ela me abandona por completo, eu tão dependente e indefeso?

Se ao interpretar os fatos da vida ocorrem variáveis, não pensemos que teologizar esteja isento de uma pluralidade de percepções.
Sujeito e objeto de conhecimento se imbricam numa interação em que, o sujeito tem influência naquilo que deverá ser conhecido dando nuanças diversificadas à conclusão.

3- A questão em si.

A Teologia, como a maioria das pessoas conhece, parte do pressuposto de que o
ser humano tem garantido sob seus pés a danação eterna. A partir desta base se
fala sobre o amor de Deus. 
A saga humana tem sua centralidade e o desenrolar de
sua história a partir da Queda - do pecado.

A partir da teoria da Queda, isto mesmo, TEORIA (queda não está na Bíblia), assimilamos uma ideia de que desde então não prestamos.
Isto porque um sujeito chamado Adão, em idos tempos, comeu um fruto proibido e ocasionou uma "mudança" no conceito que Deus tinha a nosso respeito.
Deus teria nos criado e viu que era bom, mas com a desobediência teria se arrependido ou dependendo da linha teológica, a partir daquele ato não teria mais nenhum compromisso em defender o humano, e teria por justiça o dever de destrui-lo.
A partir deste evento, Deus, a priori, nos recusa ou tem sérias resistências conosco.

Nos esquecemos, no entanto, que dizer "não prestamos", não é uma afirmação de Deus a nosso respeito, mas trata-se de uma teoria que dizemos Deus ter a respeito de nós a partir de uma interpretação.

Esta teoria teria sido uma interpretação a partir de qual ângulo?
Da mãe que põe o bebê para dormir, ou do bebê que acorda no meio da noite?

Há apenas uma maneira de ler a Bíblia?
Esta que parte do pensamento de Deus não nos querer bem, como um fato verdadeiro?
Ou como alguns entendem: "O texto comprova que Deus não precisa nos querer bem e tem o direito de nos desejar o mal".

Para Deus ser bom, ou sua bondade ser demonstrada é necessário que o homem seja mal?
Jesus não oferece a possibilidade de entender o propósito de Deus de outra forma?

Fomos tão doutrinados com esta teoria que ela se tornou uma verdade pétrea.

O racionalismo deu ao conhecimento racional o status de verdade absoluta e com tal intensidade que ele já foi tratado como uma pedra basilar - a pedra do conhecimento.
Se alguém quisesse construir um edifício verdadeiro, deveria fazê-lo sobre o conhecimento racional. Assimilado pela teologia, ao se descobrir um raciocínio lógico na Bíblia, ele deveria, e ainda deve para muitos, permanecer inalterável.

Para o cristão, se há uma pedra na qual deve-se construir uma casa, esta não é o racionalismo. Está mais para uma pessoa, Jesus - "a pedra que os construtores rejeitaram".

Um teólogo na antiguidade teria "descoberto" que a razão do sofrimento humano teria sido sua desobediência a Deus e a consequente mudança da percepção divina sobre o ser humano.
Se para ser uma verdade verdadeira precisa ser um "pedra imutável", não se pode mudar ou pensar diferente.

Estamos tão envolvidos e amalgamados com esta teoria, que qualquer Teologia que ouse contradizê-la afirmando o ser humano como querido, amado e bem visto por Deus, isto desde sempre, é chamada de "modernismo", "desvio da verdade cristã", "humanismo" com um sentido pejorativo que se oporia à glória de Deus, e também como uma "teologia de glorificação ou deificação do homem".
"O homem querendo ser Deus", afirmam.

É como se ao defender a dignidade humana tirasse a glória e dignidade de Deus.
Mas afinal, o homem não é a glória de Deus como nos informou Paulo?

Concluo então, com pelo menos dois motivos do porque se recusa qualquer interpretação diferente da "oficial":

  • O dogmatismo mantém poder.
  • O critério de verdade que sustenta o dogmatismo.


Há quem revise a teologia e parta do pressuposto de que Deus ama o homem a
ponto de criá-lo e garante este amor tornando-se igual a ele. 
A saga humana tem
sua centralidade em Cristo e a história se desenrola por meio do amor de Deus.

Nenhum cristão deveria pensar que a glória de Deus é rejeitar o humano ou que o ser humano ser querido por Deus é antiDeus.
A bandeira mais levantada por todo e qualquer evangelista sempre foi João 3:16 "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho...".

Ser um humano é tão precioso que a Teologia cristã afirma que Deus se fez homem.
Ele deixou sua própria glória para assumir sua identidade divina como humano. Não há nenhum outro meio de conhecer Deus que não seja na forma humana.
Mesmo que afirmar isto seja uma "deificação do homem", uma "antropocentrização" ou um "humanismo", o cristão deve defender, aceitar e admitir a ideia porque se é o que está revelado em Cristo faz parte da fé cristã.

Teologia deve glorificar a Deus.

Isto é verdade, mas devemos nos lembrar que Deus não é glorificado como normalmente entendemos como se glorifica alguém, como por exemplo colocando-a no pódium, ou sentando-a em um trono para ser ovacionado.
Na tentativa de glorificar a Deus, por vezes a Teologia o prende num "soberanismo", e cria resistência à possibilidade de Deus ser glorificado como o servo que lava os pés de seus amigos, ou o maldito pendurado numa cruz?
Jesus disse que seria glorificado no amor e não no poder.
Jesus disse que "não aceitava a glória que vinha dos homens" e noutra feita disse que "aquilo que é exaltado entre os homens é abominação para Deus" e ainda que "no Reino dele o exaltado é o menor".

Entendamos que no Reino de Deus ser exaltado não significa ser transformado no maior, mas permanecer menor, pois no momento em que o menor se transformar no maior deixa de ser o exaltado do Reino.
A glória, segundo Jesus, não está no maior, no mais forte, no aplaudido.

Deus é glorificado na sua vontade, e sua vontade eterna não foi ficar sentado no trono e rodeado de brados, mas inserido na humanidade, que Paulo nos diz ter sido o "eterno propósito de Deus estabelecido em Cristo".
Aferimos, portanto, Deus glorificado no fato de ser reconhecido humanamente - "o Pai é glorificado no Filho".
Manter Deus no trono é recusar Deus entre nós como fizeram aqueles que promoveram sua crucificação. Eles consideraram impossível Deus ser parecido com Jesus.
Ele está para sempre conosco.

A Teologia que reconhece a dignidade humana, não é antideus, é cristã, exceto se ser cristão significar ser antideus como disseram os fariseus nos dias de Jesus.

Espero que na mente dos cristãos os rótulos não ganhem o status definidor de verdade ou mentira. De sã doutrina ou heresia. Antes, independente do rótulo ser bonito ou feio, oficial ou proscrito, se for uma verdade do evangelho de Cristo, seja acolhido por cada cristão.

3- E eu neste meio?

Já deve ter dado para perceber minhas tendências!
Confesso, não sou adepto do dogmatismo, preso às repetições de conteúdos teológicos elaborados em um mundo diferente deste que vivo. Não acredito em conhecimento pétreo, imutável e definitivo.
Esta posição demonstra que minha teologia tende a ser tachada pelos mais conservadores às vezes de liberal, outras de moderna.

Reconheço um conservador também como cristão, mas o fato de não ser conservador, não me exclui do cristianismo e isto eu gostaria, e como gostaria, que fosse respeitado.
Mas sei que é difícil, até porque se um conservador reconhece um não-conservador como cristão estaria abrindo mão de seu conservadorismo.

Mas afirmo que minha teologia não é moderna.
Pelo contrário, critico muito às elaborações modernas da Teologia, principalmente quando as confronto com as antigas e com a realidade do mundo atual.


Admito que minha teologia tenta se exprimir de forma mais atual, mas sei que, ainda assim, nem tanto.

Eliel Batista

2 comentários:

  1. Nossa!! Deus não permita que você seja o "Cristo" da vez.

    Fica na paz com tranquilidade pois eu creio que Ele sabe o que esta no nosso íntimo de tal forma que até nós desconhecemos.

    Abraços, Bella

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  2. gostando d+
    agora seguindo sempre :)
    te espero no meu blog tambem

    ResponderExcluir

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