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A Ditadura e Eu

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Eu não fui vítima direta do golpe de 64.  Ninguém da minha família e nem mesmo conhecido, que eu saiba, foi torturado. Minha igreja, minha escola, meus professores, minha cidade, minha família, concordava com os posicionamentos oficiais do governo. O Marechal de Messejana, fazendo uma “esterilização política” era um organizador nacional que estava colocando a casa em ordem. Comunistas precisavam de surra para aprender a boa educação. Nada melhor do que a polícia para educá-los, afinal, a polícia foi feita para os maus, e esses deveriam ter medo. Nós não. Estávamos do lado do bem. Da Ordem e do Progresso. A formação política na escola era através de duas matérias: a E ducação M oral e C ívica e a O rganização S ocial, P olítica B rasileira. Antes de entrar para as aulas, todos perfilados, cantando hino da escola, da pátria, da bandeira, da independência. Dia 07 de setembro, com parada militar, era o grande evento e nós desfilávamos também com as bandas marciais ...

Reflexões de um quase avô antes de chegar à velhice

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Ainda não sei direito como é essa história de ser avô. Um pouco menos ainda, ser idoso. Mas se tudo correr bem, dentro em pouco, abraçarei ambos os fatos, lembrando que eles não são diretamente dependentes um do outro. Saberei mesmo como será conforme ocorrer cada um. Não são coisas que se saibam por antecipação ou teoria. Ouso dizer algo pelo que já vivi e pelo privilégio de lidar com aqueles que me antecedem.  Não trato desse assunto por causa do medo da velhice e menos ainda por achar que seja verdadeiro o status quo  imposto pela sociedade, na qual se associa idoso ao inútil, mas, pelo fato em si, de que o tempo desperta a consciência pessoal de que ele é voraz. Nessa condição reflito algumas coisas, as quais sei que enfrentarei muito em breve. Isso mesmo!  Começo a falar sobre velhice. Só por que me torno avô? Também; mas não! Muito mais por admitir que não se torna avô na "flor-da-idade"; sim na maturidade. A um cinquentão não se diz:...

PERCEPÇÕES DE MEIO SÉCULO DE VIDA

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Passados meio século de vida, compreendi que a gente consegue saber pouca coisa para uma vida verdadeira e aprende muita coisa, de pouca utilidade, que serve muito mais para mostrar que sabe, e, no final das contas não tem um valor muito efetivo no modo de viver. Percebi que o maior prêmio da vida, ocorre quando as pessoas ao conviverem com você, se tornam melhores pessoas e mais gratas. Aprendi, que não é possível compreender nada do mundo em que vivemos, se não abandonarmos a hierarquia do saber e abraçarmos aqueles que, diante de nós, estão sentindo na pele as demandas da vida. Compreendi que os mais velhos nos influenciam e os mais novos nos dão sabedoria. Isso porque os mais velhos depositam em nós princípios ou revelam o "como não fazer” e os mais novos requerem de nós a aplicação prática daquilo que dizemos saber. Atentei para o fato de que a disputa pela verdade é uma grande mentira e uma verdadeira cilada contra a fé cristã, pois se pretende acima do valor hum...

A MAIS POLÊMICA MARCHA PRA JESUS

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Havia muita tensão naqueles dias. A pressão dos líderes religiosos para ter o controle sobre o povo e a sede de poder os levavam a tentar mostrar ao governo sua força. Os líderes religiosos, de forma orquestrada e calculada, juntavam multidões e fornecia um alto capital monetário e político para si mesmos. A imensa necessidade social e econômica do povo e sua sede de Deus, facilitava a manipulação inescrupulosa por parte dos líderes religiosos e garantia o sucesso de venda das bugigangas em nome de Deus. No entanto, aquela tarde prometia. Depois do surgimento do Nazareno, vivendo e andando na periferia entre os desafortunados, perdoava sem a necessidade de pagar absolutamente nada, realizava milagres gratuitamente, multiplicava o pão sem cobrar um centavo, demonstrava o amor de Deus, apenas cuidando dos feridos e necessitados, os pensamentos sobre Deus foram reformulados e a alegria da fé reavivada. Sem nenhuma chancela dos líderes, sem autorizacão oficial dos doutores da ...

PARA UM NOVO ANO.

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Mais um ano se inicia e as reflexões sobre planos, projetos e sonhos se intensificam, realizando uma espécie de breque na voluptuosidade das correrias, que por vezes sugam as energias de um viver saudável e que vale a pena. Me perdoem os mais céticos, mas nessas horas não se deve deixar de lado o pensar em Deus ou no mínimo na sua efetiva participação na Vida. Não porque ele seria uma espécie de muletas para se caminhar na existência, mas porque ele habita no mais profundo de nossa humanidade. Ele é um convite para se pensar nas qualidades dos relacionamentos, não a partir do próximo, mas a partir daquilo que a gente mesmo oferece para que nossos relacionamentos sejam mais fiéis e maduros possíveis, apesar de nossas fraquezas e limitações. Pensarmos sobre o quanto contribuímos para um mundo melhor, o quanto investimos naquilo que consideramos essencial. Isso mesmo, essencial! Há quem julgue a qualidade da existência por aquilo que é prioritário. Devemos lembrar que por vezes a...

DEPOIS DO "FIM DO MUNDO"

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Há alguns anos Eliel Batista se propôs a escrever uma série de três livros intitulados Porque pensar não é pecado . Cada volume traz intuições, propostas e discussões nascidas de seus estudos e das aulas de Teologia Bíblica ministradas no Instituto Cristão de estudos Contemporâneos (ICEC). Recentemente foi lançado o terceiro e último volume, que trata da leitura e interpretação do Apocalipse. De caso pensado, o último volume é sobre o fim.                                 Tradicionalmente os semestres de estudos do ICEC têm como abertura um simpósio, o Módulo de Abertura. O último – “Fim do Mundo: sinais, mitos e falso profetismo” – foi ministrado por Eliel a respeito de seu livro. Tive a honra de prefaciar o livro e também de participar do Módulo. Após o fim de nossa semana de conversas, aprendizado, propostas e novas experiência...