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25.6.08

A submissão é medieval?


Submissão é muito mais do que um consentimento calado. Não se trata de subserviência. É uma postura interior que coloca em prática os valores do Reino de Deus.

Alguém com esta virtude em seu coração sabe com mais intensidade o valor da vida em comunidade e sua sensibilidade espiritual é muito mais apurada, pois compreende o que significa ter o Espírito de Cristo e consegue olhar com bons olhos para o outro considerando-o importante. É por esta razão que a submissão permeia toda a vida cristã, como diz a Bíblia:
- "Sujeitai-vos uns aos outros em amor".
- "Sujeitem-se aos vossos líderes",
- "Sejam submissos às vossas autoridades
(governamentais)",
- "Submetam-se aos vossos pastores, pois velam pelas vossas almas",
- "Filhos sejam submissos aos vossos pais".

A submissão Bíblica não existe por razões hierárquicas, mas sim em função de valores nobres de reconhecimento e também espirituais, pois salvaguarda as relações em sociedade. A submissão parte de um coração doce que olha para o outro e o vê com dignidade, ela nasceu no coração de Deus, "que a si mesmo se esvaziou e tornou-se servo"....
Diferente disto e que causa muita discórdia está a subordinação. O soldado está debaixo de ordens de seus superiores.

Uma pessoa insubmissa tem em si uma aspereza que dificulta o desenvolvimento e crescimento do grupo em que está inserida, seja família, amigos, igreja, ou líder em qualquer dimensão. A Bíblia aponta para o fato de que a insubmissão começou com um homicida desde o princípio, o pai da mentira, a antiga serpente, que desconsidera o outro a ponto de desejar apenas destruir.
Uma pessoa assim se torna altiva, controladora e pensa de si mesmo mais do que convém, achando-se sempre com a razão. Mas alguém assim, com certeza sofre muito, e acaba caindo naquilo que a Bíblia diz: "A altivez precede a ruína". Sua alma esta preste a ruir.

Deus em sua infinita sabedoria colocou a submissão permeando todos os âmbitos sociais: da família (nascimento) ao céu (eternidade).
É ela que é a força capaz de inibir o surgimento de alguns do tipo Hitler.

A guerra contra o Iraque veio de um sujeito que não sabe o que é se submeter ao grupo social dos países, e justamente acusando o outro de não se comportar de acordo (submeter às normas) com o mundo em que vive.
Este é um bom exemplo de que o insubmisso se supervaloriza, proclama e ataca os erros dos outros sejam quais forem, justos ou não, mas seu ataque não é por questão de justiça, mas sim por causa de um coração duro, insensível.

Na expressão submissão está implícito a existência de uma missão.
Exemplo: Na Bíblia o casamento é uma missão que revela os valores do Reino de Deus: "Assim como a Igreja se submete à Cristo".
Na missão casamento a esposa deve ser submissa ao marido, porém ambos receberam uma missão e devem ser os guardiões dela.
Na prática: um marido que oprime sua esposa e cercea-lhe a liberdade de ser e desempenhar o seu papel está sendo insubmisso à missão de revelar Cristo através do casamento. Neste caso a insubordinação da esposa não necessariamente será "crime", mas luta pela liberdade: direito inalienável universal.
Vale lembrar que nos valores cristãos, Jesus deixa o princípio de que é melhor assumir os prejuízos do que causar uma guerra e ainda que a liberdade é o objetivo da mensagem. Ao conhecer a verdade a pessoa encontra a liberdade.
O papel da submissão é preservar os relacionamentos e o bem comum, por isso a Bíblia revela como algo positivo, bom.

O marido não dá ordens à esposa, mas possibilita-lhe a liberdade de interagir para que ambos cumpram a missão de demonstrar na construção de suas vidas e lar a pessoa de Cristo.

Quanto às autoridades nós devemos nos submeter ao governo , mas o governante por sua vez também é submisso ao mesmo governo, que no nosso país é exercido pela vontade do povo (democracia), por isso um protesto não necessariamente é insubmissão, mas defesa da missão (direito do povo de organizar sua sociedade).

Um submisso ao outro é o freio social com valor espiritual que tem a função de expurgar o individualismo em prol do bem comum.

A submissão não é cega nem burra, mas cooperante com a missão e cada qual é responsável pelo seu papel (lider e liderados).
Por exemplo: temos uma comunidade que é a Igreja, se cada um que tiver uma idéia e começar a coloca-la em prática sem levar em conta o outro, o resultado será uma comunidade dividida e esfacelada e um reino dividido disse Jesus: não subsiste

Com um ar de "espirituais" existem alguns que dizem: "Eu devo satisfação a Deus não aos homens". Quem assim age não conhece o Deus revelado em Jesus, na verdade esconde debaixo de uma capa religiosa o pecado da insubmissão e ainda faz uso de textos bíblicos para "fazer o que parece certo, mas apenas agrada ao ego", como nos dias caóticos dos Juízes em Israel (Jz 21:25), promovendo assim facções na igreja, por isso Paulo é duro ao dizer em Tito 3:10, que esta pessoa "depois de advertida duas vezes deve ser rejeitada", pois afinal ela se perverteu e por si mesma se condenou. Ela não consegue valorizar o o outro, respeitar o próximo, enfim não cumpre o maior mandamento de amar como Cristo amou.
Ela mesma se excluiu do bem comum. Deve-se tentar resgatá-la com todos os esforços.


Eliel Batista

3.6.08

Conflito Teológico


Quero pensar na Teologia como exercício humano para rabiscar interpretações sobre Deus.
E em Antropopatia como a experiência divina em se revelar “legível”. Ou quem sabe como disse João, uma espécie de braile: “tocamos a Palavra”.

Constrangedoramente a tensão existente entre Jesus, o Deus encarnado, e os escribas e fariseus era de ordem Teológica.
Interessante observar a história bíblica demonstrando constantemente, a interpretação humana dada a Deus em choque com as ações divinas.
Habacuque, Jeremias, e outros, em admirável surpresa testemunham isto.

A interpretação que fazemos do divino na Bíblia, temos como Lógica de Deus.
E Deus?

Apesar de ser conhecido apenas por interpretação, paradoxalmente não se interpreta, Ele é; se revela.
Neste conflito entre Deus versus Lógica de Deus, o homem teimosamente defendeu a sua Teologia como mais verdadeira do que o próprio Deus revelado: Jesus Cristo. A crucificação que o diga.
Uma tensão milenar entre o que se pensa dEle e o que Deus faz.
Nós “Teologizamos” e Deus “Antropopatiza-se”.
Codificamos como Deus é e Ele se manifesta nos surpreendendo e chamando para amadurecermos nossas percepções.

Talvez o grande embate se resuma em:

O homem querer ver através da Lógica aquilo que Deus mostra na Empatia com sua Imagem e Semelhança.

A Teologia proíbe diminuir Deus a uma criatura.
Na Antropopatia Deus não só se fez homem como o serviu
.

A Teologia afirma Deus como o inacessível invisível.
Na Antropopatia Deus se mostrou acessível a todos e vimos a exata expressão de seu ser; toda a sua plenitude em um homem.


A Teologia não permite fazer nada que represente Deus.
Na Antropopatia Deus se representou em sua criação.

Em uma das diversas Teologias, as inseguranças para lidar com a vida reivindicam certezas doutrinárias inegociáveis.
Na Antropopatia, as inseguranças reivindicam fé. O paradoxo: certeza do que não se alcançou e a convicção do que não se vê.

O credo em uma das Teologias diz que, para se governar tão intrincado sistema, somente através de poderosos decretos.
Sabemos que um Poderoso Soberano no Trono do Universo é imprescindível, mas claramente a antropopatia revela o Deus que se esvazia. Não faz uso do cetro ou do trono e governa.

Na Antropopatia Deus apaixonadamente revela seu desejo de ser Deus na forma humana e ordena que a verdadeira Teologia o confesse assim.
Tememos diminuir o Criador Todo-Poderoso, mas Ele mesmo não tem medo de ser criatura.


Qualquer interpretação que tenha medo de encarar o Deus homem, dará ênfase ao Deus deus e não conhecerá a revelação exata de seu ser: Jesus de Nazaré.

Caso Deus se apresente fora da Lógica estabelecida, existe conteúdo Teológico suficiente para eliminá-lo.

O que fazer com o Deus visível esvaziado (antropopatia)?
– “Melhor crucificá-lo, antes que ele desfaça as petrificadas e verdadeiras interpretações sobre Deus invisível Poderoso (teologia)”.

Espero jamais crer na minha teologia a tal ponto de rejeitar Deus.