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14.8.09

FIM DO MUNDO E A LÓGICA RELIGIOSA. – Parte I


Hesitei!
Depois de muito pensar resolvi me atrever e escrever sobre o fim do mundo. Sei que há uma ânsia generalizada pelo futuro.

O que dizer sobre o fim?

Já dei muitos estudos e defendi diferentes linhas teológicas. Corado de vergonha, confesso que acreditei naquilo que convinha aos meus pré-conceitos de salvação e eternidade. Mas a princípio apenas repeti o que ouvi, sem nada questionar.
Hoje depois de alguns questionamentos, tornei-me mais cauteloso.
Escolhi deixar o fim para o fim, e quando pensar nele, colocá-lo dentro de uma perspectiva específica.

Ao se colocar a Eternidade em perspectiva, há necessidade de dar ao Tempo-criacional uma razão existencial. Portanto, a eternidade numa relação com o temporal, coloca este numa condição de finitude que possibilita concatenar o seguinte:

Toda a Bíblia é escatológica. Jesus Cristo é escatológico. O "Haja Luz" inicial é o começo do fim. O Paraíso não é o começo do mundo, mas a utopia de como o mundo deve ser.

A partir daqui tentarei organizar um pouco minhas crenças, e você leitor, não precisa crer da mesma forma, exceto se fizer sentido e corresponder ao que você entende como Palavra de Deus. Caso sua pergunta se restrinja em saber se o que digo é bíblico, leia um texto anterior no qual discorro esta questão.

As verdades escatológicas que nos foram apresentadas, tiveram sua gênese em pressupostos de decretos e maldições divinas. O medo e a culpa foram utilizados para manipular os fiéis e o Apocalipse como comprovação desta falácia.

Se olharmos a história perceberemos que a ideia de lutar contra as injustiças neste mundo, tem pouco a ver com atitudes religiosas. A igreja herdeira do imperialismo, refletindo uma sociedade etnocentrista e escravagista, deu ênfase na pregação de que os infelizes poderiam em outra vida encontrar justiça e felicidade. Evidentemente desde que mediado por suas verdades.

A LÓGICA RELIGIOSA CRISTÃ.

Existem vários textos que outrora eu considerava um discurso sobre o céu, e hoje vejo como vida. Algo muito interessante é o julgamento descrito por Jesus em Mateus 25, quando ele trata da separação entre ovelhas e bodes. Sempre que ouvia pregadores utilizando este texto me sentia um bode, mas quando o lia me dava outra sensação.

Ao reler a história e contemplar a diferença entre o discurso religioso e o laico. Ao lidar com as diferentes sensações vindas dos pregadores usando os textos e eu mesmo os lendo, pude perceber que existia algo contraditório.

  • Se os últimos serão os primeiros e o mundo vindouro pertence aos que sofrem e este mundo é maldito, o que motivaria um crente a lutar contra as injustiças?
Afinal de contas nesta lógica, quanto mais injustiçado, mais chance se tem no reino.

  • Quando a eternidade é tão boa, por que lutar contra a morte?
  • Se for assim por que tentar ser feliz aqui neste mundo?

Quando observamos os avanços das ciências, percebemos que a causa da mobilização da humanidade em prol da vida, é justamente aquilo que a religião afirma ser maldição divina imprecada sobre um mundo perdido. Os homens criam ideais utópicos de um mundo-paraíso, justamente porque lutam contra um mundo-inferno.

Mas na lógica religiosa de um mundo amaldiçoado por Deus, torna-se difícil encontrar algo nobre e de valor que seja causa mobilizadora para o bem. Lembrando que no cristianismo fazer o bem esperando algo em troca, não tem valor algum. Portanto, se o bem for motivado pelas recompensas divinas, não há virtude alguma e muito menos cristã. Sem falar que aliviar o sofrimento de alguém poderia tirá-lo do início da fila e colocá-lo no final.

Se Deus amaldiçoou o mundo, lutar para fazê-lo melhor não poderia ser considerado como uma guerra contra a vontade do criador? Lutaria uma pessoa contra os decretos divinos e conseguiria contrariá-lo?
Se cumprir com a vontade de Deus neste mundo depende de entender e executar seus decretos e estes sendo de maldição, quanto mais desgraças um devoto assistir, mais glória a Deus deve dar, e quanto mais evitar que o mundo melhore, mais estará a serviço do divino e apressando o final.

  • Seria esta a lógica aplicada pela religião para sistematicamente se opor aos desenvolvimentos "mundanos" que trazem o bem?

Vemos na história, a religião se opondo à energia elétrica, ao parto sem dor, à nossa galáxia heliocêntrica, às técnicas de cura através de ervas medicinais, e ao controle de natalidade. Alguns religiosos em nome de Deus se opõem à globalização, à Internet, cartão de crédito e ao código de barras.

Mas esta oposição religiosa à vida não é nova. Até mesmo nos mitos gregos, símbolos como Prometeu, Ícaro e Ulisses que tentaram descobertas que iam além do dogmatismo e trariam desenvolvimentos para a vida, foram castigados pelos deuses.
E o clímax deste procedimento religioso oposicionista se levantou em nome de Deus contra Jesus; a Vida encarnada. Enfim, tudo o que promove a vida, a justiça e se posiciona contra malefícios e maldições neste mundo, parece encontrar oposição dos piedosos e aceitação mundana. Bom exemplo disto é o famoso apelido dado a Jesus pelos religiosos - amigo de pecadores.

Com isto em mente, dá para entender porque no julgamento das nações, aquele da separação entre as ovelhas e os bodes citado por Jesus, não há descrição de aspectos religiosos. A narrativa está protegida contra qualquer ideia que expresse um sentido religioso. Os benditos do Pai não têm qualificativos de piedosas devoções, mas de pura humanidade num encontro de nações.

E O OUTRO LADO?
Se a eternidade não rompesse com esta dimensão, mas desse certo tipo de continuidade. Se na eternidade a prioridade fosse levar os preteridos a experimentarem um profundo amor, mas ainda assim marcados por esta existência, a lógica de lutar contra as injustiças faria mais sentido. Não mais nos posicionaríamos contra os sofrimentos apenas por obediência a Deus, ou para recebermos recompensas, mas por ser imprescindível, necessário, nobre e de fato dar significado, sentido e desejo pelo Reino de Deus, além de revelar o verdadeiro amor que faz o bem e salva vidas.
Não quereríamos jamais que alguém atravessasse os portais eternos carregando em si marcas de injustiça desta vida. lutaríamos com todas as forças para que jamais uma pessoa carregasse para a eternidade marcas negativas de terem convivido conosco.

Se entendermos alguns textos como afirmações sobre a eternidade encontraremos algumas coisas interessantes.

Certa vez Jesus fez referência à possibilidade de uma pessoa na luta contra o mal, entrar na vida marcada para sempre (Mateus 18:8). Apesar de estranho se pensar numa eternidade com problemas, eu cito ainda o Apocalipse (6:10), que quando registra a abertura do quinto selo aponta para uma multidão de pessoas, que prejudicadas aqui neste mundo, clamavam por vingança na presença de Deus. Mesmo em se tratando de linguagem simbólica, é estranho pensar em alguém participando de um ambiente divino gemendo de dor e clamando por vingança.

Será que mesmo em se tratando de vida com Deus, uma vez que alguém tenha sido marcado, na eternidade ainda teria que lidar com estas marcas?
De fato é melhor deixar o fim para o fim, pois antecipa-lo é uma tarefa quase insana.

Com isto, cabe lembrar que nossa existência se deve a toda nossa história de vida. Coisas boas e ruins constituem nossa identidade. Ir para outro lugar sem memória é deixar de existir.
O conceito de reencarnação preconiza um retorno à vida, mas sem se saber o quem nem de que uma pessoa precisa se redimir. Se formos para outra vida sem sabermos de nada, de que serve esta vida?

No próximo texto darei continuidade ao tema para não ficar somente com perguntas. Deixo com você algumas de minhas (in)definições:


1 - Eternidade.
Uma realidade não possível de se dimensionar percebida apenas por analogias. Por isso prefiro pensar por outra categoria. Poética, abstrata e não definível. Esta dimensão ocorre em paralelo com a que vivemos, porém sempre conectada. Nela não se fala em tempo como conhecemos, mas em amor. A medida do tempo é o amor, pois Deus é Eterno; é Amor.

Temos em nossa realidade temporal algumas luzes que nos dão ideia da eternidade. São com janelas que nos abrem a oportunidade de contemplar esta dimensão eterna de Deus. Quem já amou profundamente sabe que nestes momentos é como se o tempo entrasse em supressão. Não faz diferença se o tempo passa ou não, aliás o tempo não passa, nós é quem passamos. Aquele que ama consegue viver segundos como uma eternidade e horas com a sensação de segundos.

2- Pós- morte
Assunto escondido e proibido de nós seres destinados à vida. Foi-nos dado a vida para ser vivida aqui neste mundo da melhor maneira possível e com os valores mais excelentes conhecidos pela humanidade.
Por isso ninguém pode afirmar absolutamente nada sobre o que vem a seguir da morte. Como tudo o que conhecemos é derivado do mundo sensível, falar de outra existência resulta apenas em especulações.
Creio que quando a Bíblia fala sobre este assunto, não intenciona descrever uma realidade, mas visa nos dar esperança. O cristão é convidado a viver plenamente a vida aqui e confiar em Deus independente de como seja a sequência da morte, Deus é.

3- Ressurreição
O corpo - carne e sangue - jamais ressuscitará.
Ressurreição não é vivificação de cadáver. As moléculas da qual se compõe o corpo físico voltam ao pó. Cada ser possui um identidade corporal espiritual para além do corpo físico e é este corpo que vive a vida eterna.
A vida ressurreta é a dimensão em que o ser humano é capaz de viver plenamente aquilo pelo qual lhe foi dado a vida. A ressurreição é a possibilidade de se viver sem as restrições como as que experimentamos no corpo físico.
Quando o ser humano morre, morre todo. Não há separação entre corpo e alma, mas sim o falecimento total. A ressurreição chama de volta à vida o ser, mas o corpo-pó permanece dissolvido. O corpo como conhecemos é pequeno demais para conter a vida em sua plenitude. Por isso nele apenas experimentamos o que poderá ser. Nele conseguimos inibir ou ocultar quem somos de fato. Diante de Deus não há possibilidade de ocultar nada. Seremos plenamente conhecidos.
A ressurreição é totalmente pela fé, pois certos de que morreremos na totalidade, confiamos nossa vida àquele em quem temos crido - a ressurreição e a vida - Jesus Cristo, que pode nos livrar da morte.

Eliel Batista

5 comentários:

  1. Oi Eliel!

    Super legal o seu espaço. Textos inéditos e pessoais. Pois estava eu procurando novos blogs para divulgar o meu e... Surpresa boa! Achei seu blog! Parabéns pelo trabalho e qualidade dos posts.

    E, aproveitando, apresento o Genizah: Um blog cristão diferente que oferece ótimo conteúdo protestante, muito humor e bom combate às heresias e ao sincretismo que vem solapando a igreja evangélica.

    Vamos nos seguir. Te vejo por lá!

    A Paz e o Bem!

    Abraços,

    Danilo Fernandes

    http://www.genizahvirtual.com/

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  2. valeu, já me cadastrei para segui-lo
    abraços

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  3. ola pastor! como eu disse: estou aqui parabén pele menssagem de quinta feira foi adventênci pra minha vida

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  4. como dizia meu interesse é iniciar uma comunhão entre os homen de minha igreja algo que possa trazer reflexão sobre a vida do dia dia a caminhada com Deus a cumplicidade etc

    vejo a necessidade de vários entre eles até mesmo eu de estar jundo participar mais da vida e do drama comun a todos

    algo que vaze as paredes do ivólucro religioso e transborde para a vida

    Sou diretor de eventos em minha igreja e por motivos diversos encontro dificuldade em difundir esse oficio, como por ex o ministério de homes que é algo que o hurge se emplementado

    wisemangod@hotmail.com - msn
    idio_ssincrasia@yahoo.com.br - orkut
    wiseman431@yahoo.com.br - e-mail

    Deus te abençoe conto com seu retorno

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  5. Oi professor,tudo bém? gostei muito de ler este comentário,pois edificou a minha vida! que Deus continue lhe usando como canal de benção...fica na paz do Senhor.

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