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30.12.10

2011 Entre coração, palavras, talentos e ações

Eu poderia falar coisas usuais das datas como esta que estamos vivendo. Usar a “copiatividade” e escrever em outras línguas, usar vocabulário rebuscado ou versátil e assim por diante.

Neste caminho de desejar felicitações, alguns consideram que basta dominar o vocabulário, o que é uma questão de inteligência, que por sinal todos a possuem e podem desenvolvê-la. Deter o vocabulário é uma coisa, mas saber aplicá-lo requer sabedoria. Nisto um ou outro se destaca. Agora, harmonizar coração e palavras é distinguir e destacar o talento e as pessoas e fazer brotar os aplausos e as alegrias.

Alguns sabem harmonizar com tal habilidade que se tornam excelentes oradores, outros poetas. Há ainda os historiadores, os jornalistas, os piadistas... Nesta hora se definem os afetos, a alma e a mágica de expressar-se como se é colaborando com a beleza do mundo.

Interessante que muitos não se conformam com seu próprio jeito de expressar-se e querem ser outro com outro dom. Lastimável. Temos histórias ruins, músicas horrorosas, poesias insossas e...
Bom seria se para este ano aprendêssemos a combinar as palavras. Harmonizá-las com o coração, com o talento e com o amor.
Conheço poetas que ao declamarem suas próprias poesias, destroem suas belas obras como um elefante numa loja de cristal. Tanta sensibilidade em compor, e tão pouca em expor. Vejo oradores hábeis em fazer das palavras um Mikhail Barichnikov e de um texto qualquer um Quebra-Nozes, difamarem sua própria maestria ao tentarem compor, por insistirem-se capazes de transformar suas duras canetas em plumas. Compositores que ao cantarem deformaram as mais belas canções. Virtuoses perdidas na confusa desarmonia entre coração e talento. Entre desejo e realidade.

Consciência, espelho retrovisor, reconhecimento. Esta é minha recomendação para este ano. 
Para mim mesmo. Buscarei aprender a combinar as palavras para que ao expressá-las do meu jeito, construa um mundo mais brilhante.
Revelo que gostaria muito saber tocar piano. Conheço a escala, sei ler música, não há dificuldade em discernir as notas, mas combiná-las... Tirá-las da categoria de matemática e combiná-las com a alma a ponto de formar um som que desperta o coração – acordes – está para além daquilo que meu talento me reservou.

Escrevo tudo isto apenas como metáfora para a vida. Felicidade não acontece pelas palavras somente, mas na concretude delas. Por isso, no fundo não falo de palavras, mas sim de ações. Combinar ações de tal maneira, que desperte o coração, que revele e desenvolva o amor. Nesta área, todos podem, mas cada qual combine de seu jeito, com suas habilidades próprias. Desta forma faremos da vida uma bela composição, o mais belo poema que já existiu.

Procure-se até encontrar-se. Encontre-se e desperte-se para os seus talentos para com eles expressar-se com o perfume que lhe é próprio, concedido pelo Criador.
Com certeza o próximo ano será outro.

Feliz 2011.

Eliel Batista

27.12.10

EU, O ANALISTA E MINHAS LOUCAS ANÁLISES


Direto ao assunto, no encontro, iniciei:
- Doutor, gostaria de saber por que preciso ser ensinado por você, a olhar o meu passado?


- Engano seu meu caro! Não ensino. Apenas auxilio. Respondeu ele.

- Bem, mudarei a pergunta: Por que preciso de sua ajuda para olhar o meu passado?

Como costumeiro, ele não me respondeu, mas perguntou:
- Será que sem ajuda você não olharia sempre com o mesmo olhar, e por ser a parte mais intensamente envolvida, não estaria este olhar comprometido? Será que não existe outra forma de se ver e quem sabe mais saudável?

Chegando ao ponto do meu interesse prossegui:
- Olhar saudável!? Adoecido, meu olhar está comprometido. Pense comigo doutor! Doente ou não, o jeito que vejo é exatamente como vivenciei, experimentei, senti. Ao olhar para meu passado, vejo-o com minhas entranhas e revivo tudo exatamente como foi e esse sou eu. Tentar ver de outra forma, isentando-me de mim mesmo, isto é, dos meus sentimentos como foram, não seria somente diferente, mas eu não deixaria de ser eu mesmo?

Conduzindo com maestria, me perguntou, parecendo mais uma disputa teórica...
- Voce não considera que ao relembrar com outras possibilidades, você cria outros sentimentos, e este continuará sendo você mesmo, mas com outro olhar?

Quase que sem saída, retruquei:
- Concordo com isto, doutor. Mas a questão é que o passado não pode ser refeito e ele foi vivido com as condições que foram experimentadas e não com estas novas condições. Ao tentar criar outro sentimento, para algo que foi bastante real, eu estaria inventando sentimentos que não existiram e enganando a mim mesmo. A realidade não foram estes novos sentimentos, mas exatamente aqueles. E aqueles fui eu e, estes novos um novo eu, mas numa outra etapa. Tentar ter novos sentimentos em relação ao passado é ver com óculos de hoje, algo que foi visto com olhos de ontem. E sinto doutor, não fui cego, apenas enxergava o que me era possível. Ontem não é hoje e o que fui é diferente do que sou e somente a somatória dos dois é que me coloca na etapa do que estou sendo. Mas cada qual com sua realidade.

Pensativo, tocando os lábios com a caneta e ajeitando os óculos, continuou:
- Se fosse possível você passar exatamente pela mesma coisa hoje, você não sentiria e compreenderia diferente?

- Doutor, se voce não fosse especialista eu riria. Se vivesse hoje as mesmas situações, evidentemente interpretaria diferente, mas isto porque eu não sou mais o mesmo. Para mim trata-se do seguinte: Senti, vivenciei, experimentei e sofri ou não, como eu fui. Olhar como sou hoje me coloca em condição de novas interpretações, mas ao tentar me convencer que o que experimentei poderia ter sido diferente, apenas gera em mim um engano, ou quando não a culpa, o que seria pior, pois hoje sou sabedor que poderia ser diferente, mas para isto eu precisaria ter sido ontem quem sou hoje, e isto é impossível. Penso que a melhor maneira é tentar sorver aquela experiência, beber aquele cálice exatamente como foi. Se conseguir engoli-lo, absorvê-lo como sendo eu mesmo daquela época, mas que não conseguira, sem tentar mudar, crescerei e amadurecido sairei mais forte. Criar novos sentimentos para dar outro significado para aquilo que vivi, seria como jogar para debaixo do tapete algo que foi muito real.

O doutor quase que me interrompendo:
- E quem disse que voce precisa de novos sentimentos? É melhor tentar compreender porque teve determinados sentimentos...

- Por que tive medo? Porque eu era assim, tinha medo de coisas que me causavam medo, ódio das que me causavam ódio. Hoje, as mesmas coisas já não me causam mais os mesmos sentimentos e reações. Enfrento outros monstros.

Esboçando um leve nervosismo, o doutor levantando levemente o olhar por cima dos óculos, prosseguiu como se toda minha enfática retórica não o afetasse:
- Percebo pelo que me parece, que você está querendo ser herói. Matador de monstros... E já que você quer ir por este caminho, você não acha que precisa de ajuda para tal empreitada?

- Herói? Ah, doutor! Voce está tentando me convencer de sua utilidade ou de minha fraqueza? Enfrentar o passado é uma atividade solitária... Talvez por isso, depressiva... São corredores de morte e a morte é solitária, ninguém me acompanhará. Ou morro para a história deixando de ser, ou com a história como real e legítima construtora de mim. De qualquer forma, sou eu, eu mesmo que preciso desta investida. Não dá para reinterpretar. O que penso precisar é de enfrentar os monstros que costumamos cobrir com os panos do tempo...

- Meu caro, disse o doutor, nosso tempo se finda, mas o espero numa próxima e interessante conversa. Vejo que nossos encontros serão instigantes...

- Doutor, disse eu, antes de ir preciso dizer que percebi você um tanto quanto nervoso em nossa conversa, e preciso perguntar: Por que você entrou no debate? Ficou confuso ou convencido de que ao reinterpretar o passado corro o risco de deixar de ser eu mesmo como fui? Que em cada tempo sou outro e por isso os diversos eus lidaram como souberam com cada situação e, portanto, o que foi, foi e, na somatória de todos eles, este sou eu.

- Por que você me procurou? Até mais. Abriu a porta fechando a conversa.

E na conversa entreaberta finalizei:
- Doutor estou apenas tentando me aprofundar no que significa: “pela graça de Deus sou o que sou”.

Eliel Batista

22.12.10

Então é Natal, Ano Novo e há algo mais?


Natal é momento de lembrar que a Verdadeira Luz brilhou. Onde havia trevas, Deus trouxe luz.
O primeiro Natal está registrado em Gênesis 1 – Disse Deus: - “Haja luz”.

No segundo, confirmando a vontade eterna em Jesus de Nazaré, a noite escura se iluminou e os anjos se alegraram. Houve festa porque definitivamente Deus demonstrou em carne, que não há razão para se ter medo e encobrir mazelas, afinal, Deus sempre quis e continua nos querendo bem.
Não há porque fugir de si mesmo, nem porque esconder-se nas cavernas existenciais. Deus nos ama e quer Paz na Terra.

O ciclo do tempo é uma realidade que influencia a história. Tudo sob sua tutela: as medidas, as realizações, os planejamentos e também a esperança.
Marcar datas e dividir o tempo é uma convenção.
Há quem diga não ser real, mas isto significa falsidade?
O futuro não existe, mas é uma realidade, aliás, sem ele, o presente por causa de sua rapidez não seria percebido. A última letra que acabei de escrever está no passado. A próxima ainda não existe.

O que seria real, somente o passado? Mas ele já não está mais, teria se perdido?
O futuro não existe ainda, o presente é rápido demais e o inalcançável passado é a única coisa que, apesar de sempre ficar para trás, pode ser encontrado.

O Natal nos convoca a tranquilamente reconhecermos, que aquilo que ilusoriamente para nós está na escuridão, para Deus sempre esteve na luz. Isto deveria nos tirar o medo e nos levar à confiança do fato:
O Deus de Paz nos quer bem.
Imbuídos desta fé, como um herói conquistador achar o passado, escarafunchar os momentos velados e dominar a si mesmo. Já dizia o sábio: “mais valor e força, tem quem controla o seu espírito”.

O passado não se perdeu e dele não adianta fugir. Pior do que não admitir isto, é por ele ser encontrado. Excruciante momento este quando nos tornamos caça das nossas próprias sombras, que há muito deveriam ter sido iluminadas.

Natal como consciência da Luz que brilhou e afugentou completamente as trevas e o medo que elas causavam. Não há porque temer as sombras, nem fugir da única realidade que pode ser encontrada: o passado.
Tome a Luz em suas mãos, singre o mar do passado em direção às sombras e confie no mais escuro vale: Deus te ama e nunca te deixou.
Não tenha medo, Ele segura suas mãos, o acolhe em seus braços e se houver lágrimas, ele as recolhe e lhe leva a experimentar o mais profundo amor.
Já nos sinaliza o batismo, que o mais arguto pecado é banhado pela extraordinária graça.
Desta maneira, o Novo Ano será vivido com integridade e a história escrita com profundos afetos de misericórdia.

Que venha 2011.
Glória a Deus nas Alturas.

Eliel Batista