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13.12.06

GAIOLA DA FÉ

Pacientemente, graças à internet, li centenas de depoimentos de gente decepcionada em pertencer a uma igreja. Tentei entender os motivos das frustrações e descrenças.
Entre várias dezenas de desencantos institucionais, também havia um ou outro repúdio total à fé cristã.
Generalizada maioria não perdeu a fé. Cresceu e paradoxalmente encontra-se perdida. No fundo desacredita do ser humano. Deixam suaves pistas que incluem a si mesma.

Alguns se atreveram a dizer onde estão e o que procuram. Pude perceber que desejam um lugar despretensioso e que não se intrometa em suas vidas. Intromissão neste caso, designada de policiamento ou legalismo.
Optaram por grupos nominalmente informais, mas com todas as formalidades encobertas pela inexistência de cobranças ou intervenções de ninguém sobre si.
Para uma geração que usa camiseta-slogan, “quanto mais conheço o ser humano mais amo meu cachorro”, esse tipo de fé distante do outro não se estranha.

A falta de mutualidade na igreja, cria uma ambiência eclesiológica, contraditória à razão de ser Igreja. Tende a gerar um vazio existencial, pois a troca afetiva positiva (carinho) ou negativa (tensões) constrói pessoas.
Como protesto surge uma nova institucionalização a-institucional.

Continuar no caminho da fé e eliminar esta frustração, a meu ver de origem existencial, levam a um outro tipo de status religioso.
Cresce o número dos antagonicamente fiéis “sem-igreja”.

A necessidade natural do estabelecimento de um líder, modo de operação e manutenção impõe a instituição. Criam-se outros jeitos, mas não mudam as necessidades.
Apesar de um discurso atraente, inteligente e até aparentemente de exaltação da graça, é conveniente, mas incoerente. Em busca da liberdade pessoal, há o perigo de gerar-se uma outra prisão: “eu comigo mesmo”.
Como dizia o sábio: “Não há nada novo debaixo do sol

A fé imatura caminha de gaiola em gaiola, ora satisfeita, ora pintando as grades de ouro.
O principal na fé essencialmente comunitária, vem da percepção de que a liberdade transcende as instituições, é um estado de alma.
Se uma pessoa se considera presa por causa de uma instituição, ela precisa urgente amadurecer. Porque a fé é pessoal e acima de tudo relacional.

Qualquer vivência comunitária e/ou social depende de normas e regras para o bom andamento e estas submissas à valorização da vida e das pessoas.
Dentro de uma instituição sadia, se alguém considera isto uma prisão, há um problema pessoal a ser resolvido e não necessariamente uma instituição a ser desprezada.

CRISTO É SENHOR

As escavações arqueológicas localizaram em uma parede, alguns rabiscos que representavam um homem com cabeça de burro ajoelhado diante de uma cena de crucificação com a seguinte inscrição: “Agamenus serve ao seu Deus”.

Esta inscrição feita por algum zombeteiro na época da grande dispersão da igreja em Jerusalém, revela alguns pontos teológicos bastante intrigantes.
A principal, vem da dificuldade em olhar para Jesus de Nazaré, o filho do carpinteiro, morto desumanamente e reconhecê-lo Deus.
O conceito sobre Deus por demais elevado não permite rebaixá-lo.

A pergunta que Jesus fez em particular a seus discípulos concede-nos vislumbrar a grande dificuldade de seus contemporâneos:
- “Que dizem os homens que eu sou?”

As respostas vindas do povo eram confusas. Reconheciam algo de especial, mas não concebiam a profundidade do que viam.

Os religiosos dubiamente se incomodavam.
– “Com que autoridade ele faz estas coisas?”

Os próprios discípulos confusos exprimiram.
Afinal, “quem é este que até o mar e o vento lhe obedecem?”

Tudo isto traz à tona uma questão:
A impossibilidade em olhar para o pobre filho do carpinteiro, que nem travesseiro possuía e afirmar que é Senhor. Ver sua vida, sua obra revelava na fraqueza a grandeza de Deus, mas confessar teologicamente causava constrangimento.

O tempo passou, a história registrou, porém a dificuldade continua.
Em seu tempo, olhar para um galileu e vê-lo como Deus desconcertava a teologia.
Hoje, sabedores de Cristo, muitos inverteram o olhar, mas impulsivamente não querem conceber o grande Deus esvaziado.

Qual o único Deus que conhecemos?

Por que o fascínio do homem em:
- Tentar conhecer um Deus incognoscível?
Por que assim aquele que mais se aproximar deterá um certo poder?

- Servi-lo tão distintamente do Filho?
Esta postura não relegaria o Senhor de todos a apenas um meio para se conseguir acessar o inascessível Pai?

Esquecemo-nos o testemunho do Pai que diz: “à Ele ouvi” e “todos o adorem”.
Do Espírito Santo que diz: "Aprouve a Deus fazê-lo Senhor".
Também da resposta do Filho à nossa ansiedade: “Quem vê a mim vê o Pai
E ainda dos anjos: "este mesmo que vistes subir, voltará"

O único Deus que conhecemos Jesus de Nazaré; divinamente humano.
Chora nossas lágrimas, compadece-se de nossas dores, apaga nossas transgressões, vive a nossa vida e declara: “eu e o Pai somos um”, afirmando: “O Pai é assim”.

- Agamenus, eis aí o teu Deus! Não precisa ir além para adorar, Ele é.

9.12.06

JUSTIÇA

Fico assustado ao ouvir a divulgação dos altíssimos índices de violência e criminalidade em nosso país.
Vivemos nos conformando com a "pizza" no final de cada denúncia. Mas isto parece tornar-se o padrão. Cada vez mais vemos isto, e imagino que seja pela impossibilidade da Lei em usar o bom senso a fim de ser justa.

Gosto muito de assistir filmes de investigações e julgamento. Ultimamente tenho visto um seriado Law & Order.
Interessante observar as barreiras que os promotores públicos têm em condenar um criminoso. Todas as evidências apontam para o réu, porém por alguma questão legal a prova fundamental não pode ser usada, e assim o criminoso sai em liberdade, e algumas vezes com direito de exigir indenização do Estado.

No Brasil, isto parece normal, não uma exceção. A minúcia da Lei levada ao pé da letra facilita o escape dos infratores, mas injustamente "beneficia" somente os que conseguem se proteger nas riquezas.
A justiça fica com o braço curto.
A promotoria denuncia, a polícia prende, o juiz leva ao julgamento e o detalhe burocrático não necessariamente inocenta, mas põe em liberdade.

Eu aguardo ansiosamente um dia em que o Justo Juiz convoque diante de seu tribunal, grandes e pequenos.
Justiça seja feita.
Espero o dia em que colarinho branco, descamisados, ateus ou apóstolos, diante do Cordeiro não tenham como usar de detalhes legais, mas apenas da verdade.

Antes disto, gostaria que os crentes vivessem em integridade e que não repousassem sobre eles suspeitas de roubos, fraude, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha. Se existisse algo para ser julgado fosse sua fé, assim como os heróis do passado, mas jamais a integridade.
Fossem acusados de não abrirem mão de servirem ao Senhor, de doarem-se pelo bem, mas jamais de lesarem o povo.
Que a zombaria não fosse sobre as finanças, e venda de bênçãos.

Maranata,vem Senhor. É tempo de começar o juízo pela casa de Deus.