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22.5.07

MATAR OU MORRER PELA VERDADE?


Para um amigo.

Lusco-fusco do dia, o fogo crepitante projeta a luz na face dos pescadores e cria um limiar para a sombra da noite que os envolve como um manto suave.
Volto ao passado e ouço entre os titubeantes murmúrios, Pedro em um sobressalto, fazer sua contundente declaração mais anticlerical possível de seu tempo: - “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Mal sabia o pobre pescador que esta conversa informal, confessada em segredo, extrapolada o pequeno grupo, causaria a morte violenta de todos. Menos um!

De volta ao futuro, vejo-me em minha igreja, ombreado por um amigo, que entre livros e com o arroubo de um idealista esperançoso por transformações radicais diz como que um trocadilho:
- “O único Deus conhecível é um homem”.

Atordoado, com esta declaração intrigo-me em minha mente.
Eu, alguém de um Tempo sempre Pós; concílios, sínodos, postulados e credos, sei que nEle habita corporalmente toda plenitude.
Não cabe pensar no Deus invisível, inacessível e outros “vels” mais, como um simples ser humano.
É possível o Deus Bíblico Teológico Sistemático inserido no mundo até a consumação dos séculos, um humilde servo?

Um Deus que se apresenta sem o uso de poder?

Lembro-me da fogueira na Galiléia e percebo a figura da declaração “causa mortis” dos discípulos. Eles morreram por afirmar que Deus poderia ser um rude nazareno.
Hoje, na pós-reforma, ousar afirmar que Deus o Senhor da Terra e Céus, para nos receber em comunhão permanente abriu mão do uso de seu poder, carrega também o som do apedrejamento das duras canetas de tintas.
Ouso em pensamento perguntar aos rígidos guardiões da sã doutrina e defensores da verdade absoluta:
-“Por qual razão vocês querem matar?”.

Ouço a clássica resposta Revista e Corrigida:
- “Tens demônio”.
Não te atacamos pelas tuas obras, mas porque fazes de Deus um esvaziado sensível e comprometido com a humanidade”.

Confundindo os tempos de minha viagem, cabisbaixo sinto em meu ombro a mão do único que escapou de morte violenta, João o pescador teólogo, que sussurra em meus ouvidos espirituais, mais que um consolo:
- “Está no mundo um espírito que não reconhece o Deus carne, o esvaziado.... Você já sabe qual...”.

Calo-me e descanso em um breve suspiro:
- Continuemos amigo, pois Cristo nos ensina e deu exemplo que devemos morrer pela verdade, mas jamais matar, mesmo que para defendê-la.

AO MEU QUERIDO PAI Vicente Batista (in memorian)


O VI CENTEnas de vezes orando de madrugada; pelos enfermos e sendo curados; expelindo demônios


VICENTE BATISTA, ou melhor o Batista, que desmatando florestas de pecados estabelecia a clareira da paz com Deus, encaminhando novas criaturas para o trabalho do Reino Eterno

VI CENTEnas delas descendo às águas batismais e mergulhadas por ele nos rios paranaenses se levantarem glorificando a Deus nas línguas dos anjos

VI CENTElha de Deus na história de um pequeno homem, que curvou os grandes e me ensinou que o privilégio de servir a Deus não tem preço, por isso não busca paga nem aplausos humanos, não aguarda reconhecimento e que a alegria daqui é o fruto eterno; dali

VI SEM TEmer a morte, um homem jogado ao chão por ela, levantar suas esqueléticas mãos aos céus e na busca do ar rarefeito encher os pulmões e em um brado dizer:
“Jesus tu és maravilhoso, tu és lindo meu Jesus”

VI , SENTI; e como VI como SENTI...

Visitantes com rostos circunspetos entrarem naquele quarto, VI CENTEnas de segundos passarem e ao saírem dali lágrimas de alegria, sorriso de satisfação, de alma cheia de conforto.

VI SENTI e aprendi com você, a esperar no Senhor e que enquanto espero devo trabalhar pelo reino, que quando acusado ou julgado o importante é não deixar o coração macular; e que ele, o coração, deve sempre ser guardado das más intenções, pois isto é um veneno que mata o seu possuidor.

"Posso descansar em paz, pois minha consciência está tranqüila. Nunca tive más intenções nem mesmo contra aqueles que me perseguiram" Vicente Batista

DE PAI PARA FILHA - ( em seus 15 anos)


Se a mim fosse dado o direito de ser senhor do Tempo
E concedido o poder de pará-lo por um só momento.
Abriria mão de tal fascinante arte
Para não roubar de sua vida a melhor parte.

Deixaria correr, para você crescer, amadurecer,
Mas lutaria incansável para o tempo não destruí-la,
Quereria conservá-la, assim, meiga perto de mim.
Evitaria que a parte cruel do tempo marcasse um tento.

Tinhoso, teimoso e ladrão.
O egoísta do meu coração
Sempre quereria roubar
A possibilidade de a vida te levar.

Já dizia o poeta e eu inverto o falar
Eu é quem sou o rio, você é quem é o mar.
Eu, pai que se esforça em sarar a ferida.
Em mostrar-te querida e ensiná-la sempre amar.

Se proibido eu fosse de qualquer palavra outra dizer
Me esforçaria, lutaria até o instante de morrer
Para apenas seis palavras mais poder pronunciar:
EU SEI QUE VOU TE AMAR