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Angústia...

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Quando Jesus estava na cruz deu um brado de dor: - “Deus meu, Deus meu porque me desamparaste”. Semelhante suspiro todo crente já gemeu. Temos aqui uma encruzilhada teológica. Dialética entre constatação - é fato que sofremos, e frustração - não deveríamos sofrer. Parece-me que o caminho percorrido pela teologia nos últimos séculos, tenta de alguma maneira estabelecer uma resposta fixista que apela para o decreto imperial divino, chamado de vontade de Deus e que devemos aceitá-lo em última instância como fator causal do sofrimento, mesmo injusto. Como se fosse possível sermos mais amorosos e bondosos do que Deus, pois vemos o sofrimento humano, nos compadecemos, mas Deus por alguma razão misteriosa não age em favor da vítima. Dentro desta lógica, não é permitido ao barro questionar o oleiro, pois não entende os desígnios secretos de Deus. Qualifica-se o humano como responsável pelo sofrimento, mas Deus o salvador não é obrigado a salvar ninguém, mas escolhe alguns para proteger ou...

Quem intercede por nós?

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Atrevo-me mais uma vez a tentar pensar sobre oração. Aliás, para não correr risco de tentar racionalizar o mistério, prefiro iniciar meu pensamento naquilo que antecede a oração. Se entendermos a oração como uma comunicação entre Criador e criatura, a imagem que fazemos ou temos de Deus influencia diretamente na maneira como oramos. Se para o fiel Deus é um severo juiz, estar na presença dEle causa medo e deixa-o inseguro. E assim por diante. Para uma fé trinitariana, acredito que dentre todas as imagens, a da Trindade é a que mais precisa ser resgatada nas nossas orações, principalmente porque nos dedicamos mais a orar petições e intercessões e nisto está implícito a relação existente entre Pai, Filho e Espírito Santo e como nos comportamos neste meio, pois orar consiste em participar desta comunhão. Jesus nos diz que sua unidade com o Pai é indissolúvel. Ele não veio por si mesmo,( Jo 5:44; 8:42 ) não falou suas próprias palavras ( Jo 7:16 ) e não agiu de sua própria cabeça (...

O Tribunal Da Graça - Aliança de Amor

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Paulo em sua carta aos Romanos usa uma linguagem forense. Ele elabora os pressupostos do significado da morte de Jesus a partir dos aspectos legais romanos. Para ele Jesus é o Filho de Deus por direito e os crentes por nomeação, que ele denomina de chamado. Para os romanos estas questões de cidadania e adoção só se resolviam por aspectos legais, razão do uso deste tipo de linguagem, principalmente para um ministro cujo lema “faz de tudo para com todos”. O drama a ser resolvido consistia em dirimir a impossibilidade de um escravo receber a cidadania, pois sua condição existencial jamais lhe permitiria. Para eles somente o imperador era filho de Deus, portanto, todos os demais jamais poderiam receber tal qualificação. Evidente que para se montar a cena de um tribunal não pode faltar a linguagem da punição, pois qualquer execução da lei trata-se exatamente de punir os erros. Mas ao mesmo tempo Paulo precisa demonstrar a sabedoria de Deus em revelar Cristo como o seu amor. Um exerc...

Entre desejos e realizações para o Ano Novo

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A passagem de ano nos dá a sensação de posse. Aquela que nos informa que temos a oportunidade de recomeçar. Refazer o que não foi efetivado, o que deixamos de fazer ou os planos frustrados. Nesta época abrimos na consciência a possibilidade de que tudo pode ser revisto na perspectiva de se tentar novamente. Ainda bem que temos esta experiência de passagem de ano. Penso ser este um ritual mítico. O mito de que o tempo passa. Começa e termina em fases possibilitando de alguma maneira misteriosa recompor e também o da existência de pausas que possibilitam brecar o tempo e assim contarmos sua passagem. Também gera a sensação de certo controle. Numa espécie de “bricolagem do tempo” podemos juntar os pedaços e fazer algo mais especial que antes, nos sentimos senhores. Na verdade podemos fazer isto a qualquer hora, em qualquer ponto ou fase de nossas vidas, mas preferimos a passagem de ano. Infelizmente divididos entre o ser e o fazer corremos o risco de nos iludirmos nesta passagem. Relativi...

Natal - amor é simples assim

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O Natal é uma data extremamente significativa no calendário cristão. Apesar da incerteza do dia específico, temos por certo que o grande evento anunciado pela voz do anjo comunicou uma profunda e amorosa mensagem de Deus. Disse o anjo: “ Estou lhes trazendo novas de grande alegria. Hoje na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Isto lhes será de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos deitado numa manjedoura ”. A biografia de Jesus diz que seu primeiro sinal milagroso foi um ato: Ele transformou água em vinho. Mas o primeiro sinal da plenitude divina, da revelação da exata expressão de Deus tal qual jamais ouvida ou vista, foi simples. Os anjos cantando anunciaram afeto, ternura e humildade. Este grande sinal não foi a visão de um super homem ou de um príncipe em vestes reais, mas um frágil e singelo bebê. Nada de vestes sacerdotais pomposas, mas envolto em panos. Sem trono, sem berço de ouro ou mesmo um quarto resplandecente. Apenas um porão de hospedaria d...

LUTAR E PERDER? - A FORÇA DE UM HERÓI

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Quem luta com Deus e ganha, sempre perde. Assim é como eu interpreto algumas histórias de homens que lutaram com Deus. A saga mais conhecida quando se fala neste assunto é a de Jacó que lutou com Deus como um príncipe e venceu, tanto que seu nome de enganador (Jacó), passou a ser Israel. Mas o que escapa da atenção de alguns pregadores, principalmente os da prosperidade, é que esta luta de Jacó se dá numa categoria bem diferente do usual. Nem quero aqui citar as linhas de interpretações judaicas que divergem sobre quem era o “homem” com quem ele lutou. Vou direto para o profeta Oséias que informa que Jacó “ No ventre da mãe segurou o calcanhar de seu irmão; como homem lutou com Deus. Ele lutou com o anjo e saiu vencedor; chorou e implorou o seu favor ” ( 12:3-4 ). Jacó em prantos, arrebentado implora o favor - busca a charis divina - palavra que indica o favor e a beleza de Deus para com o mundo. Uma ousadia bem diferente. Mas temos ainda outros personagens que me parece, estabelecer...

POR QUE SÓ O SENHOR É DEUS?

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O meu nome, Eliel uma expressão hebraica, significa Deus é Deus. Numa transliteração quer dizer aquele cujo Deus é o Único Senhor. Após pensar sobre a fé cristã e como melhor significar no cristianismo a expressão Único Senhor, cheguei a algumas idéias. Para nós os cristãos a leitura inicial do Gênesis deveria se desvencilhar dos detalhes poderosos do ato criador. A maneira como a Bíblia descreve Deus chamando à existência algo sem ter necessidade alguma, não enfatiza este poder do tipo estóico que tanto cultivamos. Uma divindade com poderes extraordinários que ordena e exigentemente cria é comum a todas as expressões religiosas. Todas as divindades são reconhecidas como poderosas. Nosso esforço em apresentar o Senhor como o Deus dos deuses, ou como o mais poderoso o diminui. Este procedimento apenas classifica-o como mais um entre muitos. Isto não o revela como o Único Senhor, mas como possuidor de maior força. A consciência da santidade de Deus deve nos levar a enfatizar...