Que bom que você veio!

Obrigado pela visita, deixe uma mensagem de sua passagem por aqui.

8.4.10

Quem intercede por nós?


Atrevo-me mais uma vez a tentar pensar sobre oração. Aliás, para não correr risco de tentar racionalizar o mistério, prefiro iniciar meu pensamento naquilo que antecede a oração.

Se entendermos a oração como uma comunicação entre Criador e criatura, a imagem que fazemos ou temos de Deus influencia diretamente na maneira como oramos.
Se para o fiel Deus é um severo juiz, estar na presença dEle causa medo e deixa-o inseguro. E assim por diante.

Para uma fé trinitariana, acredito que dentre todas as imagens, a da Trindade é a que mais precisa ser resgatada nas nossas orações, principalmente porque nos dedicamos mais a orar petições e intercessões e nisto está implícito a relação existente entre Pai, Filho e Espírito Santo e como nos comportamos neste meio, pois orar consiste em participar desta comunhão.

Jesus nos diz que sua unidade com o Pai é indissolúvel. Ele não veio por si mesmo,(Jo 5:44; 8:42) não falou suas próprias palavras (Jo 7:16) e não agiu de sua própria cabeça (Jo 8:28), mas tudo é do Pai (Jo 13:3).

O Espírito Santo não fala, não revela e não age por si mesmo, mas sim em função do Filho (Jo 16).

O Pai exalta, glorifica e revela o Filho.

Assim, há um só pensamento e um só Deus. Entre eles não há discórdia, desajustes, desencontros e resistência. Tudo de um é do outro. Se há um só Deus e Senhor sobre todos, há um só pensar, uma só intenção para com todos (Jo 12:50).

Isto muda completamente, muito daquela imagem que comumente se tem ao orar. Entendemos que pedir ao Pai em nome do Filho com a ajuda do Espírito Santo é resolver um problema de distância ou de resistência do Pai em relação a nós. Jesus se uniria ao Espírito Santo para formar um pára-raios ou pára-choques na relação de Deus para com os homens.

Um texto bastante conhecido é aquele que Paulo escreveu aos Romanos que encontra-se registrado em 8:26-27Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus”.

Neste texto é muito comum imaginarmos os fiéis tentando comunicar alguma coisa para Deus e Ele sem entender do que se trata ou pior ainda com resistências para atender porque trata-se de ralés criaturas, só cede se o Espírito Santo e o filho entrarem na conversa.

Quando ouço Jesus falando algumas coisas fico pensando sobre esta lógica, se faz sentido...
Mt 6:8 o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.
Mt 6:3-32 Portanto, não se preocupem, dizendo: 'Que vamos comer?' ou 'Que vamos beber?' ou 'Que vamos vestir?' Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.

Deus sabe tudo a nosso respeito, conhece nossas necessidades, nossas palavras antes de proferirmos e até mesmo as intenções com que as dizemos. Ele também nos ama, cuida de nós e exerce sua graça estendendo suas renovadas misericórdias sem fim a cada dia.

Disto surgem muitas perguntas:

Cada componente da trindade tem um pensamento diferente a nosso respeito?
Qual o papel do Espírito Santo?
Deus não nos entende?
Ele não sabe o que precisamos?
Deus precisa ser convencido? Deus tem intenções a nosso respeito diferente do Espírito Santo?
O Espírito Santo teria o jeitinho brasileiro para convencer Deus?

Se Deus nos entende, sabe o que precisamos e não precisa ser convencido. Se Deus pensa a mesma coisa que o Espírito Santo e este têm a mente de Deus, percebo que a intercessão do Espírito não serve para convencer Deus ao nosso querer, mas nos convencer ao querer de Deus. Nós é quem precisamos ser convertidos aos interesses de Deus, mas parece que usamos a intercessão e a ajuda do Espírito Santo para converter Deus aos nossos interesses.

Nosso coração que precisa ser quebrado, pois o de Deus já se enterneceu por nós de tal maneira, que quando éramos seus inimigos nos deu o seu único Filho. Servimos a um Deus rico em compaixão e que nos ama com profundo amor.

Por isso leio o texto sob esta outra lógica: 

Temos o desafio de manifestar nosso caráter de filhos de Deus, mas isto não é fácil. Desanimamos e vivemos errando, e isso se torna um constante gemido. Mas temos algo que nos dá esperança: Não estamos gemendo sozinhos! Deus o Espírito geme. Ele que conhece perfeitamente a mente de Deus quer que assumamos a vontade do Pai como filhos amados. Ele percebe nossa dificuldade para realizarmos esta tarefa, e tão amante como o Pai não nos abandona, mas nos assiste nesta fraqueza, porque nossas orações seriam inadequadas, apenas gemidos constrangidos. Mas o Espírito que comunica o Filho a nós, também sabe o que é ser humano, o que é padecer e sendo o outro consolador se une a nós com gemidos inexprimíveis nos comunicando sempre a vontade do Pai e nos desafiando a não desistirmos de manifestarmos a glória de filhos de Deus num mundo que aguarda esta revelação.

Portanto, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz e se hoje ouvirmos a sua voz não endureçamos o coração, pois Ele intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.

A oração deve nos levar a um quebrantamento tal, que saímos dela dispostos a cumprir com o desejo de Deus: sermos filhos amados que brilham na escuridão.

Eliel Batista

1.4.10

DEUS PERFEITO


Não conhecemos o Deus perfeito como da descrição dos gregos.
Só conhecemos o Deus da e na história.

O Deus perfeito é um deus do mundo das idéias. Evidentemente uma imagem que melhor se adéqua à descrição de alteridade - de um Deus para além de nós. Isto é muito importante para reconhecermos Deus em sua “complexa” singularidade. Mas nossa fé apregoa uma vida a ser vivida com o Deus vivo e real. Por isso para a nossa fé, interessa o Deus da e em nossa realidade. Este que homens e mulheres podem testemunhar porque o percebem em suas vidas e ao redor.

Logo na abertura da Bíblia encontramos Deus perguntando: Adão onde estás? Esta narrativa demonstra uma imperfeição de alguém que não sabe e não está ou estivera presente.
Este é o Deus que as Escrituras revelam. Um Deus inserido e adequado à nossa realidade que muda (Jr 18:8-10); que às vezes não sabe ao certo o que os homens farão (Jr 26:2-3; Dt 8:2); e até mesmo o que fazem (Gn 18:20-21).

Não discuto o fato de Deus ser perfeito, assim creio. Apenas coloco que o Deus acessível se manifestou a nós, se revelou dentro de nossa capacidade de constatação e se fez adequado à nossa intelectualidade, portanto imperfeito.

Nosso Deus só pode ser descrito como perfeito, na dimensão do amor. Não conhecemos e nunca vimos o Deus perfeito grego. Mas a Bíblia nos insere a um Deus amoroso e bom. Sendo amor é pertinente à nossa sensibilidade e compreensibilidade, mas para as definições gregas, imperfeito. Para amar chegou ao extremo de se fazer igual e assumir todo o sofrimento humano. Este Deus encarnado é o único que conhecemos.

Se fizermos o caminho das definições, até mesmo quando pensamos no nada, para nós trata-se de alguma coisa, porém negada. O nada acaba não existindo como descrição. Isto nos leva a perceber como apenas interpretamos nossa existência. O referencial que temos para descrever qualquer coisa é este. A perfeição descrita por nós é aquela que nega nossa realidade. Sendo assim se insistirmos em definir Deus a partir da perfeição o negamos e contradizemos nossa fé, pois a revelação de Deus se dá na afirmação e não negação da realidade. Se não me falha a memória foi Tomás de Aquino que disse que “só conhecemos Deus pela negação”. Isto é verdadeiro se o tomamos como perfeito, mas se compreendemos a encarnação, podemos conhecê-lo em toda sua plenitude aqui neste mundo.

Definir Deus como perfeito e defendê-lo dentro desta categoria é idealizá-lo. O problema é que de nada vale servir a um Deus idealizado, porque este não participa da nossa imperfeita realidade, mas apenas da teoria. Este Deus perfeito não fala conosco, nem toca a nossa vida. Somente o Deus amor. Idealizado até conseguimos tê-lo como alvo de fé, mas não como o Emanuel que nos acompanha e está inserido na nossa história.

O Deus perfeito só participa como um Deus para além de nós. O Deus Emanuel já chegou e sempre está. Hoje é dia de salvação. Hoje devemos ouvir sua voz. Sendo assim, vivamos o Emanuel inserido na nossa realidade. Esta é a firme âncora das nossas almas, Jesus Cristo, que nos assegura para dentro de onde ainda não chegamos: ao encontro do Deus invisível, mas real.

Eliel Batista