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31.8.07

ATEÍSMO RELIGIOSO - Às voltas com a Serpente











Quando se lê o relato do Paraíso Edênico claramente se percebe Deus inserido na humanidade. Um ambiente do Deus Emanuel. Não se trata apenas de Deus entrando na história, mas muito mais profundo contempla-se a história de Deus.

O Eterno Criador se volta a cada dia para com a Finita Criatura. É sábado! Fim dos atos poderosos de Deus e início dos atos humanos. “Aquilo que o homem fizer será”(Gn 2:19).
Com uma simplicidade nada usual para uma divindade, simplesmente se faz presente. Não realiza mais milagres e não age sobrenaturalmente para que a vida se perpetue ou para que a Terra continue seu processo de desenvolvimento. Entrega-a nas mãos dos homens para que construam o seu futuro.

A realidade do sábado anuncia que Deus parou com seus atos poderosos, para permanecer junto da criatura. A vida está posta na mesa do cosmos. “Tudo foi assim concluído”(Gn 2:1).
Sem cansaço e como quem descansa, rotineiramente Deus se manifesta com ações tão naturais que surpreenderiam qualquer divindade. Ele se delicia dialogando com a criatura. Sua presença a cada “viração” de dia proclama seu amor.

Com um cicio provocativo de “sereis deuses”, a sedutora serpente induz o homem à idéia de que a naturalidade com que Deus se relaciona com a criatura não basta. Há necessidade de algo a mais.
Ela apresenta para o homem um projeto de vida não-natural: Concretizar a vida dependendo de prerrogativas divinas.
Agradável aos olhos, e muito bem acatada a sugestão de que o status quo de poder (sereis deuses) credencia a vida com mais propriedade, do que o de amor.

O ateísmo nega Deus, recusando admiti-lo e o substitui por algo que lhe seja conveniente e mais convincente.

O ateísmo religioso recusa o Deus Emanuel, pois deseja um relacionamento com Deus mais poderoso do que amoroso.
Machucado pelas aflições mundo, e sedento por escapar das dificuldades próprias da vida, o ateísta religioso, considera que o Deus Emanuel não responde à vida como deveria.
Uma divindade se prova na manifestação sobrenatural, para ajudar o fiel na condução de sua vida .

É extremamente cômodo e consolador considerar digno de adoração, somente o Deus que agir poderosamente em prol de seus adoradores, evitando que estes sofram a vida. Esta é a conveniência sorvida da Serpente, que recusa o Deus Emanuel para se deliciar com o poder. (Mateus 4:9)
O que motivava Israel para adoração eram os atos poderosos e providências extraordinárias divina. Motivado pela euforia da poderosa libertação do Egito, não abriu mão do culto, mas substituiu com facilidade Deus pelo Bezerro de Ouro. Para Israel o Deus verdadeiro não era o Emanuel, mas o Deus que se manifestasse mais forte.

Tal qual no Éden este ateísmo nega o Deus Emanuel, para ficar com o deus-dado-pela-serpente:
“– Se tu és... realize algo sobrenatural”.

Na tentação no deserto, o diabo como última tentativa sugere a Cristo:
- “Um deus que se preze demonstra cuidado com dádivas extraordinárias, para aquele que lhe adora”.
E praticamente encerra com a máxima:
-“Curve-se pois eu sou este deus”.

Seria ousado demais afirmar que a imagem de poderes que a religião faz de Deus é um diabo? (Mateus 4:1-11)

Na relação com a criatura, não seria Deus mais humano do que deseja as projeções humanas?
De novo não se crucifica o Senhor da Glória, não admitir seu esvaziamento?

A teologia faz um desserviço à fé cristã, quando tenta preservar Deus daquilo que ele não teve receio de abrir mão: sua divindade. (Filipenses 2:6-7).

Jamais deixou de ser Deus, porém esvaziou-se.
Tornou-se quem não era, sem deixar de ser o que era, para que assim pudéssemos contemplar-lhe face a face.

Recebamos o Único Deus que conhecemos, o Senhor da Glória entre nós.

Eliel Batista

15.8.07

Nossa Igreja e as novas heresias (Desabafo de um adolescente)


(Texto produzido por Bruno Reikdal - 18 anos)

O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: "Veja! Isto é novo!"? Não! Já existiu há muito tempo, bem antes da nossa época. (Eclesiastes 1:9-10)

Heresia. De acordo com o Dicionário Aurélio:
1- Doutrina contrária à que foi definida pela Igreja em matéria de fé.
2 - Contra-senso, absurdo. Herege de acordo também com o dicionário, o que professa heresia.

Durante séculos, nós, protestantes, cristãos reformados ou até mesmo filhos da Reforma, fomos perseguidos e acusados como hereges por uma Igreja corrompida, sem valores, que buscou apenas conquistar poder através da fé, tradições e dogmas que consideramos errados, e assim o conseguiu.
Mas nós reformadores, protestantes nos mantivemos fortes. Não deixamos a causa, lutamos para mudar a teologia católica vigente na época. Conseguimos! Derrubamos o pensamento opressor que nos tratou como hereges, infiéis e sem temor a Deus e implantamos nossa teologia, revista e voltada para o cristianismo original.
Realmente devemos ser os maiorais. Criamos uma doutrina perfeita, imutável e cem por cento certa.
Chegamos ao cume certo? Não!
A cada dia que passa, percebo que nos tornamos os mesmos perseguidores, opressores, incrédulos e safados que usam da fé para enriquecer, tal qual a castidade da Idade Média.

Vergonha. É o que sinto. Tantos anos de luta, de pensamento, trabalho e inclusive sangue derramado para fazer a diferença e mudar o rumo do Cristianismo em vão.
A semelhança é impressionante. Nossas igrejas vendem bênçãos, prosperidade, ensinam a arrancar de Deus a realização de nossos desejos e o suprimento de nossas necessidades. Trocam rosas por dinheiro com a promessa de quebra de maldição, utilizam amuletos e acessórios que trocados por moedas garantem vida amorosa, financeira e de negócios sempre boas.

É extremamente parecido com a antiga Instituição Igreja.
Já abrimos a caça às bruxas, melhor, aos hereges. Esperamos pastores que pregam uma revisão dos dogmas, doutrinas e tradições religiosas na porta das igrejas com tambores e faixas criticando-os. Atacando-os por meio de textos, Internet, jornais e púlpitos.
Está reaberto o INDEX. Livros proibidos como ameaça à fé.
Ler a bíblia? Pra que? Estudá-la? Não precisa. Os nossos líderes o fazem por nós. Código Da Vinci? Não leia! É herege. Esquecemos que é apenas um romance. Livros do Gondim? Boff? Kivitz? Não! São heresias.
Só falta agora um novo tipo de Missões Jesuíticas para catequizar, melhor, evangelizar os índios, os pobres, em dúvida da fé, os camponeses e as crianças, para que nunca larguem a “verdade”, nossa verdade.
De que adiantou tanto esforço? As idéias de Lutero? A Reforma? De nada se valeram. Voltamos ao que fomos contra. Transformamos-nos em tudo o que repudiávamos.

Qual a solução? Não sei.
Desiludi-me com a Igreja Evangélica.
Desisti de continuar uma caminhada com uma religião hipócrita, falsa, repressora e enganadora.
Se necessário tornar-me-ei um novo tipo de reformado cristão.
Se continuar assim, uma frente cristã sem rosto, maculada e grotesca como fora sua antiga adversária, uno-me ao Ricardo Gondim em não “ser mais evangélico”.

Provavelmente também me chamarão de herege por defender essa idéia do Gondim, mas, se for para ser herege diante dessa realidade da Igreja, terei orgulho de o ser.

13.8.07

Agradecimento aos antiGondim


Quero agradecer pelos excelentes serviços prestados ao meu cristianismo, a todos os apóstolos, bispos, pastores e auxiliares, dirigentes de igrejas, nobres chanceleres, augustos doutores em divindades, calvinistas e arminianos.
Não me esquecendo daqueles que para preservarem sua imagem diante da inquisição teológica, preferem abandonar a caminhada e também a todos os que compreendem as desgraças do mundo como decretos divinos.
Enfim, muito obrigado a todos os que em oposição ao Gondim têm acendido a fogueira da idade média, dando a alguns evangélicos a oportunidade teológica de terem um inimigo para manifestarem os verdadeiros valores de seus corações e as destrutivas obras de suas crenças.

Quando soube dos defensores da verdade com camisetas e um “panelaço” antiGondim na porta da igreja que ele gastou sua vida, tempo e família para ensinar o evangelho. Quando vi pessoas que nunca souberam de absolutamente nada da Betesda, mas em função de seus super títulos se sentem com a prerrogativa divina no estilo Papal de darem a chancela de "fielmente Bíblico e motivação correta" à divisão ocorrida, pude perceber algumas coisas valiosas.

No mínimo, mesmo que o Ricardo Gondim tivesse se desviado, a história dele frente à Betesda e quem ele sempre foi, deveriam ter força suficiente para preservar sua integridade, para poupá-lo de qualquer tipo de humilhação. Aliás, a verdadeira defesa da fé, compreenderia que o amor encobre multidão de pecados.

Quantos que agiram indevidamente e na maioria das igrejas deste país deveriam ser expostos, mas ao admitirem em seu gabinete suas fraquezas foram por ele poupados, acompanhados, tratados e ensinados sobre graça?

Ainda que ele houvesse se perdido, a fé de Cristo requereria de seus seguidores que fosse ter com ele, não para feri-lo, mas ganhá-lo. Mas isto seria exigir demais da turba que grita:
- Crucifica, preferimos o homicida, pois ele representa bem o nosso coração.

Além de não compreender o porque pessoas que sempre defenderam que o homem possui livre-arbítrio, acusa de herege aquele que defende com maestria justamente aquilo que mais dizem crer, pude reafirmar algumas coisas.

- Não quero uma fé que para se sustentar tire frases do contexto, anule o caráter de quem escreveu e necessite vasculhar frases em busca de vírgulas, acentos e entonações para execrar uma pessoa.

- Longe de mim um credo que prepare uma cova e instigue os leões. Depois investigue a vida do outro para ter o que atacar e não encontrando busca na fé uma prova. Cuja defesa (?) não quer ouvir de sua boca a verdade, mas a frase que baste para comprovar suas idiossincrasias (Mateus 26:64-66) e conseguir levar a cabo suas más intenções.

- Desejo distância de uma verdade que gere ataque à integridade e valores do coração, que cospe no prato que comeu, que jogue fora décadas de caminhada sincera e não valorize quem gasta sua vida em prol do bem.

- Jamais quero fazer parte de uma doutrina mesmo que em nome de Jesus e com o uso da Bíblia, tão valorosa a ponto de roubar, matar e destruir. Que resulte em pessoas que assumem em nome da fé o desejo de ver o fim do outro, e incita os alheios ao ódio. Realmente nada parecido com a mensagem de Cristo, quisera com Ele.

Ao ver o resultado deste tipo de defesa da fé, que de defesa não tem nada, mas sim de ataque, prefiro o rol dos “malditos”.
Não porque goste de heresias, mas porque ao ler os evangelhos não compreendo como heresia uma pregação tal qual de Cristo, que defende:
- a vida mais do que a doutrina (Mateus 12:1-6),
- a integridade mais que a instituição (João 2:18-19),
- o bem mais que os dogmas (Lucas 13:14-16).
Não posso admitir como heresia:
-a explanação de um evangelho para que cada pessoa desenvolva sua fé em Deus e menos institucionalizada (João 9:16),
e muito menos a pregação que conduz ao amadurecimento espiritual de cada um para que assuma as responsabilidades da vida diante de suas contingências (Eclesiastes 9:2).

É isto que tenho testemunhado ao longo destes anos.
Conhecendo estes valores, participando da história de caminhada de fé da Betesda em São Paulo e das particularidades do amigo Gondim. Ouvindo o vazamento de fontes íntimas de seu coração e seu temor a Deus e o desejo de andar com integridade diante do Senhor, observando como ele lida com dinheiro, títulos, cargos, seu estilo de liderança, sinceramente prefiro o meu desconhecido nome "maculado".

Como dizia minha avó: -“Deus me defenda”, de um dia trair o que creio, jogando fora o valor de Cristo de morrer pela fé, em troca das bolotas dos porcos do anticristo de matar pela fé.
A doutrina tem seu valor, mas perde-o quando usada contra o outro, pois a supremacia do evangelho está no amor, não na teologia.

Quisera as diferenças fossem teológicas, mas infelizmente procedem das saídas da vida, o coração.
Corações religiosos, arrogantes e duros dos guardiões da verdade contra um coração que deseja servir ao Senhor com a vida do jeito que ela é.

O que mais dói nisto tudo, não são as oposições, as diferenças, mas ver que tudo aquilo que se ensinou durante décadas e a transparência de nada valeram. A triste sensação de depois de 30 anos cuidando da videira e ela produzir uvas bravas.

Malhou em ferro frio?
Não. Mas em um coração duro, nem mesmo a respeitosa gentileza de Deus dá jeito.
Mas isto é teologia da Betesda, para antiGondim é heresia.

Como creio que sou livre, faço uso da liberdade, para escolher além de meu pastor um amigo como o Ricardo Gondim e uma igreja como a Betesda que sempre conheci.

Eliel Batista