
Recentemente li um artigo bastante radical contra as novas heresias humanistas da igreja. Neste artigo, reservo-me o direito de não mencionar o articulista, pois meu objetivo aqui é outro, ele afirmava que às pessoas não deveria ser dado o direito de lerem a Bíblia perguntando:
-"o que isto quer dizer para mim?".
Isto porque no argumento dele, o que o texto diz, não é o que o leitor entende. Como se para ler a Bíblia necessitasse de um “leitor oficial”, ou aquilo que os versados dizem ser. Mas por ironia encerrava o artigo aconselhando os crentes que quando quisessem escolher uma igreja para congregar deveriam verificar na Bíblia, se aquela igreja era bíblica.
Com isto apóio meu “reaciocínio”. Fazer a pergunta: “É bíblico?”, é uma fundamentação muito sem fundamento.
Normalmente quando alguém pede um fundamento bíblico para alguma afirmação, ele está querendo um versículo, mesmo que fora de propósito.
Mas existem aqueles que querem um texto, "- mas com contexto", dizem.
Como se contexto fosse os versículos anteriores e posteriores. De maneira geral, ninguém se importa com o tipo de texto, ou literário, mas apenas com o literalismo.
O grande problema é que esta lógica de ser bíblico, tem uma aparência piedosa, mas trata-se apenas de uma falácia que lida com a superfície de pseudo-verdades.
Se todos dizem: -“é bíblico”, mas se contradizem, alguma coisa está errada com a lógica.
O calvinista e o arminiano, o protestante e o pentecostal, o ortodoxo e o neo-ortodoxo, o tradicional e o neo-pentecostal. O pré-milenista e o amilenista, o pré, meso e pós-tribulacionista. Enfim, todos dizem: “Minha verdade é bíblica”.
Como pode?
Como as pessoas ainda exigem que algo seja bíblico, se isto suscita um poço sem fundo de tantas variáveis e correntes, em que nada pode ser afirmado e tudo pode ser defendido?
Esta lógica tem a pretensão de ser racional, mas é altamente irracional.
Por isso quando alguém quer saber se minha afirmação é bíblica, estou quase dizendo:
"- graças a Deus não".
Por que se a questão é ter um versículo, isto nada significa.
Esta pergunta para valer alguma coisa precisaria de um complemento:
- “É bíblico de que seita?”
Por que cada uma tem a sua "verdade" que diz com todas as letras ser bíblica.
Podem dizer o que quiserem, mas em se tratando de vida com Deus não existe uma doutrina oficial, o que existe são interpretações investidas de cultura, interesses e pré-conceitos normatizados na academia os quais muitos deles, para não dizer todos, nada dizem à práxis.
Antes de a Bíblia registrar e os teólogos catalogarem as doutrinas, pessoas nos mais diferentes contextos já haviam experimentado que Deus as quer bem e é bom.
Podemos dizer como Judas em sua carta, que o que existe é a fé que foi entregue aos santos, pela qual devemos trabalhar.
Hoje quando alguém questiona minhas aulas com a retórica:
- “Quero saber o que a Bíblia diz”.
Eu simplesmente respondo:
- “Ela diz muitas coisas, mas o mais importante de tudo é para onde ela aponta”.
- Ó Bendito Jesus, Palavra Viva, cujas Escrituras testemunham a seu respeito.
Quando tentamos mostrar para um animal algum objeto apontando com o dedo, ele permanece olhando para o nosso dedo. Não consegue ver que estamos mostrando outra coisa.
Hoje perguntar se é bíblico é como o animal que olha para o dedo. Procura um texto, mais nada.
Olhar para a bíblia e ver a Palavra é de fato agir como disse Jesus ser um mestre instruído na lei e versado no Reino dos céus: "este sabe diferenciar seu tesouro novo e velho".
Eliel,
ResponderExcluirgostei muito do seu blog. Ouvi seu nome pelo Márcio Cardoso, meu pastor. Estou muito feliz por seus estudos. ficarei mais por aqui.
quanto ao texto, lembro que estamos aqui para andar por onde Jesus apontou, fazendo mais do que Ele! ("coisas maiores farão!")
Se Jesus tivesse por aqui, como homem, Ele teria prosseguido. e nós? vamos ficar presos às palavras dele, ao dito, ou vamos encarar o dizer dele que continua ressoando e se renovando até hoje!
ótimo texto!
Muito Obrigado pela sua companhia.
ResponderExcluirSeja bem vindo.
Sinta-se em casa
abçc
Enfim, estamos avançando nas reflexões. Excelente texto!
ResponderExcluirEliel, meu nome é Ana Paula, irmã do Gerson que frequentava a Betesda e fazia parte da koinonia do Alexandre, agora ele está ma Batista do Morumbi. Nós fomos apresentados, mas talvez você não lembre, foi coisa muito rápida. Moro no Rio e sempre que vou a SP, visito a Betesda. Tenho lido seus escritos. Te convido a entrar no meu blog, onde estou postando minhas crônicas.
Um forte abraço.