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9.8.13

QUANDO SE É CONSIDERADO VELHO E QUANDO, SÁBIO?


Fui convidado por um jovem casal para um almoço em família homenageando o dia da avó.
Um dia divertido entre filhos e netos.

Percebi entre as duas avós, materna e paterna, uma diferença enorme e o que mais me chamou a atenção?

— Quando para a geração mais nova um idoso é considerado velho e quando, sábio.

A avó paterna, acho que uns seis anos mais nova que a outra, era toda "pra frente". Ainda atuante no mercado de trabalho, todas as manhãs fazia caminhada e lia o jornal, sabia falar alguma coisa sobre política e economia.
Lutava contra a idade procurando aparentar jovialidade.
Havia feito plástica no rosto, esboçava botox, conhecia cinco países e exibia um smartfone última geração e ginga das aulas de dança.

Vivia puxando assunto de atualidades com os netos e os filhos, que com expressões impacientes se esquivavam.
Vez por outra ouvi dos pais: — "respeite sua avó!"

A avó materna, mais velha, desencanada com a idade, já aposentada, em seu rosto o peso da idade se via nas profundas rugas, pensava que internet é igual telefone só que no computador, não tinha ideia de como funciona o "Feicebuqui" e vivia puxando assunto para saber se os netos estavam bem e felizes.

Me assustei ao perceber que a avó mais nova e conectada com o mundo era tratada pelos mais novos alguém com quem eles precisavam ter paciência.

A mais velha, por outro lado, mesmo precisando de ajuda até para ver sms no celular, era para eles uma sábia com quem precisavam e gostavam de conversar. Parece que não se importavam que ela não soubesse algo tão simples. Pacientemente riam e explicavam.

Interessante!
A que assumia sua idade e limitações era acolhida e recebia atenção.

A que queria se passar por jovem e capaz encontrava resistências e caretas às escondidas.

Percebi que a diferença não estava na idade e na aparência jovial.
Vi que saber "tudo"sobre atualidades, tirar rugas e ter competência para resolver o mundo não rejuvenescem.

A mais nova (tida como velha pelos mais novos), diante dos problemas atuais, sabia como resolver os problemas, entretanto só conhecia aquilo que havia praticado e por isso achava que as respostas certas eram as dela que afinal resolveram sua vida.
Porém, eram respostas prontas que não permitiam ao outro exercer a criatividade, ter sua própria experiência, mas apenas condicionavam à repetição.

O velho mundo ficou velho, porque não criou coisas novas. Só repetiu as mesmas soluções.

A mais velha, tida como sábia e a quem respeitavam a idade, diante dos problemas atuais enfrentados pelos mais novos, procurava entender como estava o coração e buscava animar e fortalecê-los.
Contava histórias de problemas antigos, de outros tempos, mas que apesar disso geraram sentimentos semelhantes que não a derrotaram e ela estava ali, firme e forte, apesar da idade.

O velho mundo sobreviveu, se renovou e em vez de envelhecer se tornou sábio, porque aprendeu a lidar consigo mesmo diante dos problemas.

Conclui que para os mais novos, velho é aquele que faz de suas experiências pessoais, que deram certo um dia, verdadeiros dogmas. A régua do mundo. A resposta capaz de solucionar os problemas.

Sábio é quem mesmo que saiba, não se preocupa em ter respostas. 

Sabe que suas experiências pessoais não são as respostas que o mundo precisa.
Se ocupa em ajudar os mais novos a lidarem com a vida e os orienta diante dos riscos a agirem com dignidade sem perderem o coração.
Deixa-os livres para viverem e reconhece que o tempo é outro.

Pode não ser isso, mas foi isso que observei.