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24.9.10

Este texto é do Bruno

Confessando que se conhece

Confesso: sou o culpado. Interessante como lemos aquilo que queremos. Sou culpado por ler diferente ou querer algo diferente. Sempre pensei (ou sempre pensamos) que o passo para tornar-se cristão era "Confessar os pecados". Confesso, peco em querer reler esse "passo". Não sei se fui ensinado ou se me ensinei a imaginar assim, mas quando pensava em confessar meus pecados, imaginava em relatar a Deus ou Jesus ou sei lá quem a lista de falhas cometidas desde o último confessionário. Fantasiava Deus esperando para ouvir palavra por palavra todos os erros cometidos, para daí então, graças ao que chamava de "Graça", esquecer de tudo o que tinha feito. Mas claro, antes eu teria de explicar e reconhecer os feitos.

Estava lendo essa semana a Primeira Epístola de João, e me deparei com o seguinte no capítulo 1:

"6 Se afirmarmos que temos comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. 7 Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado. 8 Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. 9 Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. 10 Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a Sua palavra não está em nós."

"Conhece-te a ti mesmo". Os gregos mandavam muito! Resumiram bem demais esse versículo. Como? O que uma coisa tem a ver com a outra? Este trecho não está falando de uma "causa e efeito", de uma obrigação, de uma prática religiosa e muito menos de uma ação literal. Prestemos atenção ao que me chamou atenção: a condição de estar na luz, caminhar com Deus, não é a ausência de pecado, como diz o versículo 8 ("Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós"). Precisamos confessar os nossos pecados, essa é a condição. Mas o confessar neste caso não é o catalogá-los a Deus ou caminhar com uma culpa angustiante, é na verdade, reconhecer.

Se afirmar que não tenho pecado é enganar-me, significa na verdade que ou sempre estou pecando (e nesse caso o gerundismo não é vício de linguagem e nem erro gramatical) ou sou pecador por natureza (tendo em vista que pecador por natureza não significa que sou geneticamente mal, mas simplesmente que não sou divino, não sou Deus). Logo, o confessar meus pecados é assumir esta minha condição de pecador, de humano, a condição de que peco. E esta condição (como esclareço em outro texto meu deste blog: "Pecar é Humano") não é ruim, má, errada. Apenas não é divina. Esta condição faz parte de nossa liberdade, de nossa vida independente, de nosso amadurecimento. Conheço-me a mim mesmo e compreendo que peco, sou pecador. Agora, começo minha caminhada sem culpa.

A verdade está em reconhecermos quem somos e caminharmos na luz. Agora, o caminho chamado "luz" é a comunhão uns com os outros do versículo 6. Por isso João apresenta essa relação. O que me ensinará a, sendo pecador e conhecedor de quem sou, tomar decisões que me comunguem com Ele, é a comunhão com os outros. Logo, o problema não é a consciencia de ser pecador ou a natureza de pecador, mas, se frente aos outros e sua comunhão eu não opto por manter esta comunhão, afasto-me da luz e caminho para as trevas, logo, não amadureço, não sou purificado deste pecado, não caminho para o amadurecimento.

E tudo isto para dizer: "Conhece-te a ti mesmo". Confesse-se. "Conhece-te a ti mesmo". Depois de confesso, descubra como caminhar na luz. A luz é a comunhão com os outros. A comunhão com os outros é o que nos purifica e nos comunga com o Pai, aquele que, diferente de nós, é livre mas sem pecado.

10.9.10

Dicas Para Quem Vai Se Casar

Não sei quantas celebrações matrimoniais já realizei, mas sei que em todas elas há muita expectativa e esperança da felicidade conjugal.

A vida a dois não é simples e tão fácil quanto namorar. Ela envolve todo o ser, os sonhos e projetos.

  • Primeira coisa siga o conselho de Carlos Drumond de Andrade a não deixar o amor passar.

  • Depois olhe bem para a pessoa. Olhe enxergando tudo o que ela é, o que faz e como as faz. Tente ver como ela se conecta na vida e às pessoas e responda para você mesmo: “Me disponho a partir de agora a me entregar completamente para que essa pessoa seja feliz? Desejo fazê-la feliz e para isto empreender meus esforços, sentimentos e ações?”.
Se sim, esta pessoa é sua amada. Se não, comece de novo.

Veja quais os porquês que o impedem de assim decidir. Se for por causa de seus medos do futuro, esqueça esse medo, ninguém tem controle do futuro. Se o medo tem a ver com alguma coisa desta outra pessoa, converse sobre isto, veja se é uma parte tratável, moldável e negociável e invista nisto. Caso não haja possibilidades de mudanças, há grandes chances de você se decepcionar.

  • Feito isto e obtido a resposta positiva: - “Sim, quero fazê-la feliz”; dê mais um passo. Veja se aquele perfil, aquelas qualidades lhe fazem bem e promovem sua alegria. Veja os defeitos e analise friamente se eles não serão capazes de fazê-lo desistir de fazê-la feliz.
Se sim, você está em bom caminho para um casamento de verdade.

Conheço muitos casamentos vividos em parceiras há décadas em que não houve um casamento de fato. Uma das partes não participa integralmente.
Lembre-se, casamento é feito a dois. Impossível que apenas a entrega total de uma das partes, configure um casamento. Ambos precisam de entrega irrestrita, mesmo que aos poucos, mas completa. Não se faz um casamento em que ambos estão interessados em que o outro promova a “minha” felicidade. Isto não é amor, é egoísmo.

Amar não é algo que se recebe, mas algo que se dá.
Amar não é algo que se cobra do outro, mas algo que se entrega ao outro. Todas as vezes que alguém cobra que não se é ou não se sente amado, ele está enfraquecendo o verdadeiro sentido do amor em função de suas próprias carências.
A carência de ser amado é válida e perfeitamente natural, porém o amor se distingue da carência. Carecer de amor não deve levar a pessoa a padecer de amar. Quando se cobra o suprimento da carência está pensando em si mesmo e naquilo que não tem recebido, e amar é pensar no outro e naquilo que se tem dado como um fim em si mesmo.

Talvez alguém pergunte: - “Mas e se amo, amo e amo e não recebo de volta?” Digo que você não é amado, apenas ama. Quem ama não necessariamente receberá amor de volta, este risco é próprio do amor. Por isso é necessário saber se de fato a outra pessoa também ti ama.

Algumas pistas ajudam nisto.
Busque saber como a outra expressa o amor, pois pode ser que aquilo que você gostaria de receber como expressão de amor, seja diferente daquilo que ela entende e expressa como amor. Pode ser que ela considera estar amando, mas sua expressão não esteja lhe suprindo.
A questão, portanto, não seria falta de amor, mas a diferente compreensão do que é e como se expressa este amor.

  • Outra dica importante tem a ver com a relação com os pais.
Uma coisa simples, mas rica de significado: Filhos tem chave da casa dos pais, mas estes não devem ter daqueles. Filhos abrem a geladeira na casa dos pais, mas estes não devem fazê-lo na casa dos filhos.
Quer dizer, “deixar seu pai e sua mãe e se unir ao cônjuge” é uma ação efetuada pelos filhos e não pelos pais.

Pais sempre se “intrometerão” na vida dos filhos em nome da felicidade deles, mas os filhos devem colocar limites para isto. Mas lembrem-se, os limites são colocados pelos filhos, não pela nora ou genro.
Os pais tendem a criar os filhos para si mesmos e emocionalmente agem como uma espécie de proprietários. Os filhos se sentem protegidos e “aninhados”, mas as noras e os genros podem se sentirem invadidos, incomodados.
Estas circunstâncias tendem a afetar profundamente e de forma negativa o casamento, pois os filhos não cortando o cordão umbilical não se casam integralmente. Pais que gerenciam o casamento dos filhos, tem grandes chances de lidarem com a falência de seus “negócios”.

  • E sobre sexo?
Normalmente este assunto não é conversado, apenas ansiosamente praticado e muitas vezes às vezes. Quando não se conversa sobre ele, não gera intimidade suficiente para que amadureça.
Os ambientes em que se aprende, se é que se aprendeu, nem sempre são a partir da ideia da de um amor duradouro e da construção de um casamento, mas apenas como uma satisfação física. Sendo assim a tendência é que a compreensão da relação sexual não abarca todo o relacionamento conjugal, as satisfações tornam-se precárias e os dois "vão levando a vida". Não abrem o jogo por puro preconceito, ou para não admitir suas ignorâncias.
Não tenha medo de ser ignorante no assunto. Tenho para mim que ninguém no quesito “relação sexual conjugal amorosa” sabe tudo. Um especialista pode saber tudo sobre sexo, mas não sabe absolutamente nada sobre o seu cônjuge e sobre você. Só vocês é que descobrirão as coisas um do outro, como veem a vida e quais coisas lhes são preciosas. Estamos falando de uma relação sexual que envolve duas pessoas com alma, emoções, carências e desejos e com um projeto de vida em comum e não de um amontoado de moléculas fisicamente necessitado.
Entre um casal, cada um vai se descobrindo e desvelando o outro e amadurecendo para uma relação duradoura. Não conversando, ambos guardam mágoas em nome do amor e nunca atingirão uma plenitude amorosa.

A complexidade do casamento não se resolve em um pequeno texto, mas pelo menos algumas dicas podem despertar um caminho a ser percorrido.

Feliz casamento.

Eliel Batista