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29.11.07

MAIS UM PENSAMENTO SOBRE ORAÇÃO


Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas. (Mateus 7:11-12).

Se a oração tem efeitos, eles são determinados por Deus por causa de sua onipotência ou pelo fiel por causa da sua fé?

Cresci em um ambiente pentecostal aprendendo que a oração pode muito em seus efeitos (Tg 5:16) e os ouvidos de Deus estão atentos à oração (1 Pe 3:12).
A ênfase nestes textos pode transformar a oração em uma capacidade de ascensão sobre Deus. Ela não é e nem pode ser a força que controla o divino. O Pai Celestial tem um interesse amoroso e bom para com o ser humano, conhece bem suas necessidades e se alegra em cuidar dele (João 16:24).

Pelo menos para mim, compreender a oração constitui-se uma tarefa extremamente difícil, até porque nem sei orar direito.
Alguns tentam defini-la através da literalidade dos textos.
Prefiro entendê-la como um mistério onde o finito entra em contato direto com o infinito, num gracioso encontro de vida.
Tal qual todo mistério, a oração causa perplexidade e apresenta suas contradições.
Sendo assim, diria que a oração é maravilhosamente inexplicável. Maravilhamento, contemplação, irradiação, compleição, interpenetração são palavras aplicadas ao ato de orar.

De fato a oração não tem lógica.
Parece conflitante unir algumas idéias.
Elias um ser humano comum que obteve êxito em suas orações, serve de modelo bíblico para que se ore fervorosamente. Jesus fala abertamente sobre a disposição de Deus em atender as orações.
Deus o Senhor recomenda aos seus servos que instem em oração. Mas Ele que ama e conhece as necessidades mesmo antes de serem ditas, dispensa as insistentes repetições porque com bondade recompensa.

Creio que a preocupação em definir oração rouba da experiência a sua plenitude.
Quando olhamos o que Jesus diz sobre ela, percebemos um mistério e não uma fórmula.
Basta olhar o registro de Mateus no capítulo seis para nos encher de interrogações.
De um lado o fiel que fervorosamente ora e de outro, Deus que amorosamente ouve.
Aquele que ouve prefere ver, mas de uma maneira que ninguém saberá se ele viu ou ouviu.
O ambiente secreto parece fazer da oração um pedido de silêncio, pois assim se faz um segredo.
Aquele que deveria ouvir, mas prefere ver, recompensará o silêncio do que fala, mas ninguém saberá, pois a resposta também será secreta.
Deus que ouve pede para que se fale, mas lembra que o muito falar não o levará a ouvir, e se abre para que se peça. Graciosamente atenderá os pedidos, mas chama a atenção de que o pedir não o fará atender (Mt 6:6-8).
A oração foge àquilo que faz sentido!

A insistência de Jesus e dos apóstolos para que oremos pressupõe que a oração tem profundos significados na relação com Deus. É uma realidade divina do Infinito que se abre para a participação do finito no reino eterno.
Deus concede ao homem dignidade e atuação real no encontro com Ele.
Na oração não existe Senhor e escravo, mas Pai e Filho que aprende a cada dia a mensagem do coração: “tudo o que tenho é teu”. Não há razão para se dividir o que pertence a cada parte, nem tentar conquistar “cabritos”. O Pai que está sempre presente deixa claro que nesta relação tudo pertence a ambos. (Lucas 15:12,29-31)

Compreender a natureza do “Peçam, e lhes será dado” como a possibilidade do mais fraco obter vantagens do mais poderoso, transforma a realidade da comunhão Pai e filho em uma angustiante relação de ausência de Deus em um mundo de aflições. Também coloca a oração como um meio de fazer do homem um conquistador de Deus e do mundo e pouco conquistado pelo Pai Celestial. Uma relação em que o filho não tem afinidade com Deus.

O “Peçam e lhes será dado” anuncia para um mundo de aflições a possibilidade da plenitude divina manifestar plena humanidade.
Se Deus abriu mão de seu poder, se inseriu na humanidade convocando o homem a se unir a Ele na manifestação do reino, concluímos que a oração abre-nos para prevalecermos com Deus, contra tudo que se opõe ao Reino.
Jacó não lutou contra, mas com Deus.
Quando ele se agarra em Deus com tudo para lutar contra o Enganador (significado de Jacó), prevaleceu e por isso tornou-se Israel.
Esta marcante experiência de Jacó revela que quando a graça se enamora da fé as marcas são eternas e o fiel prevalece.
Agarrar-se em Deus com tudo e não perecer, mas prevalecer, somente se um Deus gracioso.
Deus deseja que o homem se agarre a Ele e assim vença o mal.
O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se beijarão. A fidelidade brotará da terra, e a justiça descerá dos céus”. (Salmo 85:10-11)

A oração revela a unidade entre Deus e o homem, trazendo à tona o bem que leva ambos, Pai e filho à concretização do “há de vir”.
A oração fervorosa de Elias demonstra que apesar de sua frágil humanidade e paixões tão comuns aos seres finitos, ele pôde participar do projeto divino de redenção de Israel, por isso não choveu.
Em um ambiente de amor as conquistas alcançadas, só têm valor se vistas como resultado do relacionamento amoroso.
Quando uma das partes atinge um alvo, a unidade estabelecida enche o coração de ambos, que mutuamente se sentem gratos e satisfeitos um com e pelo outro.

Quando definitivamente for destruído todo o domínio, autoridade e poder para que Deus seja tudo em todos (1 Co 15:24-28), o testemunho da unidade nós nele, não saberá nomear o herói, pois afinal todos “somos mais que vencedores por meio dele”.

"Quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas".

Como todo relacionamento saudável cada parte se interessa pela outra. Numa didática amorosa, Deus o Pai, demonstrou na prática através de Cristo, o que cada filho deve fazer.
Deus fez para nós o que deseja que lhe façam. Chegou ao exagero de nos servir e até mesmo de lavar nossos pés.
Aprendemos a orar com Cristo.
Perdoamos para sermos perdoados. Lutamos contra a dor e chegamos a assumi-la, porque aprendemos com Ele (1 Pe 2:21). Saciamos as fomes dele hoje, porque Ele sacia a nossa (Mt 25:31-40).
Um dia quando o mal chegar ao seu fim, a oração terá o seu amém, mas enquanto isto não acontece, Deus convoca os seus a lutarem em oração junto dele. “Seja feita (um desejo nosso) a tua vontade” e “livra-nos do mal”.
Jesus manifesta ao Pai seu desejo: “não os tire do mundo, mas livra-os do mal”.
Ao saber que Deus é contra o mal, seus filhos devem agarrar-se a isto com as entranhas. Porque lá não existirá mais dor aqui, o filho deve demonstrar com profunda paixão, que se une a Deus contra tudo o que se opõe ao Reino, dando real significado à oração.
Plenitude divina se realizando na humana em um encontro de amor.
A oração não se propõe a realizar os desejos particulares, mas transformá-los em “nosso”.
O filho na relação com o Pai encarna o reino em que nem meu e nem teu, “tudo é nosso”.

Penso que após o encontro das orações tanto Deus quanto o homem utilizem a mesma frase:
- “Cheguei até aqui, graças a você”.

Se para você isto beira a uma blasfêmia, convido-o a lembrar-se da pergunta divina a Isaías ecoando no templo:
- “Quem há de ir por nós?”.
Depois do cumprimento da missão, bem caberia dizer:
- Graças a você Deus foi.

Mas recordo também, das palavras de Jesus às ovelhas no julgamento das nações, registrado por Mateus no capítulo vinte e cinco.
- Graças a você, ("benditos do Pai") "tive sede e me destes de comer".

Quando se ora coisas podem acontecer.
Compreendendo a realidade da oração, quando alguém disser: - “Orei”, saberá que não foi conquista.
Aquele que ora sabe que somente uma oração que une Deus e o homem faz sentido para a vida. (1 João 5:14-15).
Não há méritos pessoais, mas somente uma realidade, o amor.
Se compreendermos o amor de Deus o que menos importa nas orações são palavras, desempenho e capacidade.

Atrevo-me a inserir no texto bíblico, um pensamento:
Se vocês, apesar de serem maus, tem na relação pai e filho a experiência do bem, quanto mais, o Pai de vocês, que está nos céus, cuja natureza é o amor!
Assim, façam por mim, fazendo para os outros, o que eu fiz por vocês, pois esta é a Lei e os Profetas
. (Mateus 7: 11-12 interpretado).

2 comentários:

Marcio disse...

Gostei do texto pastor, ele é bem lúdico...Estou lendo um livro muito interessante que justamente aborda sobre isso "Oração: Ela faz alguma diferença?" do Phillip Yancey. Muito bom...
abraços

PB .TOMAZ disse...

QUE BOM QUE O IRMÃO ACHA COMPLEXO O CRITÉRIO DA ORAÇÃO PORQUE ELA É FRUTO DO ESPIRITO E SE O IRMÃO Á ENTENDESSE ELA DEIXARIA DE SER MISTÉRIO O APOSTOLO PAULO USADO POR DEUS DIZ ORAI SEM CESSAR MAS NÃO DIZ QUAL ERA O RESULTADO E A QUESTÃO DE QUE TUDO TEM PARTILHA COM DEUS VAMOS DIZER MAS NÃO TEMOS PARTILHA TUDO É DELE NOS SOMENTE FAZEMOS O TRABALHO DE MORDOMO QUANDO ORAMOS ESTAMOS PEDINDO SEGUNDO A SUA VONTADE (VONTADE DELE)E SE FOR ELE NOS CONCEDE; QUE DEUS NOS ABENÇOE IRMÃO

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