Inferno Religioso (replay)


Parece que um dos pilares existenciais do inferno é o engano.

Designado como seu principal mentor, o diabo é apresentado pelos escritores bíblicos com sutilezas e requintes da enganação. Ironicamente um verdadeiro mentiroso.
Pelas descrições bíblicas não se pode considerar assustador dizer que na placa do inferno estaria escrito céu, e no crachá do diabo, Jesus.

Não é à toa que Jesus disse que outro viria dizendo ser ele, e João o chama de anticristo.

Aprendemos a identificar e dar crédito às coisas pelos nomes que elas recebem.

Salvo engano, a placa indicativa de um estabelecimento informa o que se encontra dentro. Sabemos sua atividade e principais características de interesse.
Ninguém adquire um litro de leite esperando um Peróxido de Hidrogênio (H2O2- água oxigenada).

Damos créditos aos conteúdos pelos seus rótulos.
Quando o rótulo sugere uma idéia e o conteúdo difere completamente, temos o engano. De imediato se denuncia a mentira. Propaganda enganosa é crime, e falsidade ideológica também.

O que se pode esperar de uma instituição cujo rótulo indica Cristo?No meio evangélico, os fiéis comumente pronunciam frases no mínimo curiosas, do tipo:
- Placa de igreja não diz nada.
- Se placa fosse bom não ficava do lado de fora
- Não olhe para o nome, olhe para Jesus.
- Não se importe com o rótulo, o importante é Cristo.
- Não olhe para homens, olhe para Cristo.

Se o objetivo destas lamúrias internas, sugere que não se deve colocar expectativas divinas nas instituições ou pessoas, até poderíamos dar um desconto considerando como um alerta, não em relação ao conteúdo, mas das expectativas quanto ao conteúdo.
Porém, cá entre nós, todos os evangélicos sabemos que a ênfase do alerta é tentar salvar o fiel.

Salvar de quê mesmo?

De se desviar ao constatar que a tese é boa (o rótulo), mas a prática contradize-a (conteúdo).
Interessante considerar que os evangélicos, enganados ou não, tentam evitar que o noviço da fé se desvie, pedindo a ele que não creia nos conteúdos (prática) da igreja?
Temos aqui um sério problema.

Esta realidade em nome da fé, levada às últimas conseqüências, me levam a intitulá-la de Inferno Religioso.

Talvez amenizando poder-se-ia dizer: “Aqui jaz coisa boa”

A ambiguidade do ambiente infernal em tese promete o bom da vida, mas antagonicamente incapacita a desfrutá-la.
De igual forma, o Inferno Religioso gera pessoas híbridas que não crêem naquilo que deveriam crer, mas crêem naquilo que lhe ensinam que deve crer, mesmo que incoerente.

Sem nenhuma certeza de ser alvo do amor de Deus e baseado na propaganda de promessas de soluções pela fé de todos os problemas, o duvidoso crédulo aposta no discurso dos outros, mas que não têm sustentação na realidade da vida.


Tomado por um sentimento de abandono caso questione as incoerências, enfraquecido pela aura divina dos falastrões, o crédulo não consegue soltar as sufocantes amarras e para se autoconvencer segue diariamente dizendo:

- “Continue crendo, mas não olhe para o rótulo, olhe para Jesus”.

Comentários

  1. Eliel, você pegou num ponto muito interessante. Jesus fala muito sobre a Sua igreja, mas é simples ver que muitas a igreja Dele na verdade tem outros sócios (se Deus quiser não majoritários), que são o pastor/apóstolo/profeta/etc, a necessidade de regras sociais que as pessoas têm (viver livre é duro), os valores comunitários, a necessidade de um reforço no nacionalismo, e vai. De repente precisa passar por muita burocracia para falar com Jesus, lá dentro. Abração, Fabrizio.

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  2. Eliel, infelizmente vemos muitos "crentes" que se deixam levar por promessas vãs que sugerem que, mesmo sem nenhum esforço de sua parte,terão seus problemas magicamente solucionados.E quando isso não acontece, crêem que é falta de
    fé ou falta de oração. Sofrem então duplamente e culpam Deus e/ou o"diabo".Esquecem que Deus nos deu mente, braços e pernas para solucionarmos nossos próprios problemas.

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  3. Caro Pr. Eliel.
    Ótima partícula, diria mais um aglomerado de partículas considerando o conteúdo e não o rótulo.
    Há tempos atrás, antes de ingressar na Igreja Betesda escrevi um texto no meu blog, intitulado de "Iusões da Fé" (http://armandomicheletojr.blogspot.com.br/2012/05/ilusoes-da-fe.html), o qual em essência aproximada diz o mesmo que você. Compartilho da sua opinião e vou além, cansei de bater palmas para louco e por isso não sou bem visto. Sempre questinei, sempre perqueri e cheguei a ponto de ser taxado de vandalo,pois na escola dominical eu questionava e me disseram: "Lá não é o local de se questionar e sim exercitar a fé." É a "aposta no discurso dos outros, mas que não têm sustentação na realidade da vida."

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  4. Olá meus queridos irmãos, Graça e Paz.
    É bom encontrarmos textos que fortalece a nossa fé e nos edifica. Parabéns pelo trabalho maravilhoso que desenvolve aqui é muito edificante. Os dias que vivemos são de tribulação, lutas e resfriamento na fé, e de muitas heresias onde muitos se estão alimentando, de alimento não sólido e contaminado, por isso adoecem espiritualmente, e poucos se importam com isso. Sejam os meus amigos irmãos os vasos de livramento, para mostrar o grande amor de Jesus. Trazendo mensagens edificantes aos nossos corações. Fico feliz quando encontro alguém que escreve com amor e dedicação. Aprendemos uns com os outros crescemos na graça no amor e no conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo. Quero aproveitar a oportunidade para partilhar o meu blog : Peregrino E Servo. Vou ficar muito feliz com sua visita e comentários. Deus te abençoe ricamente.

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  5. Estimado Eliel. Desculpe por algo no comentário anterior, mas verdade se diga eu fui vítima da situação retratada acima e, após algum tempo consegui me libertar da mesma e posso afirmar que infelizmente, mesmo que você consiga se libertar desses falastrões você ainda corre o risco de ficar estigmatizado. Devemos buscar sempre a verdade e questinar sem ter medo de duvidar, pois a dúvida leva ao esclarecimento. Abs.

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